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A escola d’O Terror

Carrasco do rei Luís XVI mostra a cabeça do rei da França à multidão. O rei foi apenas uma das milhares de vítimas de Robespierre e seu "Comitê de Segurança Pública" e "Tribunal Revolucionário".
Carrasco do rei Luís XVI mostra a cabeça do rei da França à multidão. O rei foi apenas uma das milhares de vítimas de Robespierre e seu "Comitê de Segurança Pública" e "Tribunal Revolucionário".

“Escola Nacional”, nome bonito, não? Nos faz pensar em um ensino para todo o país, uma responsabilidade de educação ampla e aprofundada com alcance em todo o território nacional. Existem algumas “escolas nacionais” no Brasil. Pensemos especificamente sobre escolas nacionais ligadas à esfera pública federal, como “Escola Nacional da Magistratura”, “Escola Nacional de Gestão Agropecuária”, “Escola Nacional de Polícia”, “Escola Nacional de Administração Pública”, “Escola Nacional da Inspeção do Trabalho” e “Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados da Justiça Militar da União”.

A tragédia de J. S. foi se ver envolvido em (tentativa de) formação de autômatos ‘ideologizados’ em nome de suposta (e velada) revolução igualitária, digna do auge d’O Terror* de Robespierre e sua trupe.

Carrasco do rei Luís XVI mostra a cabeça do rei da França à multidão. O rei foi apenas uma das milhares de vítimas de Robespierre e seu "Comitê de Segurança Pública" e "Tribunal Revolucionário".

Carrasco do rei Luís XVI mostra a cabeça do rei da França à multidão. O rei foi apenas uma das milhares de vítimas de Robespierre e seu “Comitê de Segurança Pública” e “Tribunal Revolucionário”.

 

Uma escola nacional deve ser um centro de excelên­cia de ensino em determinada área técnica. Deve propiciar que os profissionais que venha a formar alcancem excelente desenvolvimento dos seus conhecimentos técnicos. Era nisso que acreditava J. S. quando se candidatou a uma vaga em curso de especialização numa dessas escolas. O curso deveria torná-lo (assim como a seus colegas de turma) especialista em estratégia e planejamento públicos. A tragédia de J. S. foi se ver envolvido em (tentativa de) formação de autômatos ‘ideologizados’ em nome de suposta (e velada) revolução igualitária, digna do auge d’O Terror* de Robespierre e sua trupe.

A tragédia de J. S. que narro aqui não se trata de alegoria ou fantasia, mas de testemunho de um fato. O curso citado foi construído por parceria de pesquisadores e professores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Bem mais que metade das disciplinas deveria abordar conhecimentos modernos, aprofundados sobre elaboração de estratégias e o planejamento de suas implementações com vistas ao desenvolvimento nacional. Mas quase todo conteúdo esteve baseado em literatura marxista-socialista, quando não ‘discutindo’ os motivos de a população brasileira estar apoiando o golpe (sic). 

O intuito, no fim das contas, dos elaboradores da pós-graduação era pegar ‘pequenas massinhas de modelar’ (os cérebros dos incautos servidores públicos federais) e fazê-los entender que uma ‘revolução igualitária’ era necessária. Chega a ser jocoso fazer uma pesquisa pelos nomes de tais “organizadores/professores” no Portal da Transparência e verificar seus salários astronômicos. Para ficar em um pequeno exemplo, dois dos professores são pesquisadores do IPEA (que chegaram a ser diretores do instituto nas administrações petistas) com salários no limite do teto constitucional (algo em torno de 35 mil reais)!

O intuito, no fim das contas, dos elaboradores da pós-graduação era pegar ‘pequenas massinhas de modelar’ (os cérebros dos incautos servidores públicos federais) e fazê-los entender que uma ‘revolução igualitária’ era necessária.

Fachada da Escola Nacional de Administração Pública - ENAP

Fachada da Escola Nacional de Administração Pública – ENAP

 

Perceba-se que aqui não está sendo afirmado que “escolas nacionais” não têm sentido de ser ou que “não prestam”. Nem mesmo se está afirmando que todas as turmas de um curso mal formulado seja ruim. Há evidências suficientes de que a grande maioria das escolas e dos cursos redundam sim em evolução técnica dos alunos que passam por suas bancas. Mais que isso, há excelentes resultados de projetos, pesquisas e atividades de extensão oriundas dessas escolas. O fundamental aqui é perceber que existem situações críticas que precisam ser combatidas (e o caso hora relatado é uma delas). Ainda mais importante que isso: é fundamental estarmos em constante evolução na nossa capacidade de julgamento crítico das situações práticas. Por isso, vejamos mais detalhes do fato.

Já passando da metade do curso e pensando em desistir, desanimado com a rotina doutrinária por que passava e não mais participando dos debates em sala, J. S. teve de ouvir na aula de um desses dois pesquisadores do IEPA o que segue: “Só há desenvolvimento com o aumento da igualdade”. J. S., diante da extrema falta de lógica da afirmação, notória até para um aluno secundarista bem formado, interveio: “Professor, Cuba é um país extremamente igual, talvez com o maior nível de igualdade do mundo, o melhor Gini do mundo. Os EUA são um país extremamente desigual, com um Gini horrível. O que o senhor está dizendo, então, é que se Cuba sair da condição econômica em que se encontra, avançando para uma condição parecida com a dos EUA, ela não vai estar se desenvolvendo?!” Alguns segundos de silêncio e o máximo que o professor conseguiu dar de retorno foi algo como: “Bem, veja, claro que seu ponto está correto. O que eu quero dizer é que é importante também aumentar a igualdade. Numa situação como a que você descreve, mesmo que aumente a desigualdade estará havendo desenvolvimento. Mas …”.

Esse exemplo é bem ilustrativo de tudo que ocorreu na pós-graduação que J. S. cursou. Ficou evidente, para ele e os mais críticos, que se algum dos alunos evoluiu de verdade no curso foi por mérito próprio. A doutrinação sem base científica foi o horizonte dos professores ao longo das disciplinas. Até o ponto que vão meus parcos conhecimentos, não houve uma “escola nacional” (ou algo similar) responsável pela doutrinação antes e ao longo da Revolução Francesa; mas não tenho dúvida que, caso tivesse havido, os cursos seriam bastante parecidos com esse do testemunho que trouxe acima. E, com toda certeza, o grande resultado social seria O Terror!

* O Reino do Terror ou, como ficou mais popularmente conhecido, O Terror é o título que se atribui ao momento em que a Revolução Francesa estava em seu auge, logo após a criação da Primeira República Francesa, e havia massacres públicos e numerosos “tribunais de exceção”, gerados por acusações de traição proferidas pelo Comitê de Segurança Pública; tribunais que condenaram um sem-número de pessoas à guilhotina. Bastava alguém dizer “ um ‘a’ ” contrário às ideias totalitárias de (falsa) igualdade apregoada e a condenação era certa.

 

Marcos Pena Júnior é economista e escritor, mantém suas produções disponíveis em marcospenajr.com.

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