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  • Saudosismo resgata histórias vividas na Praça Aluísio Ferreira em Porto Velho
Saudosismo resgata histórias vividas na Praça Aluísio Ferreira em Porto Velho
  • Fonte: Redação ORondoniense - Aurimar Lima
  • Publicada em 03/02/2018 às 13:57
Com o passar do tempo a Praça ficou completamente descaracterizada e não há mais os lagos e os animais que adornavam o lugar

O nome do lugar não mudou: Praça Aluísio Ferreira, em homenagem ao primeiro governador do Território Federal do Guaporé, mas o ambiente que marcou a história política e durante décadas o cotidiano de muitos portovelhenses, esse foi completamente descaracterizado, sobrando como lembrança o busto do patrono, o relógio do sol, o coreto e alguns parapeitos que cercam as antigas árvores.

Aluízio Pinheiro Ferreira foi um militar e político brasileiro que nacionalizou a Ferrovia Madeira-Mamoré e atuou para a criação do então Território Federal do Guaporé. Seu governo foi até 1946, quando foi eleito como primeiro deputado federal do Guaporé, reeleito em 1950 e, depois, eleito novamente em 1958. Ele foi líder do grupo apelidado pelos seus adversários políticos de "cutubas". Aluísio morreu aos 83 anos, no Rio de Janeiro.

A praça foi construída entre o final da década de 40 e começo da década de 50, não foi possível entrar em um consenso factual por falta de registro bibliográfico. Os saudosistas em postagem no grupo da rede social Facebook relatam duas possibilidades: Dílson Machado Fernandes, disse que a praça foi construída pelo sogro, Raphael Jayme Castiel, que era Prefeito de Porto Velho; e Eudson Freitas escreveu: “Esta praça segundo relatos de alguns escritores, fora construída na gestão do então prefeito Carlos Augusto de Mendonça por volta de 1946”.

Sem uma data precisa e algumas contradições, uma das verdades é que a praça fazia parte de um projeto de ocupação do governo federal. O saudosista Sidnei Alarcão conta que havia um projeto bem maior do governo Getúlio Vargas, que incluía na construção de casas para os funcionários da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM) a implantação de escolas e praças, o chamado projeto Caiari.

Segundo Alarcão, na época as instituições locais eram tímidas e cuidavam mais de serviços básicos, não tinham capacidade para grandes construções. Outra possibilidade que serve como argumento acerca da praça ter sido construída pelo governo federal é o fato de quando o 5º BEC chegou em Porto Velho em 1966 e recebeu 14 casas do Serviço de Patrimônio da União (SPU) , essas eram do governo federal, construídas para atender o projeto Caiari. Com a criação do território federal do Guaporé passaram a servir aos dois governos, e depois serviu a vários órgãos do governo federal inclusive ao Ministério do Exército.

A saudosista Laura Beatriz Bensiman relata nos comentários que a praça foi projetada pelo arquiteto e engenheiro José Otino de Freitas. Eles reconhecem que o profissional durante este período projetou quase todos os prédios significativos da história de Porto Velho, como o Plácio Getúlio Vargas, a escola Normal “Carmela Dutra” e o Porto Velho Hotel, onde funciona o prédio central da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

Cotidiano

Mas o que encanta a turma são as histórias de épocas, alguns chegaram a contemplar o primeiro formato da praça, que tinha lagos com jacaré, puraqué, patos tomando banho e até tartarugas. Uma saudosista explica que tinha água e peixinhos embaixo das passarelas, que chamavam de pontes. Cristina Courinos lembra que em 1956 corria com medo dos jacarés, mas era o lugar onde brincava e aprendeu andar de bicicleta.

Alguns trabalhavam no aeroporto e passava por ela todos os dias, chamavam de praça do Caiari. O saudosista Eudson Freitas lembra que este aeroporto era chamado “CAIARI”, onde hoje é a vila da aeronáutica na Avenida Farquar.

Outro membro do grupo resgata uma data longiqua “brinquei muito na infância nos ides de 1968 e 70 talvez, como estudante do grupo escolar Duque de Caxias da então inspetora Dona Esmeralda que residia no bairro Caiari”. A saudosista Cristiane Moreira lembra que havia uma pista com semáforos e placas para aprender um pouco sobre trânsito. “Era tão linda a pracinha com suas piscinas e muita arborização” - registrou.

As histórias vão tomando corpo, um membro do grupo cita como a única praça que tinha uma quadra oval e o saudosista Antônio Marrocos confirma, lembrando que o padre Vitor Hugo certa vez colocou um suporte de rede para tentar brincar de tênis, a quadra era meio circular. 

Marcello Alarcão resgata a famosa praça do Caiari. “Moramos de frente a ela, na casa que era do 5º BEC e tinha no outro extremo da praça, ao lado da escola Normal [Carmela Dutra] tinha uma Biblioteca do Estado que por muitos anos minha mãe trabalhou lá a noite” – recordou.

Elsedir Araújo conta com saudades muitas histórias do tempo em que a praça reunia o amigos da escola. “Quando termina o desfile de 7 de setembro os jovens se reuniam ali para conversar, muito namoro e encontros estudantis. Na praça nós fazíamos serenatas, voz e violão, nada de droga, um ambiente muito saudável que traz boas lembranças” – informou. Mas um fato ele conta sorrindo, a existência do lanche do senhor Chico Santos, o melhor da cidade. Certa vez, Elsedir chegou a comer 11 sanduiches, chamados X Bagunça, e ainda ganhou um de brinde do proprietário.

Eudson Freitas complementa as recordações e firma que o lanche do Sr Chico Santos, que fora inclusive treinador de futebol em diversos times de futebol em Porto Velho, se chamava Xoxocão.

Outra coisa inusitavel é a existência do Relógio do Sol, que indica as horas conforme a projeção da luz solar, não depende de trabalho mecânico.  A sombra projetada sobre o mostrador funciona como um ponteiro de horas em um relógio comum. A medida que a posição do Sol muda, a sombra desloca-se pela superfície do mostrador, passando sucessivamente pelas linhas que indicam as horas. 

Mas o tempo passou e a praça foi colhendo mais histórias, com a execução de projetos como “A praça é nossa” que movimentava o lugar com atividades de lazer; depois veio o Ralph ponto de encontro para skatistas, houve um autódromo infantil e hoje funciona com a Feira do Porto.

Infelizmente o que deixa todos magoados é que parte desta história saudosista esta se perdendo e o projeto arquitetônico original foi completamente descaracterizado e os lugares perderam o espaço para a muvuca de festejos.

Foto: Família Wedher

  • Atualizada em 03/02/2018 às 13:57:42