O tempo é curto, pesquisa Ibope não é definitiva e o distanciamento de Vinicius Miguel do prefeito favorece os demais candidatos.  

É difícil prever o resultado de uma eleição, pesquisas retratam um momento apenas,  mas dá para arriscar, a não ser que surja uma ocorrência de gravidade incontornável, que o prefeito Hildon Chaves (PSDB) tem vaga garantida no segundo turno. A disputa muito competitiva hoje é pela segunda vaga, e nela só vejo possibilidade para quatro nomes: Vinicius Miguel, Cristiane Lopes, Williames Pimentel e Breno Mendes.

Embora Vinicius Miguel leve vantagem sobre os demais, segundo a última pesquisa do Ibope, divulgada em 28 de outubro, ele se distanciou de Hildon Chaves, que cresceu 7 pontos, e os demais, ainda que tenham apresentado magérrimo crescimento em relação à pesquisa efetuada no dia 14, estão na batalha, disputam o voto, a campanha não acabou.

Porém, o tempo é curto: faltam apenas 12 dias para as eleições. Diminuir rejeição e ampliar leque de intenção de voto é tarefa hercúlea, ainda mais se os envolvidos em campanha olharem a pesquisa Ibope como definitiva, que  projeta segundo turno entre Hildon Chaves e Vinicius Miguel, com os pontos de diferença sendo incapazes de ser superados.

Williames Pimentel (MDB), com o mote Saúde é Tudo, Breno Mendes (Avante) com seu  Fiscal do Povo, Vinicius Miguel (Cidadania) e a vereadora Cristiane Lopes (PP) disputam as ruas, intensificam o corpo a corpo, mas a intensidade do contato, da capacidade de uso das redes sociais, do horário de TV e recursos financeiros na reta final farão a diferença.

Contam pontos, evidente, em dias desalentadores, candidatos dissociados da má política, não experimentados no jogo do poder, como Vinicius e Breno, mas já se percebe que o ódio e rancor pela política está cedendo, e o eleitorado deixa um pouco as paixões de lado para focar naquele que tem condições de entregar resultados, que contam com uma vida pública de êxito.

Muito antes de ter visto a primeira pesquisa Ibope, as quais olho sempre com desconfiança, considerei que as últimas entregas do prefeito – ônibus coletivo e transporte para alunos da zona rural – teriam reconhecimento, após difícil enfrentamento desse antigo problema. Dirão os mais incrédulos que a estratégia de resolver essa política publica no ano eleitoral foi de propósito, para garantir votos. O fato fala por si.

Ao contrário de 2016, quando houve o impeachment de Dilma Rousseff e o ambiente político estava muito tóxico, a reeleição na atual eleição municipal indica menor rejeição, há uma predisposição do eleitorado em avaliar resultados, e mesmo em Porto Velho onde há tradição de mudança total de grupos no poder – exceção recente foi Roberto Sobrinho, reeleito-, isso parece vir a se confirmar.

Favorecem o prefeito ter o suporte de um grande partido, ter resolvido problemas que pareciam unhas encravadas, vindos de outras gestões, ter melhorado a fisionomia da capital e sua administração ter escapado de escândalos de corrupção. Pelo menos não se tem notícia.

Não tenho bola de cristal, não tenho conversado com os candidatos. É apenas uma avaliação, que pode se confirmar ou não. E como acredito que a experiência na atividade pública precisa ser levada em conta, torço para que os candidatos com currículo de serviços efetivamente prestados aos porto-velhenses, entre os quais me incluo, estejam no segundo turno.