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  • Gestão Pública- a obrigação de não fazer- decifra-me ou te devoro.
Gestão Pública- a obrigação de não fazer- decifra-me ou te devoro.
  • Fonte: George Braga- Analista Judiciário do TRT 14 e Ex-Secretário de Estado de Planejamento do Estado de Rondônia
  • Publicada em 19/06/2018 às 17:19
Caso o enigma não fosse respondido corretamente pelo viajante, este era devorado pela esfinge. A resposta pontual era o “homem”.

Um antigo mito grego relata que a esfinge (monstro com corpo de leão e cabeça humana) de Tebas estava sempre atenta aos viajantes que passavam naquela cidade. Esta abordava o transeunte com o seguinte enigma: “Qual o animal que de manhã tem quatro patas, ao entardecer tem duas e ao anoitecer tem três patas?”

Caso o enigma não fosse respondido corretamente pelo viajante, este era devorado pela esfinge. A resposta pontual era o “homem”.

Somos servidores públicos. Servir ao povo é o significado de nossa profissão. Muitas vezes estávamos loucos por esse emprego e nem faz tanto tempo…. Mas com um ou dois anos de convivência nesse método atual aplicado, me convenço que não adianta nada me distanciar da maioria. Seremos o macaco apedrejado.

No Princípio de Pareto, onde 80 por cento dos problemas está nos 20 por cento das causas (80/20) se revela no molde e forma de aplicação atual da gestão pública brasileira. Sempre que usarmos a mesma fórmula, teremos o mesmo resultado.

É preciso inovar, fazer pesquisas, experiências, introduzir valores. É fácil? É nada! Mas podemos fazer, criar, monitorar, avaliar, corrigir e refazer o percurso novamente, o PDCA tão propalado como forma inicial de mudança.

Depois, podemos inserir princípios como liberdade, desafio e recompensa, são pilares para a nova gestão pública. De que adianta exigir que o servidor chegue às 7:30 no trabalho se ele produz melhor à noite ? De que adianta trabalhar num serviço repetitivo e enfadonho se não há desafios e nem metas a serem batidas? De que adianta trabalhar com afinco se não seremos reconhecidos e nem premiados?

Por isso, impérios caem. A história mostra isso. Falo de três princípios básicos (liberdade, desafio e recompensa). Se você não estiver estimulado, animado, a produção cai; se a qualidade do trabalho é ruim e você se sente subaproveitado, péssimo para o Estado.

Como furar a bolha? O treinamento, reconhecimento, teletrabalho, banco de horas, avaliação e monitoramento, enfim, tudo que for moderno e estimule o servidor a produzir e a ter recompensas.

Nesses calabouços administrativos, de despachos “ao”, servidores com medo de decidir, que jogam o processo de um canto para outro, que adoecem, que faltam ao serviço por dor no dedo mindinho, que passam o dia fofocando, vendo internet, ao passo que do outro lado estamos nós mesmos, a população, esperando o resultado, a entrega. É um absurdo! Precisamos decifrar esse enigma da Administração Pública moderna ou ela nos devorará.

Muitos querem ganhar mais, trabalhar menos, ter mais assessores, ter mais direitos e prazeres, mas esquecem que o Estado muitas vezes não suporta a fatura que virá e o gestor moderno se vê com uma única resposta: Não!

Muitas vezes é melhor dizer o não porque é mais fácil e não corremos risco a dizer um sim inovador, que estimula, que é ousado e que liberta.

Decifra-me ou te devoro Brasil!

  • Atualizada em 12/07/2018 às 15:47:37