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PMMA: quais são os riscos de procedimentos com a substância – A Gazeta ES

Publicado em 4 de julho de 2024 às 15:38
A influenciadora digital Aline Maria Ferreira, de 33 anos, morreu nesta terça-feira após fazer um procedimento para aumentar os glúteos com a aplicação de polimetilmetacrilato (PMMA) em uma clínica de Goiânia (GO).
A dona do estabelecimento foi presa pela Polícia Civil de Goiás nesta quarta-feira. A influencer recebeu a aplicação de 30ml de PMMA no dia 23 de junho e retornou ao Distrito Federal no mesmo dia, segundo disse a Polícia Civil do DF, em nota. Neste último sábado, dia 29, ela foi internada em um hospital particular. Após ela começar a passar mal, o marido da influencer relatou ao g1 ter entrado em contato com a clínica. Ele foi orientado a dar um remédio para febre à mulher. Nos dias seguintes, no entanto, o quadro da influencer piorou, e ela chegou a desmaiar.
O polimetilmetacrilato (PMMA) é um polímero sintético utilizado na forma de gel para realizar procedimentos estéticos, como preenchimento cutâneo de pequenas áreas da face e do corpo.
“Seu uso é bastante restrito, sendo autorizado pela Anvisa para ser utilizado nas situações como a correção da lipodistrofia (alteração no organismo que leva à alteração da concentração de gordura em algumas partes do corpo) provocada pelo uso de antirretrovirais em pacientes com síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS). E em casos de correção de pequenas irregularidades e depressões facial e corporal, preenchendo essas áreas afetadas”, explica a dermatologista Pauline Lyrio.
Entre os perigos estão as reações alérgicas, os nódulos, granulomas e processos inflamatórios e infecciosos, necrose tecidual, que podem levar a danos estéticos e funcionais desastrosos e irreversíveis. “Além disso, pode até mesmo levar a complicações mais graves, como embolias, cegueira e morte”, diz a médica.
O cirurgião plástico Ariosto Santos diz que a substância tem uma indicação extremamente limitada, usando pequenas quantidades, em pacientes soropositivos e que apresentam um tipo de lipodistrofia facial, algumas depressões na face. “Mas de modo geral, ele é muito pouco ou raramente utilizado e não há indicação, eu acho que é um produto que devia ser realmente eliminado”. O médico reforça que o PMMA não tem indicação nenhuma para dar contorno no corpo, no caso na coxa, nos glúteos ou nos flancos. 
O médico conta que entre os perigos com o uso da substância o mais grave é a embolia. “É o produto a ser injetável e de alguma forma cair na corrente sanguínea e embolizar, ocasionado embolia pulmonar ou embolia cerebral”, diz Ariosto Santos. 
O cirurgião plástico explica que quando o produto é injetado, a maioria dos pacientes, às vezes, não tem esse tipo de problema, porém mais tarde começa a apresentar um endurecimento e sinais de infecção no local onde foi injetado. “Ou seja, ali pode gerar infecção no local e às vezes, o leigo pode chamar de ‘rejeição’ e pode gerar uma necrose na pele, naquele ponto”.
A dermatologista conta que diferentemente do ácido hialurônico, o PMMA não possui antídoto, ou seja, não pode ser revertido com substâncias em caso de qualquer complicação. “Sua remoção só é alcançada de forma cirúrgica, que, muitas vezes, pode não ser suficiente para corrigir por completo os danos já causados pelo PMMA. Além disso, ele não é absorvido pelo organismo”, explica Pauline Lyrio.
A médica reforça que mesmo que a remoção cirúrgica possa se rum opção em caso de complicação, muitas vezes as pessoas já chegam tardiamente para a remoção cirúrgica, podendo não ser suficiente para resolver os danos colaterais.
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