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A construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré – Por Rita Vieira

Foto: Danna Merrill, fotógrafo oficial da EFMM

Após a assinatura do Tratado de Petrópolis, quando o Brasil assumiu a responsabilidade pela construção da linha férrea que contornaria o trecho encachoeirado do Rio Madeira, a primeira atitude do governo brasileiro foi resgatar as ações falidas da Madeira Mamoré Railway Company e abrir uma licitação, para que uma empreiteira nacional ganhasse a concessão para a obra.

O vencedor da licitação foi o brasileiro Joaquim Catramby, que era, na verdade, o testa de ferro brasileiro de um empreiteiro norte-americano, Percival Fahrquar, dono da May, Jeckill & Randolph, que assumiu a concessão vencida por Catramby.

Foto: Foto: Danna Merrill, fotógrafo oficial da EFMM

A obra começou, de fato, em 1907, quando a empreiteira chegou a região de Santo Antônio do Rio Madeira e decidiu transferir o ponto inicial da construção de Santo Antônio para o Porto Velho dos Militares, que estava a 7 km de Santo Antônio.

Foto: Danna Merrill, fotógrafo oficial da EFMM

Fahrquar deu estrutura para o povoado que se formou em volta da construção da estrada de ferro, como fábrica de gelo e biscoito, hospital, cemitério, refeitórios e alojamentos para abrigar os trabalhadores. Essa obra contou com a mão de obra de pessoas de aproximadamente 52 nacionalidades (segundo os registros do hospital da Candelária), transformando Porto Velho em um emaranhado de línguas, regidas pela construção da EFMM e seus administradores norte-americanos.

Foto: Danna Merrill, fotógrafo oficial da EFMM

“A ferrovia do diabo”, como chamou Manoel Rodrigues Ferreira, ganhou essa alcunha pelo grande número de mortos que desvelou durante a execução da obra, que terminou em 1912, quando o primeiro surto da borracha já caminhava para o fim, deixando aproximadamente 6.000 mortos enterrados em seu percurso de 366 km, de Porto Velho à Guajará-Mirim, o que torna irreal o mito de que cada dormente da EFMM simboliza uma vida ceifada durante a obra. O total aproximado de trabalhadores da EFMM durante sua construção foi de 22.000 pessoas das mais diversas origens mundiais. Além das doenças tropicais, os trabalhadores da EFMM enfrentavam a fúria da selva amazônica, o precário abastecimento de gêneros alimentícios diversos, a solidão e os ataques indígenas, que tentavam resistir a invasão da região.

Foto: Danna Merrill, fotógrafo oficial da EFMM

Em agosto de 1912, aconteceu a inauguração da obra, que ainda permaneceu com a administração da May, Jeckill & Randolph até 1930, quando após a crise de 29, Percival Fahrquar faliu, perdeu tudo e abandonou a administração da linha férrea na Amazônia ocidental.

Rita Vieira

Formada em História pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), professora de História na Escola João Bento da Costa e Medquim Vestibulares, especialista em Segurança Pública e Direitos Humanos, além de estudiosa e pesquisadora da História Regional.

Contato: ritaclaravieira@gmail.com

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