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  • A evolução do carnaval em Porto Velho e suas histórias
A evolução do carnaval em Porto Velho e suas histórias
  • Fonte: Da Redação (Daniel Corrêa de Araújo)
  • Publicada em 10/02/2018 às 12:37
Já aqui em Porto Velho, segundo Silvio Santos – o ZEKATRACA – o carnaval de rua acontecia desde a década de 1920

O carnaval é uma das festas mais populares do Brasil e de muitos lugares do mundo. Cidades como Veneza (Itália), Nice (França), Nova Orleans (EUA) ou Barranquilla (Colômbia), são alguns dos locais onde tal evento é realizado. No Brasil, sua origem remonta aos entrudos trazidos pelos portugueses, mas sua origem é bem mais antiga.

Para alguns estudiosos, o Carnaval teve origem na Babilônia através da comemoração das Saceias, festa na qual era concedido a um prisioneiro que assumisse a identidade do rei por alguns dias, sendo morto ao fim da comemoração. Há ainda outra festa na Babilônia que poderia ter dado origem ao Carnaval quando, no templo do deus Marduk, o rei era agredido e humilhado, confirmando a sua inferioridade diante da figura divina. Entretanto, há historiadores que acreditam que o Carnaval teve início na Grécia por volta de 600 a.C., na altura em que era comemorado o princípio da primavera. Outros historiadores acreditam que sua origem decorre da Saturnália, quando, em Roma, as pessoas se mascaravam e passavam dias a brincar, comer e beber.

Mesmo sendo de origem babilônica, grega ou romana, uma coisa é certa: desde o início as pessoas podiam esconder o rosto ou trocar de identidade, tinham maior liberdade para se divertir ao mesmo tempo que podiam adquirir características ou funções diferentes do que eram verdadeiramente: pobres podiam ser ricos, homens podiam ser mulheres, entre outros. Em Veneza, os nobres usavam máscaras para poder desfrutar da festa junto do povo. É daí que se origina o uso da máscara.

Já no Brasil, como afirmamos anteriormente, o Carnaval surgiu com o entrudo trazido pelos portugueses, brincadeira das pessoas que consistia em atirar coisas umas às outras: água, farinha, ovos e tinta, o que anos depois foi proibido. Hoje se brinca com confetes e serpentinas, brincadeira também trazida da Europa. No início, carnaval era de rua e dele faziam parte as marchas de Carnaval - marchinhas. A primeira marchinha, em 1899, é de autoria de Chiquinha Gonzaga e se chama “Ó Abre Alas”. Carmem Miranda foi a cantora de marchinhas mais conhecida. Mais tarde, a marchinha deu lugar ao samba-enredo das escolas de samba, ao mesmo tempo em que o Carnaval de rua cedeu espaço aos desfiles das escolas. Isso não aconteceu em Pernambuco e na Bahia, que são conhecidos pelos blocos de Carnaval e pelos trios elétricos, respetivamente. A primeira escola que surgiu no Rio de Janeiro se chamava Deixa Falar, hoje Estácio de Sá. No Rio de Janeiro e em São Paulo as pessoas aguardam ansiosas aos desfiles, enquanto que as pessoas que gostam do Carnaval de rua se deslocam para o Nordeste.

Já aqui em Porto Velho, segundo Silvio Santos – o ZEKATRACA – o carnaval de rua acontecia desde a década de 1920 e, desde sua origem, foi profundamente influenciado pelo carnaval do Rio de Janeiro ou Belém, do Pará. Assim foi com as batalhas de confetes, cuja festa era organizada pela prefeitura e acontecia entre o mês de novembro até o sábado de Carnaval. Ainda Segundo Silvio Santos, havia um grande interesse e os brincantes não mediam esforços para fazer a melhor apresentação. Os blocos eram premiados e se apresentavam com o que havia de melhor. As escolas de samba também se apresentavam, mas não concorriam às premiações. As batalhas de confetes eram realizadas na Avenida Sete de Setembro, mas os desfiles de blocos também ocorreram na Avenida Presidente Dutra a partir de meados da década de 1950.

Os desfiles de blocos de clubes sociais predominaram a partir dos anos 1950, mas foram precedidos pelos corsos. De acordo com Esron de Menezes, o carnaval existia desde a década de 1920 e os desfiles iam pela Avenida Sete de Setembro até, onde hoje, é a Praça Jonathas Pedrosa (antiga Praça Amazonas – o limite da cidade) de onde faziam o trajeto de volta, mas quase sempre dobravam a esquerda, antes de chegarem ao final, na Rua José de Alencar em direção à D. Pedro II, depois desciam a Presidente Dutra em direção à Praça Marechal Rondon (já na década de 1940). Ainda segundo Esron de Menezes, alguns jovens resolveram criar um bloco para perturbar os “categas” (funcionários do Banco da Borracha) que frequentavam o Clube Internacional, localizando onde atualmente é o Clube Ferroviário. Era o Bloco da Cobra. Entretanto, os brincantes foram impedidos de entrar no clube e ficaram carregando a “cobra”, confeccionada em flandre, pela Avenida Sete de Setembro. O local escolhido para descanso dos “cobreiros” foi a frente do Cine Brasil. Até a década de 1940, predominava os desfiles dos chamados corsos, no qual os foliões desfilavam fantasiados em carros ou caminhões, para o público que se aglomerava ao longo da Avenida Sete de Setembro.

A partir da década de 1950 os desfiles de blocos passaram a ser realizados na Avenida Presidente Dutra, entre as ruas D. Pedro II e Sete de Setembro. Os blocos iniciavam o desfile descendo a avenida, passando em frente ao Porto Velho Hotel (atual prédio da UNIR-Centro) e se apresentavam às autoridades e jurados, seguindo em direção à Praça Marechal Rondon. Depois seguiam pela Avenida Sete de Setembro e subiam a rua José de Alencar, até a D. Pedro II.

Os blocos eram formados por sócios dos clubes sociais. Havia o Ypiranga, o Danúbio Azul Brilhante Clube, Guaporé, Imperial e, depois, o Bancrevea. Os blocos se identificavam por categoria social. Não havia nada escrito a respeito disso, mas cada categoria disputava entre si. Assim, o bloco do Ypiranga disputava com o Bancrevea. O bloco do Danúbio disputava com o bloco Guaporé e com o Imperial. A verdadeira estava na vitória do Guaporé sobre o Danúbio e o Imperial, não importando se perderia para o Ypiranga ou o Bancrevea.

Ainda de acordo com Silvio Santos, nessa época desfilavam também os chamados blocos de originalidade. O “Rei da Selva” disputava com o bloco do “Inácio Campos” e os famosos e populares blocos “da Cobra” e “de Sujo” e os foliões do “Bloco do Eu Sozinho”. Essa modalidade de carnaval de blocos de clubes dominaram o carnaval de rua de Porto Velho até meados da década de 1960, quando perderam a hegemonia para as escolas de samba Diplomatas e Pobres do Caiari.

A primeira escola de samba fundada em Porto Velho foi a “Universidade dos Diplomatas de Samba” e tinha originalmente o nome de “Prova de Fogo”. De sua fundação até 1970 a escola venceu todos os títulos do carnaval de rua de Porto Velho. Na década de 1970 a sua hegemonia foi quebrada pela Pobres do Caiari, uma nova escola que tinha ironicamente esse nome porque o Bairro Caiari, considerado de elite.

Com suas cores vermelha e branca, a escola é considerada a mais querida de Porto Velho e, além dos títulos já citados, ganhou também os carnavais de 19841987199019972009 e 2010.

Os Diplomatas, entretanto, voltaram a vencer em 197519761977198419871980 e 1997. Os Diplomatas também foi a escola que ganhou o primeiro título do carnaval de rua de Rondônia em 1982, isto é, o primeiro título do carnaval do agora estado de Rondônia.

Atualmente os desfiles de escolas de samba de Porto Velho já não tem o mesmo brilho de outrora. O calendário de desfiles sofre com os constantes atrasos e em alguns anos o desfile foi cancelado por motivos diversos. Os desfiles de bloco são os mais populares e os mais prestigiados pelo público em geral, sobretudo a Banda do Vai Quem Quer, o maior e mais tradicional bloco de rua da atualidade. Entretanto, mesmo os grandes blocos sofrem com a falta de recursos financeiros. É o caso do tradicional “Galo da Meia Noite” que, pela primeira vez em quase duas décadas não desfilou esse ano.

  • Atualizada em 10/02/2018 às 13:20:28