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16 Dias de Ativismo Pelo Fim Da Violência Contra As Mulheres – Por Tais Iamazaki

De acordo com o Atlas da Violência 2020, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Rondônia ocupa a décima quarta posição no ranking de homicídios de mulheres, com uma taxa de 4,7 assassinatos por 100 mil habitantes. Ocupam as primeiras posições os estados de Roraima (20,5), Ceará (10,2), Acre 8,2, Pará (7,2), Goiás (6,4), Amazonas (6,2), Tocantins (6,1). A taxa brasileira foi de 4,3 apresenta uma redução com relação a 2019,  quando apresentou 4,7, mas ainda acima da taxa de 2016 de 3,9.

  Os estados brasileiros que apresentaram as maiores variações entre 2019 e 2020 nos registros de homicídios femininos foram: Roraima (93%), Ceará (26,4%) e Tocantins (21,4%). Roraima e Ceará também apresentaram as maiores taxas de homicídio feminino por 100 mil habitantes em 2018 – 20,5 e 10,2, respectivamente –, seguidos pelo Acre (8,4) e pelo Pará (7,7). 

Esses estados também figuram entre aqueles com as maiores taxas gerais de homicídios no país em 2018. No entanto, cabe ressaltar que, para os três estados com os aumentos mais expressivos nas taxas de homicídios de mulheres, a tendência observada em relação à taxa geral de homicídios não é exatamente a mesma: em Roraima, o aumento foi de 51,3% no total de homicídios (contra 93% nos registros com vítimas mulheres); no Tocantins, a taxa cresceu apenas 2%; e, no Ceará, houve uma queda de 10,4% na taxa total de homicídios entre 2017 e 2018. 

Outro dado que chama a atenção é a relação de assassinatos de mulheres negras no Brasil. Enquanto entre as mulheres não negras a taxa de mortalidade por homicídios no último ano foi de 2,8 por 100 mil, entre as negras a taxa chegou a 5,2 por 100 mil, praticamente o dobro.

Cabe ainda destaque sobre a taxa de homicídio de mulheres fora de casa diminuiu 11,5%, as mortes dentro de casa aumentaram 8,3%, o que é um indicativo do crescimento de feminicídios.

Nesse mesmo período, o aumento de 25% nos homicídios de mulheres por arma de fogo dentro das residências, por sua vez, parece refletir o crescimento na difusão de armas, cuja quantidade aumentou significativamente nos últimos anos.

Polícia Civil intensifica campanhas de combate à violência contra as mulheres

O cenário em Porto Velho continua preocupante segundo dados da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam). De janeiro a agosto de 2020, foram registrados 2.593 casos de violência contra as mulheres. O número é menor do que no mesmo período em 2019, onde 2.859 ocorrências foram notificadas, 266 casos a menos que ano passado, mas ainda altos.

Com relação aos inquéritos instaurados em 2019, a delegacia registrou 750 casos e em 2020, 809. De acordo ainda com dados da Delegacia, o número de medidas protetivas acionadas em 2019 foram de 915 casos, já em 2020, 870.

Apesar disso, houve aumento no número de denúncias de agressões contra as mulheres no mês de agosto este ano, 289 ocorrências foram totalizadas através da Polícia Civil, já em agosto de 2019, 36 casos a menos, totalizando 253 denúncias. Não podendo deixar de ressaltar nossa preocupação com os casos não notificados.

Veja as fontes:

Atlas da Violência 2020

Monitor da Violência

Polícia Civil intensifica as campanhas de combate à violência contra a mulher

Tais Tiene Iamazaki de Souza

Tais Iamazaki é jornalista, engenheira química, especialista em Gestão ambiental e Gestão em Saúde Informadas por evidências, servidora pública e estudante de Filosofia.

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Rondoniense

1 Comentário

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  • Maravilha de texto, pontuou exatamente as questões mais difíceis que enfrentarmos na luta contra a violência doméstica e evidenciou a real situação de Porto Velho com relação ao índice dessa violência que aprisionam mulheres não só em Porto Velho mas no Brasil todo.