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Bado sinônimo da cultura de Porto Velho por meio do som com a marca de Rondônia
Nascido em Porto Velho Bado apresenta ao longo de sua carreira diversas produções e neste ano muita música para os amantes de sua arte

Já ouviram falar em Erivaldo de Melo Trindade? Os parentes sim, as o público deste que divulga a cultura não só de Rondônia, mas do Norte do Brasil é o lendário músico Bado. Compositor e instrumentista, artista portovelhense, nascido em 1964 no Estado de Rondônia, revela-se com traços peculiares à sua história e memória  cultural, envolvendo no seu contexto musical uma mistura de musicalidade amazônica, com sons e ritmos universais.

De origem potiguar, mora na mesma casa em que nasceu no bairro Olaria. Com sete irmão, é casado com Dona Benê, tem dois filhos, músicos da melhor qualidade. Edgar que é jornalista e grande violonista e a futura médica Bia Melo, que é baterista e percussionista.

Confira agora a entrevista com esse ícone da música popular do Norte e artista de renome nacional.

Bado, antes da música, como foi a vida escolar, ou elas caminhavam juntas?

Eu me formei em História pela Unir e recentemente pela Federal do Rio Grande do Sul em Música. Mas desde criança fazia meus instrumentos com latas de doce e cabo de vassoura e o destino já se apresentava sobre o que eu saberia fazer.

Qual foi o primeiro passo artítico?

Comecei fazendo músicas para o teatro da igreja, virei ator e a vida foi passando, terminei meu ensino médio e em 1987 resolvi conhecer o Rio de Janeiro. Lá aprendi com muita gente boa e nesse um ano que fiquei, retornei a Rondônia cheio de ideias. Toquei com quartetos, quintetos, e mostrei minha impressão autoral.

Como artista autoral, anos 80 e 90 como era pra aparecer no mercado, que era limitado sem as facilidades de hoje, como por exemplo com a Internet?

Tinha que botar o pé na estrada, acompanhei grandes artista como violonista, produção de várias peças de teatro e muita trilha compósta por mim e eu vivia na estrada. Era Belo Horizonte, Sete Lagoas, Maringá, mas antes eu lembro que meu primeiro show autoral foi pelos idos de 83, 84 no projeto Grito de Cantadores do Sesc.

Baseado nisso iniciei uma pesquisa que se tornará em breve um seminário, no Teatro do Sesc dias 14 e 15 de setembro sobre a História da Música de Porto Velho, com o tema: "Música de Porto Velho e suas Conexões”. Relembraremos da época do primeiro grande nome de compositor de Porto Velho, o Sambista Manga Rosa e o samba “Triângulo”, homenagem ao seu bairro. Os programas de auditório das rádios e são acontecimentos fantásticos que na condição de historiador, abracei a causa. Os debates navegarão desde os bailes do Porto Velho Hotel, hoje Unir Centro, Programas de Rádio Osmar Vilhena Show, os demais transmitidos pelas rádios Guaporé, Educativa de Guajará, contar a histórias das grandes orquestras que eram chamadas de “Jazz”.

Este trabalho será cronológico até os dias de hoje?

Com certeza, o debate será aberto a todos os movimentos, do Rock pesado, ao Rap, lembrar por exemplo da banda Oficina 4 de Chiquilito Erse na Bateria, Pina e Pituca, ou seja a música nunca parou de pulsar em nossa capital. Nos anos 70 os festivais de bandas de Baile revelando nome como Máquina do Som, Os  Médiuns, Voo Livre e tantas outras. Paralelo a isso citaremos a formação das escolas de Samba, o criar de sambas enredos, ou seja será um marco na história da música da Capital.

Nesse período dos anos 80, em busca de um lugar ao sol, quem estava na mesma luta que você, quais artistas?

Todos grandes amigos, como o Binho, Augusto Silveira, Laio, Dadá Jornalista, Ademir Saldanha e muitos outros músicos de alta grandeza.

Quem são suas influências? pois música autoral do Norte leva uma certa característica, mas existe uma diferença para quem ouve seu trabalho.

Tenho que citar Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, Milton Nascimento, Toninho Horta, Pat Metheny e tantos outros. No conjunto de suas obras e participações artísticas passei por experiências de criações musicais produzidas por encomendas para o teatro e filmes documentários, além de trabalhos realizados para produção de shows musicais que também tive outras influências.

Teve  uma situação que gerou uma mudança na sua compreensão musical. A vinda do Jornalista João Nelson. Como foi isso?

Ele veio do Recife-PE e alugou uma casa ao lado da nossa. Comecei a ouvir uma música diferente e alí fui apresentado a música erudíta. Resumo, ganhie 48 Long Play’s (LP) e ouvi muito Bach, Hendell,  Mozart e tantos outros.

Estudando e atuando como músico profissional. A partir dos anos 90, além de atuar como professor da Escola de Música como foi o aparecer do músico autoral Bado?

Muitos trabalhos em teatro nos anos 80, MPB a partir de 83 e até na Eco92 fomos com a Banda de Música Porto das Esperanças da Escola Jorge Andrade. Aí acompanhamos a evolução das apresentações no Mercado Cultural, finais de Noite do Cai N´Água e nomes revelados como Nazareno, a Voz de Ouro de Rondônia, Piaba e tantos outros.

Existiu um hiato dessa produção músical, pois com as poucas ferramentas de divulgação, como gravar um LP era muito difícil, hoje com a Internet os jovens conhecem Vivaldo Garcia com a música “Menina do Pacú Grande”, como sobreviver a esta época? 

Porto Velho, se envolve em vários projetos, inclusive de âmbito nacional, quando se apresentou levando a música amazônica no Projeto “Rio Brasil”, Sala Cecília Meireles e Museu da Imagem do Som (junho,1992) no Rio de Janeiro, resultando na gravação do disco Porto das Esperanças em conjunto com outros compositores do Estado de Rondônia.

No ano de 1995, estive com outros artistas participam no Projeto “escola viva”, levando a música de compositores locais às escolas municipais da rede pública, resultando na gravação de um disco denominado “Amazônia em Canto”.

Na segunda metade da década de 90, estive em festivais e mostras musicais fora do estado, como: Femucic (Maringá, PR); Teatro Francisco Nunes (Belo Horizonte-MG); Teatro Amazonas (Manaus/AM) e Espaço Sebrae –Brasília/DF. No total foram 25 anos de música entre produções para Teatro e Barzinhos na noite.

Como resolveu sair da noite?

Apostei em projetos e na carreira solo. Por exemplo em 2000/2001 fui selecionado pelo Projeto “Rumos” Itaú Cultural e passei a integrar a Cartografia Musical Brasileira, realizando Shows em São Paulo na Sala Azul Itaú Cultural. No ano seguinte me apresentei em Belém(PA) no Quinta Cultural do Banco da Amazônia e no Rio de Janeiro pelo Projeto “Cantorias Amazônica” no Teatro 2, Centro Cultural Banco do Brasil. Nisso ví que tinha muito trabalho e fica difícil conciliar com a noite.

Eis que chega seu primeir CD Solo. Como foi?

No ano de 2005, gravei meu primeiro disco solo intitulado “Aldeia de Sons” e fui convidado pela Funarte para se apresentar no Projeto “Pixinguinha” em oito cidades do sul e sudeste do Brasil no mês de setembro de 2005. Após um intenso processo de interação ao longo dos anos com com colegas compositores e músicos da região amazônica, aceitei a convite do compositor paraense Nilson Chaves do Show “Gente da mesma Floresta”, realizado em São Paulo em abril de 2006, com gravação ao vivo em DVD.

Do teatro, palcos, você chegou ao cinema. Isto foi um reflexo feliz concorda?

Em 2010 fui convidado pela Produção do Festival de Cinema da Amazônia (Festcine), para participar da mostra Itinerante de Artes Integradas com Cinema, Circo e Música na América Latina, envolvendo Brasil, Peru e Bolívia, com apresentações em mais de dez cidades. Esse trabalho resultou na produção de um filme/documentário sobre a cultura e meio ambiente dos países que detém territórios amazônicos nas suas fronteiras. Em 2013, mais uma vez fui convidado pela produção do Festcine para participar da itinerância no Vale do Guaporé, onde levamos música, literatura, circo e cinema com apresentações em 13 comunidades ribeirinhas envolvendo  Brasil e Bolívia.

Seu DVD ao Vivo dos seus 50 anos, que recebe até hoje elogios, como foi essa ideia?

Foi um presente de minha família, eu retornava de viagens e tudo estava pronto, aí no Aeroporto o Lito Casara me aborda e diz que? – Poxa, não poderei estar na festa!. Me perguntei que festa era essa? Ai desconfiei e fiquei muito feliz, pois descobri e deu tempo para ensaiar com todos os convidados e esse 30 de maio, meu aniversário foi eternizado no teatro 1 do Sesc.

Hoje quais são os projetos do Bado?

Atualmente, continuo difundindo meu trabalho em várias regiões do País, traduzindo dessa forma a necessidade relevante da construção de uma identidade musical amazônica com o viés interativo e universalizante de  todos os tons.

Estou no projeto de 75 anos do Basa, relançando o projeto de cultura no Teatro Guaporé agora dia 27 e contaremos com a banda Mapo,  uma Big Band formada em 2007, com o interprete Gabriel Guarate e lá fazendo músicas minhas, de Zezinho Maranhão, Binho e outros.

E este projeto marca o relançamento para 2018 do Circuito Cultural, de forma ampliada com música, teatro e dança.

Outro projeto já disse aqui em nosso bate papo, sobre o Seminário nos dias 14 e 15 de setembro no Teatro do Sesc com o tema: “A Música de Porto Velho e suas Conexões”, a partir das 15 horas.

E o terceiro projeto são os 70 anos da Escola Duque de Caxias, onde temos o projeto de música e literatura que faz nove anos e será nos dias 4,5, e 6 de setembro o evento, na escola situada na avenida Farqhuar.

Mercado atual, novos nomes algo te preocupa?

A falta de registros, por isso estou lutando neste projeto para contar a hostória de nossa música. A banalização musical existe e temos que combate-la com qualidade e coisa boa. Por exemplo fico feliz com o reconhecimento nacional da Banda Versalle e de tantos outros nomes de vários segmentos despontando. Temos um futuro maravilhoso.

CONTATOS: Tel: (69) 8444 7819

E-mail:. badopvh@hotmail.com

Assessoria de Comunicação: EDGAR

  • Atualizada em 27/07/2017 às 08:27:51