Início Carreira Morre Bento da Mota Braga, da tradicional e pioneira Família Braga

Morre Bento da Mota Braga, da tradicional e pioneira Família Braga

Morre Bento da Mota Braga

VOVÔ BENTO BRAGA, UM DESTEMIDO PIONEIRO!

Seu nome já é benzido. Hoje, aos 91 anos, partiu meu amado avô, no dia 13.12.2018. Bento da Mota Braga, um dos desbravadores destas terras de Rondon. Nascido na Boca do Acre, no dia 16.11.1927, casou-se  com Iacira de Freitas Braga, que lhe deu oito filhos. Ele fez um filho antes do casamento, totalizando nove.

Quando minha vó teve tuberculose, ele largou tudo, mercadinho e filhos já nascidos e a levou para o Rio de Janeiro. Meu pai era o mais velho deles. Para cuidar dela, foi trabalhar na Campanha Nacional de Combate à Tuberculose,  no Sanatório em Curicica, Jacarepaguá. Depois de curada, eles voltaram a Rondônia.

Foi carpinteiro,  pedreiro ( trabalhou na construção do Colégio Carmela Dutra e no Palácio do Governo), década de 40.

Montou várias serrarias em Porto Velho: a Santo Antônio,  a Transamazônica  e depois a Ibemalta, foi dono de um sítio no qual criava quelônios  ( tartarugas) na década de 70, supermercados e várias dragas e no fundo do Madeira deixou todo seu dinheiro.

Meu avô, um homem inteligente na vida, nas emoções.  Sempre dizia, quando perguntado como estava e ele respondia: “Tudo azul, com bolinhas amarelas.” Sorria sempre e a toda hora. Comia frango e banana todos os dias. Comia pouco. Trabalhava todos os dias na horta e jardim. Cantava e fazia uma graça, assim era o vovô.

Mas não se iluda, quando era para falar ou agir, o fazia. No final da vida, não lembrava mais da gente, esquecia, não sabia aonde estava. Esse Alzheimer  é uma das piores doenças do mundo. Ela faz o Homem esquecer do amor, da história e dos rostos. Perdemos tudo em vida. Horrível.

O que ficou foi seu luta, sua conduta irrepreensível, seu trabalho quando chegou aqui na década de 40/50  e trabalhando em prol da sua família e do Estado.

Para finalizar, duas historinhas: A primeira,  é que quando no começo de minha vida pública,  precisei fazer um enfrentamento com uma autoridade do Estado e estava apreensivo, ele me disse: ” se você está com medo antes de começar, então você já perdeu.” Fui seguro para o embate. A segunda, eu lhe perguntei: “VÔ,  o senhor se arrepende do quê?”  Ele me disse chorando, numa das poucas vezes que o vi chorar: “Me arrependo de ter muita coisa na vida e ter virado as costas ao meu pai. Não ter me aproximado dele. De não tê-lo ajudado….” e o choro foi meu e dele.

Assim era meu avô amado e  que hoje está junto da minha amada avozinha.
Descanse, destemido pioneiro!

Obrigado pelas lições.

A benção!

George Braga, rondoniense e neto.