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  • EUDES LUSTOSA: O Homem indicado por Humberto Guedes para ficar em Rondônia
EUDES LUSTOSA: O Homem indicado por Humberto Guedes para ficar em Rondônia
  • Fonte: Redação ORondoniense - Aurimar Lima
  • Publicada em 05/02/2018 às 15:55
A história da carta de Humberto Guedes para o coronel Jorge Teixeira com indicações para o governo. Entre os indicados estavam Bader Massud Jorge, Assis Canuto, professor Jerzy Badocha e Eudes Lustosa

Ele tem no currículo a história de Rondônia, período de transição do Território para Estado, e muita informação acumulada ao longo dos diversos cargos ocupados no poder público.

Casado e pai de 3 filhos, 72 anos, com irmãos residentes em Rondônia, formação superior em Ciências Econômicas pela Faculdade Cândido Mendes do Rio de Janeiro, formação técnica em Eletrônica, jornalista, residente em Rondônia há 45 anos, este é o senhor Eudes Marques Lustosa, cidadão de Rondônia. 

Hoje ele sorri ao lembrar de ser taxado de “intratável” por conta da rigidez e compromisso com a coisa pública. Foi indicado pelo Coronel Humberto Guedes para o governador Jorge Teixeira, e chegou a ocupar duas vezes a Casa Civil, na última fase teve como missão “frear os impulsos inescrupulosos de um empresário da Comunicação.”

Em um livro ele vai detalhar muitas situações, nomes e consequências trazidas para o Estado por conta de atitudes intempestivas de algumas autoridades, quando o foco principal não era o bem estar social do rondoniense. Enquanto Eudes não materializa a história oral neste possível livro, ele se dispõe a dividi-la com amigos. O site Orondoniense teve acesso à história e transformou parte da pesquisa em entrevista:

Orondoniense: Como Eudes Lustosa iniciou a vida profissional?

Eudes Lustosa - Iniciei meus estudos com a mentalidade de adquirir uma profissão para custear outra. Com família de origem pobre, fiz o curso técnico em eletrônica e depois de empregado e trabalhando, fiz o curso pré-vestibular, e segui os planos para entrar na faculdade de Economia. Ganhei a Independência aos 19 anos. As duas formações profissionais deram-me oportunidade para assumir cargos públicos por competência, a exemplo do convite para assumir a vaga de presidente da Teleron (Extinta empresa de telecomunicação do governo federal em Rondonia) devido à especialização em telefonia e a graduação em economia.

Orondoniense: Como chegou até Rondônia?

Eudes Lustosa - Eu vim pra Rondônia formado. Eu sou amazonense. Ao terminar o curso ginasial, fui para o Rio de Janeiro, fiz o curso técnico de eletrônica, depois entrei para a faculdade de Economia. Fiz estágio no IPEA [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada] e depois fui contratado como Economista. Nessa época recebi convite da família Benesby para trabalhar em Guajará-Mirim (RO), um contrato de seis meses para implantar um projeto da SUDAM, o contrato terminava em dezembro de 1972. Eu tinha uma proposta de bolsa de estudos no exterior, voltaria ao Rio de Janeiro e retomaria as tratativas para dar continuidade ao curso de inglês e seguir para Chicago. Mas, quando chegou o final do ano, o Moisés Benesby [irmão do Isac Benesby que foi prefeito de Guajará Mirim], dobrou o meu salário, era uma rara oportunidade de ganhar bastante dinheiro honestamente. Eu sou amigo da família há muitos anos, eu me tornei amigo do Isaac Benesby aos 7/8 anos de idade, uma amizade longeva, que acabou por que ele viajou, partiu para outro plano [analogia à morte do ex-prefeito]. Ao final dos seis meses eu queria ir embora, mas ele dobrou o meu salário. O salário era muito bom, eu diria que seria o maior salário pago aqui na iniciativa privada, aí renovamos por mais um ano e assim eu fiquei durante cinco anos trabalhando com eles

Orondoniense: Depois de Guajará-Mirim pensou em ir embora? Como veio para Porto Velho?

Eudes Lustosa - Fiquei durante cinco anos trabalhando em Guajará-Mirim com eles, e aí eu resolvi sair de lá e vir para Porto Velho. Eu encontrei uma oportunidade aqui, não deu muito certo, quebrei a cara, e num determinado dia eu estava decidido a ir embora de Rondônia, porque eu constava nos anais do serviço de informação como subversivo e agitador, estava com o acesso restrito.

Eu fiz um trabalho lá em Guajará Mirim [depois eu posso contar essa história] e para me esvaziarem denunciaram-me ao setor de segurança como agitador e subversivo, e com isso me neutralizaram por algum tempo. Eu não sabia que estava fichado, só soube quando eu fui preterido na Embratel e preterido nos Correios onde fiz concurso e passei, mas não pude trabalhar porque fui vetado pelo sistema de segurança. Fiquei desempregado seis meses, disse que ia embora e tiraria Rondônia do meu currículo.

Orondoniense: E foi?

Eudes Lustosa - Quando ia fazer isso um amigo disse que eu não podia ir embora: “Rondônia está mandando buscar técnicos fora, você já está aqui! sai mais barato!”, e ele telefonou para o governador, coronel Humberto Guedes. O governador disse que eu não era comunista não! Eu era muito mal criado, mas não era comunista. Mandou que no dia seguinte eu fosse ao palácio. Eu fui e no dia no dia 20 de setembro de 1977 eu comecei a trabalhar no Território de Rondônia, como economista.

Orondoniense: E a história da carta de Humberto Guedes para Jorge Teixeira?

Eudes Lustosa - Quando o coronel Jorge Teixeira assumiu, o coronel Guedes deixou uma carta, poucas pessoas sabem da existência dessa carta, mas eu tive a oportunidade de lê-la, onde o coronel Guedes indicava algumas pessoas para alguns cargos e dizia que alguns deviam ser substituídos a qualquer custo. Ele indicava alguns nomes e vetava outros. Entre os indicados estavam Bader Massud Jorge, para prefeito de Guajará Mirim, Assis Canuto para prefeito de Ji-Paraná, professor Jerzy Badocha para continuar na Secretaria de Educação e mais outros, e o meu para ser diretor administrativo financeiro da Caerd.

Então, foi uma indicação que eu só fui saber mais tarde. O coronel Guedes nunca falou isso. O coronel Teixeira foi que me deu a carta para ler um dia em que eles estavam num confronto, Guedes e Teixeira, e eu entrei como mediador. Ele disse que uma prova de que gostava do Guedes, que era amigo dele, é que recebera a carta e fizera tudo o que o Guedes indicara.

Orondoniense: E o senhor foi para a Caerd?

Eudes Lustosa - Um dia, 25 de abril de 1978, o coronel Teixeira me chamou no gabinete dele para dizer que eu estava “intimado a assumir a diretoria financeira da Caerd” e finalizou dizendo: “Agora vá embora e me traga seu currículo”. Não me deixou falar nada, antes ele disse ainda assim: “não adianta recusar e nem  precisa me agradecer porque isso é uma intimação”, daí entrei e trabalhei na Caerd.

Orondoniense: Como surgiu a história da assessoria parlamentar da Casa Civil?

Eudes Lustosa - Chega 1982, eleições, em princípio eu saí candidato a deputado estadual, no meio da campanha fui chamado para ser candidato a suplente de senador do Odacir Soares, ele se elegeu senador e eu fiquei como primeiro suplente durante os anos de 1982 a 1990.

A eleição foi, não me lembro que dia, deve ter sido dia 15 de novembro, naquele tempo era nessa data. Terminou a eleição, terminou a apuração, eu recebi o telefonema do nosso colega Lúcio Albuquerque, onde ele questionava se eu iria assumir a assessoria parlamentar do governador. Eu disse que não estava sabendo de nada. Ele insistiu e afirmou que estava sabendo e que o governador havia dito que ia me nomear. E eu fiquei esperando que ele me falasse, porque eu não sabia de nada. Isso aconteceu no dia seguinte, ao término das apurações, naquele dia o governador estava em Costa Marques, e o Lucio Albuquerque tinha conversado com ele, pegou outras notícias, e essa. Então eu soube disso através do Lucio Albuquerque.

Orondoniense: Foi criada um assessoria?

Eudes Lustosa - Existia a Casa Civil e o governo estava montando a estrutura para o Estado. Não existia assessoria parlamentar, estava sendo criada naquele instante, nos primeiros dias do Estado e eu seria nomeado, após a eleição.

Quando o governador voltou para Porto Velho, conversamos e ele me comunicou que criaria a Assessoria Parlamentar e que eu seria o titular. A assessoria parlamentar era subordinada à Casa Civil, que tinha como Chefe o senhor José Gomes de Melo, que mais tarde veio a ser conselheiro do Tribunal de Contas.

Eu tinha saído da Caerd para ser candidato, atendendo orientação do partido e do Governo.

Orondoniense: Quando o senhor assume?

Eudes Lustosa - A minha história para assumir a assessoria parlamentar acontece no final de 82, entre a data da eleição dia 15 de novembro e o 31 de dezembro, mais ou menos, eu não me lembro o dia, que eu assumi, foi entre esses dias. Quando eu era assessor parlamentar nem existia assembleia, ela estava eleita mas não estava empossada.

Aí eu assumi a assessoria parlamentar e era coadjuvante do chefe da casa Civil, e fazia a articulação com os deputados que iriam assumir em janeiro de 1983. Então, quando os deputados assumiram eu estava lá como assessor parlamentar para atender aquela assembleia que estava sendo formada.

Eu fui o mestre de cerimônia da instalação da Assembleia Constituinte, a primeira voz ouvida na Assembleia.

Orondoniense: A saída da assessoria foi uma conspiração?

Eudes Lustosa - Em um determinado momento, os deputados não se sentiram satisfeitos com o meu trabalho, eles queriam que eu intermediasse determinadas coisas que por questões de princípios eu não queria fazer, segundo, porque eu achava que a minha fidelidade era devida ao governador. Eu era auxiliar do governador e não auxiliar dos deputados ou da assembleia, até pelo histórico da minha recomendação, a minha preferência era manter esta postura de confiança plena.

Começou a haver uns atritos e alguns deputados insatisfeitos, não eram todos, não vou citar nomes porque ainda vou escrever essa história detalhe por detalhe. Começaram a articular para me tirar da assessoria parlamentar e colocar um homem deles. Na verdade esses deputados queriam ter um homem deles ao lado do governador, para tentar saber o que o governador estava pensando, pois eu não daria essa informação, fazer o inverso e servir ao parlamento.

Daí eles lograram meio êxito, conseguiram me tirar, o governador acertou que eu sairia de lá.

Orondoniense: Acredita que a medida foi mais para o governador manter a postura de bom relacionamento?

Eudes Lustosa - Sim. O Estado estava nascendo, era preciso manter um equilíbrio. Aí o governador fez o seguinte, abriu para os deputados a oportunidade para que eles mandassem uma lista tríplice e desses nomes ele escolheria o novo chefe da assessoria parlamentar do governador.

Eles nunca conseguiram formar uma lista. Tanto que não houve um sucessor na Assessoria Parlamentar. Quando eu saí de lá, ela deixou de existir. Nunca chegaram a um consenso. Teve a indicação de apenas um nome, que era defendido por um seguimento. O nome de José Ferreira, conhecido como Ferreirinha, muito ligado ao William Cury, ligado à Codaron. Ele foi o único nome que apareceu, mas o governador não o nomeou porque ele queria uma lista tríplice, queria ter o direito de escolher, queria ter opção, como não chegaram os outros dois nomes a assessoria parlamentar se acabou.

Orondoniense: E na primeira Casa Civil, qual o trabalho?

Eudes Lustosa - Enquanto o governador, Coronel Jorge Teixeira, esperava chegar a indicação para a assessoria parlamentar, ele me nomeou chefe da Casa Civil, no lugar do José Gomes, que naquele instante estava saindo para assumir o conselho do Tribunal de Contas.

Eu assumi como chefe da Casa Civil, decreto de 10 de Abril de 1983, data histórica, dia do aniversário de Guajará Mirim. A ALER acabara de assumir, elaborava-se a primeira Consituição Estadual, o Governador Teixeira ainda tinha poder legislativo e isso demandou uma série de entendimentos para evitar conflitos. Eu funcionava como algodão entre cristais.  

Antes eu havia trabalhado como economista na Secretaria de Agricultura,  de lá eu fui para a Caerd, depois para a assessoria parlamentar da Casa Civil e da assessoria para titularidade na Casa Civil.

Orondoniense: Quanto tempo o senhor ficou como chefe de Casa Civil?

Eudes Lustosa - Eu não fiquei muito tempo. De 10 de abril, se não me engano a julho de 1983. Depois eu fui envolvido novamente numa conspiração, os mesmos deputados que me tiraram da assessoria parlamentar procuraram me tirar da Casa Civil. Veja só, o Estado começou dia 4 de Janeiro 82, em julho de 1983 nós já tínhamos um desembargador aposentando. Aí pegaram o desembargador e colocaram em meu lugar, e tem detalhes que não cabe aqui agora, mas que vão fazer parte do meu livro.

No dia que ficou acertado que eu sairia da Casa Civil, o jornal Alto Madeira já citava o buchicho. Lamentavelmente, o Luiz Tourinho já não está aqui para confirmar o que eu estou dizendo, mas ele se posicionou junto com os deputados para me tirar da Casa Civil. Como chefe da Casa Civil eu agia me posicionando conforme os interesses do Governo, eu não devia fidelidade e lealdade a ninguém mais além do governador. O governador me colocou porque eu tinha um perfil, eu não mudaria e nem vou mudar meu perfil, com isso eu desagradei muita gente. E lutaram para me tirar…até que colocaram o desembargador

Orondoniense: Em 1999, que Casa Civil é essa em comparação a 1983?

Eudes Lustosa - Era uma Casa Civil mais madura, altamente ambicionada. Na verdade ela foi ambicionada desde o primeiro dia. Um fato que eu não falei até agora, mas que lembrei, é que o chefe da Casa Civil era visto como alguém poderoso pois existiu um cara neste País chamado Golbery do Couto e Silva, que foi chefe da Casa Civil do Ernesto Geisel. Ele foi o Chefe da Casa Civil que chegou a mandar neste País. A Casa Civil nasceu com essa fama de importante.

Para mim a Casa Civil tem duas caras, uma cara antes e outra depois do Golbery. Ele era um gênio, não posso dizer do mal [risos], quase um Maquiavel. Ele via antes de todos, ele está na gênese da revolução de 64, foi ele que criou o Serviço Nacional de Informações (SNI). Ele montou a estrutura, estava sempre no gabinete da presidência da República.

Orondoniense: E a segunda experiência como Chefe da Casa Civil, qual era a missão?

Eudes Lustosa - Foi um convite do governo Bianco. Na véspera do natal de 1998 o José Bianco telefonou-me comunicando que eu seria o Chefe da Casa Civil, resisti, disse que preferia ficar fora do Governo. Bianco insistiu. Pedi 24 horas para pensar. Consultei minha mulher e meu filhos que desaprovaram a idéia.

Telefonei para o Bianco e disse-lhe que deveria procurar outra pessoa para aquele cargo.

Foi nesse momento que o Bianco disse-me: “Eudes, eu preciso de você aqui. Eu não aguento mais o Mário Calixto, e eu preciso ter na Casa Civil um homem que diga não para ele. Das pessoas que eu conheço só você tem peito para dizer não para o Mário Calixto. Aquilo pra mim foi um desafio, era impossível não aceitar e em 1º de janeiro de 1999 fui empossado – pela 2ª – Chefe da Casa Civil do Governo do Estado de Rondônia.

Orondoniense: O senhor já vinha de um ambiente de comunicação, já conhecia como as coisas funcionavam?

Eudes Lustosa - Eu sabia quem era a figura. Mário Calixto já havia feito uma proposta indecente para mim, e depois posso contar detalhes, mas foi aí que começou o nosso desentendimento que perdura até hoje, na verdade acho que vai para a eternidade! Ele tentou me subornar, e eu não aceitei o suborno contrariando-o.

Orondoniense: E o Eudes, que foi secretário de administração do Bianco?

Eudes Lustosa - Foi difícil, porque ele me deu uma atribuição e eu não pude cumprir a minha missão, grande parte por culpa dele. Foi o que eu disse a você, se não tem um governador que tenha peito para sustentar as coisas, fica difícil.

Eu ao chegar na secretaria da administração, no primeiro dia, conversei com o Bianco e ele me disse o que queria que eu fizesse. Ele usou essa expressão: “quero que você limpe a casa, isso aqui está muito sujo”.

Orondoniense: Era o medo da Lei de Responsabilidade Fiscal? 

Eudes Lustosa - Não. Era porque estava sujo mesmo. Muitas distorções, muitas improbidades, muitas incorreções. Ele já tinha notícia. Não tinha sentido eu ir pra lá se não fosse para isso colocar “os pingos nos is”.

Orondoniense: Tinha muito fantasma?

Eudes Lustosa - Muito. Tinha fantasmas e fantasmas. Aquele que era nomeado, publicado no Diário Oficial, e que não ia trabalhar porque tinha um acordo com governador, com secretário; e tinha o outro fantasma, aquele não foi nomeado, não foi nada e estava na folha de pagamento.

Orondoniense: E esses fantasmas não tentaram te assustar depois?

Eudes Lustosa - Se eles me assustaram [risos]? Eu que assustei eles!

Orondoniense: Eles não vieram atrás do Eudes?

Eudes Lustosa - Como é que vem? [risos] cutucar onça com vara curta? Eu descobri um número de pessoas na folha de pagamento que sequer haviam sido nomeadas e recebiam. Porque o então chefe dos recursos humanos, aquele que foi preso anos depois roubando na Secretaria de Saúde, tinha inserido indevidamente na folha de pagamento algumas pessoas.

Eu fiz um levantamento e levei ao governador, apresentei um relatório, mas a solução ia sendo protelada. Eu não tinha poder para exonerar o chefe do Recursos Humanos, quem tinha esse poder era o governador. Comecei a ser boicotado na secretaria. Muitas coisas que dependiam da decisão do secretário ficavam em “embargos de gaveta”, se é que me entendem.

Orondoniense: Não houve solução?

Eudes Lustosa - Eu percebi que o governador estava com dificuldades, porque a solução passava pela exoneração do rapaz e um processo administrativo sério, ia macular a imagem do governo nos primeiros dias. Preparei um documento para o Tribunal de Contas, relatando tudo que havia dito ao governador, anexando todas as provas, documentais, eu levei em mãos ao presidente do Tribunal de Contas, na época o presidente era o Dr. Amadeu Machado.

Ele olhou e disse: “esse camarada aqui é um bagre ensaboado.” Não restaram dúvidas porque eu tinha apresentado as provas documentais. Por conta disso ele foi responsabilizado, e as pessoas que receberam indevidamente a remuneração tinham que devolve-la, não sei se devolveram…mas com dois, três dias depois eu apresentei minha exoneração.

Orondoniense: Quem é o Eudes Lustosa ontem e quem é ele hoje?

Eudes Lustosa - Não tem muita diferença além da questão cronológica. Eu neste primeiro momento da Casa Civil tinha 30 e poucos anos, inclusive não fui escolhido como um dos primeiros conselheiros do Tribunal de Contas por que eu não tinha idade ainda pra isso. O Teixeirão disse que antes de sair do governo ele aposentaria o José Renato e eu assumiria na vaga do José Renato. Mas ele saiu antes do José Renato aposentar…

Orondoniense: Na história da vida pública o Eudes perdeu muito ou ganhou muito?

Eudes Lustosa - Eu perdi oportunidades boas. Eu poderia ter sido um parlamentar. Eu poderia ter ocupado outros cargos, apesar de que não foram poucos o que eu assumi. Mas muitas vezes eu fui preterido pelo meu perfil, essa coisa de ser intransigente, teimoso as vezes, mas por outro lado foi bom porque eu escapei de muita fria depois.

Orondoniense: Em Rondônia o que marcou ou quem marcou a vida do Eudes?

Eudes Lustosa - A gente pode virar este Estado de cabeça pra baixo e pra cima, peneirar, peneirar, mas no final sobram dois nomes, Humberto da Silva Guedes e Jorge Teixeira de Oliveira. Humberto é um grande amigo, ele está vivo ainda, com 92 anos, um grande homem, grande administrador, um grande técnico. Um homem de vergonha e de caráter. E que amou muito Rondônia. O grande arquiteto do Estado. Teixeira o grande mestre de obra que edificou o Estado.

Orondoniense: E o Eudes Jornalista?

Eudes Lustosa - Eu sempre procurei cultivar a verdade. Uma vez eu estava dando entrevista [jornalista da Assembleia, Adaides dos Santos, assessor de imprensa do Deputado Jean] na rádio Rondônia e ele me perguntou: mas o que é a verdade? Eu disse-lhe que a verdade é tudo aquilo que é incontestável. A verdade você não pode contestar. Você contesta a mentira, você contesta a meia-verdade. A verdade ninguém prova o contrário. É incontestável.

Orondoniense: Você é um dinossauro da comunicação aqui em Rondônia?

Eudes Lustosa - Eu acho que sim, talvez até um “pré-dinossauro” [risos] porque muitos dos antigos jornalistas aqui são mais novos do que eu, aí acabo sendo um pré-dinossauro. Eu aprendi jornalismo na oficina, a prática na Redação, um jornal no Rio de Janeiro, que ainda existe até hoje, chamado Tribuna da Imprensa, que foi durante o chamado período militar o único Jornal de oposição no Rio de Janeiro.

Orondoniense: Quando é que sai o livro do Eudes?

Eudes Lustosa - Eu não vou dizer que eu estou escrevendo porque eu sou lento para escrever e meu raciocínio e muito rápido, então eu vou perder o ritmo. Eu estou gravando, gravando…depois eu vou transcrever, ai revisar, arrumar. Mas eu que disse que nunca tenho medo, na verdade eu tenho um medo porque é muita história para contar, muitos nomes para revelar, comprovadamente, não tem papo furado… vai incomodar muita gente. Não sei se será publicado enquanto eu estiver aqui ou se será depois que eu partir... Não sei.

Orondoniense: Pois é, mas um livro tem muita liberdade de expressão. E onde eu encontro o Eudes Lustosa para ouvir as histórias?

Eudes Lustosa - Eu não converso com ninguém entre o horário de meio dia e 1 hora da tarde, no período de segunda a sexta-feira, que é a hora do programa FALANDO A VERDADE na rádio 95 FM. Aliás, de 11h30 às 13h, que a hora que eu começo a me preparar, eu já saio de circulação, não atendo telefone, porque está arriscado você atender um telefone e se aborrecer, entrar no ar estressado. Fico ligado 24 horas.

Orondoniense: Quanto tempo ainda mais de Rondônia?

Eudes Lustosa – Muito tempo. Tudo meu está aqui. Só não tenho sepultura porque não tenho pressa de usá-la, eu quero viver ainda muitos anos, e viverei!

  • Atualizada em 05/02/2018 às 16:05:00