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  • Na Sete de Setembro ou na Farquhar a rivalidade das escolas empolgava o público
Na Sete de Setembro ou na Farquhar a rivalidade das escolas empolgava o público
  • Fonte: Da Redação (Aurimar Lima)
  • Publicada em 10/02/2018 às 12:35
Diplomatas, Pobres do Caiari e Bloco da Cobra fazem parte da memoria do carnaval portovelhense 

O embate de duas escolas de samba tradicionais em Porto Velho (RO) movimenta a memória dos saudosistas até os dias de hoje. Diplomatas do Samba e Pobres do Caiari trazem na história uma rivalidade até na escolha dos nomes; enquanto um ostentava a diplomacia outro a expressava a humildade, o que na verdade, segundo o jornalista e saudosista Anísio Gorayeb, ambas não traziam consigo o significado das palavras. Em outra versão o jornalista Silvio Santos também relata um episódio sobre a definição para o nome, em especial a escola do Caiari, da qual ele fazia parte.

Anísio Gorayeb, que viveu a história do carnaval portovelhense na década de 60, conta que o grupo que nominou Pobres do Caiari, de pobre não tinha nada, pois se tratava de um bairro da elite local, formada por trabalhadores da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, e que os fundadores ostentaram esse nome ao assimilar que a então concorrente escola de samba Diplomatas, de diplomacia também não tinha nada, pois pertencia a um grupo de pessoas menos abastadas na época.

Os Diplomatas, nas cores vermelho e branco, foi fundada em 4 de novembro de 1958, com o nome de Prova de Fogo, tendo Tário de Almeida Café como seu primeiro presidente. O nome era uma homenagem a um bloco carnavalesco de Fortaleza. Em 1960, por sugestão do sambista paraense Bizigudo, a escola foi denominada Universidade dos Diplomatas do Samba, depois Os Diplomatas do Samba, e hoje apenas Os Diplomatas, sugerido pelo carnavalesco Bainha.

Segundo o jornalista Gorayeb, traz a memória muitas história de Rondônia, ele conta que na fundação da escola vermelho e branco havia um grupo composto por personalidades do samba portovelhense, como o sambista Bainha, que será homenageado este ano pela escola Asfaltão, o nome de nascimento dele é Waldemir Pinheiro. Também constava outros conhecidos da população como Bola 7, Bisigodo, Mario Alfaiate, Leonidas Cavol, Roselvet e o Cabeleira, chama-se Antônio Campos, e o pai dele, que chamava Inácio Campos.

O jornalista Silvio Santos, em sua memorável coluna Zé Katraca, conta a história do grupo que fundou a escola de samba Pobres do Caiari, de cores predominantes azul e branco. Ele resgata como fundadores os nomes de José Roberto de Melo e Silva, conhecido como “Zepiapó”, principal idealizador, e os amigos José Carlos Lobo, Lucivaldo Melo, João Ramiro. Santos conta que tudo começou no carnaval de 1964 quando alguns jovens do bairro Caiari resolveram descer a avenida Presidente Dutra, pintados de urucum, vestidos de saco de sarrapilha, batendo em latas e penicos. “ Ao se aproximarem do “Palanque” o locutor oficial Milton Alves ao identificar alguns daqueles mascarados como sendo moradores do bairro Caiari, anunciou: Aproxima-se do Palanque Oficial Os Pobres do Caiari”.

Silvio Santos relata ainda que isso aconteceu numa terça feira de carnaval, dia 11 de fevereiro de 1964, naquele tempo os desfiles aconteciam na terça feira de carnaval. Quando foi no dia 28 do mesmo mês, em reunião que aconteceu na residência dos pais do Zeca Melo, no bairro Caiari, foi fundado oficialmente, o “Império do Samba Pobres do Caiari” que em 1984 se transformou em Grêmio Recreativo Escola de Samba Pobres do Caiari.

Em outra época o colunista retoma outro período de ouro das escolas, em uma entrevista com o carnavalesco Manoel Mendonça, falecido Manelão, e publicada no Portal Rondônia (http://www.portalrondonia.com/noticias/16965.htm) em janeiro do ano de 2009, o dirigente conta sobre uma declaração da Diplomatas admitindo que não tinha como ganhar da Pobres do Caiari.

BLOCO DA COBRA

Nesta rivalidade aparecia algo que unia os foliões é o que nos conta o saudosista Sidnei Alarcão, com muito cuidado para não trazer a tona as disputas novamente. Alarcão lembra de quando as escolas tinham a frente, no Caiari, Dona Marise Castiel, e no Diplomatas, Heitor Costa, mas havia outros segmentos da folia momesca que acabava unindo todos, era as manifestações do blocos de rua. “Lá todos se encontravam” - lembrou.

Alarcão opina que as escolas complementavam uma a outra, de um lado o luxo do Caiari e de outro o fino do samba da Diplomatas.  No final das contas, os foliões de ambas escolas se misturavam no bloco do Manelão, no bloco do Sol, da Chuva, Seca Buteco, Triangulo não Morreu, Periquitos, entre outros, os blocos regionais era uma forma de saírem juntas.

Havia os blocos formados por sócios dos clubes: Ypiranga (o clube dos categas); Danúbio Azul Bailante Clube; Guaporé; Imperial e depois veio o Bancrévea Clube (dos Bancários do Banco da Borracha), mas era o bloco da cobra o mais enigmático.

“O bloco da cobra reunia a alta roda da sociedade portovelhense, durante as décadas de 60 e 70, inclusive com a participação do prefeito. Eles se pintavam com óleo e carvão, montavam um objeto cilíndrico feito de borracha “in natura” e saiam pela Avenida Sete de Setembro, depois da Rua Joaquim Nabuco, e iam até a Avenida Presidente Dutra, sujando todo mundo de preto” – lembra Alarcão.

No bloco só saia quem fosse batizado, tratava-se de um ritual onde o interessado em fazer parte do grupo precisaria tomar uma garrafa de bebida de uma só vez sem tirar da boca. Alguns adeptos lembram que era dado coquetel, cachaça, Whisky, Gin, o que tivesse de bebida, mas as conclusão é que a pessoa acabava por não brincar o carnaval do ano devido as consequências do porre, as vezes entrava em coma alcoólico e naquele ano não desfilava, só saindo no ano posterior.

O bloco se apresentou pela última vez em 1980 no carnaval da Avenida Farquhar. Na história relatada em livro consta entre os fundadores Claudio Feitosa e Elias Jouayed.  Segundo o jornalista Zé Katraca o Bloco da Cobra era a Confraria do Bar do Raul, local onde os “Cobreiros”, costumavam se reunir aos finais de semana.

“Como se fosse um troféu e no maior esforço do mundo Elias Juayed, Durval Gadelha, Câmara Lema e Zé Reis (Papagaio), colocaram uma cobra nos ombros e saíram exibindo pela Avenida Sete de Setembro local onde estavam acontecendo os desfiles carnavalescos naquele ano. Esse foi o primeiro desfile do Bloco da Cobra” – finalizou o jornalista.

  • Atualizada em 10/02/2018 às 13:17:56