Comentando Notícia | Marcos Souza

Marcos Souza Gomes, paulista, nascido em Ipaussu (SP), foi criado quase que a vida inteira em Porto Velho (RO), é formado em Comunicação Social, Jornalismo, pela Faro – da primeira turma do Estado de Rondônia. Iniciou como revisor do Jornal Alto Madeira, em 1992, e depois passou a ser repórter do segmento cultural do matutino e em 1996 foi editor do Caderno Dois. Logo que se formou, em 2005, junto com mais três amigos de faculdade fundou o portal de notícias Rondoniaovivo, onde permaneceu até 2015. Especialista em cultura pop, crítico de cinema, atuante nas redes sociais, hoje trabalha como produtor de reportagem na SIC TV Record RO e é editor de matérias do site O Rondoniense.
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A morte de Rubens, meu crítico – Por Marcos Souza

Morreu o meu crítico de cinema favorito, Rubens Ewald Filho, 74 anos. O cara que me ditou e instruiu as regras de escrever uma boa crítica de cinema. Era uma enciclopédia ambulante da sétima arte – a impressionante contagem que tinha desde criança de quantos filmes assistiu era uma referência única – eu lembro de uma reportagem onde ele mostrou pilhas de cadernos com os números de filmes e rascunhos de críticas feitas a mão desde criança.

Ele era habilidoso na sua observação humana e técnica cinematográfica, com um olhar particular nato.

Era fã dos musicais clássicos de Hollywood (não escondia de ninguém o seu fascínio por Fred Astaire, Gene Kelly, Cyd Charisse), fã do cinema italiano (apaixonado pela arte de Fellini, Lucchino Visconti, Ettore Scolla), tantos mestres.

Me fiz aprender a conhecer todos os filmes maravilhosos do genial Woody Allen graças as suas críticas.

Nos anos 80 logo que o Brasil entrou na onda dos filmes em VHS – explodiu a moda das locadoras de vídeo – tinha uma revista especializada em equipamentos – Vídeo News – com uma seção dedicada a dicas de filmes com crítica pontuadas, quem escrevia era Rubens.

Eu o achava deveras pretensioso, pois ele detonava filmes que eu gostava – a série “Aeroporto”, da Universal por exemplo, ele destruiu com suas críticas.

Mas em 1985 ele publicou o primeiro guia de filmes em VHS lançados no Brasil – fosse de forma pirata ou oficial -, era um livreto, do tipo almanaque, dividido em gêneros (Aventura, Comédia, Drama, Documentário, Suspense e Terror) maior na vertical. Essa publicação fez tanto sucesso que ele decidiu lançar de forma aleatória a cada ano, conforme a quantidade de filmes em VHS eram lançados no país.

Eu tinha 16 anos e fiquei encantado com esse livreto. Desde então eu colecionei todos os guias que ele lançou, e foram 11 guias, tenho todos.

Em especial ele lançou um exclusivo pornográfico, apontando quais eram os artísticos, os mais sacanas e os clássicos, a capa desse guia é clássica – uma boca feminina carnuda e bem vermelha saindo uma chama em fogo bem acesso.

Foram os textos, tudo pontuado com uma observação delicada, outras ferinas – ele era muito irônico quando queria ser – mas era de um conhecimento profundo e assistia obrigatoriamente todos os lançamentos no cinema.

Nunca vamos esquecer que ele foi o crítico favorito do Oscar e que só foi afastado ano passado por causa de um comentário a respeito da sexualidade de uma artista. Muito inteligente, falava três idiomas, fez especiais sobre as suas idas em Cannes – quando entrevistou ídolos como Marcelo Mastroiani, que ele considerava o ator mais completo do cinema italiano e um dos maiores da história da arte.

Foi também roteirista e novelista, escreveu a novela “Éramos Seis” (para a Tupi e a refilmagem para o SBT), escreveu pornochanchadas também.

Um apaixonado absoluto por cinema. Tinha uma coleção de filmes invejável, desde filmes de rolo, passando por VHS, DVDs e Blu Rays. Tinha um minicinema em sua casa, onde gostava de assistir os filmes como estivesse numa sala de cinema.

Que perda lamentável e muito triste. Sempre vou saudá-lo como um mestre da crítica de cinema no Brasil – não era perfeito e cheguei a contestar muitas vezes algumas de suas resenhas, mas sempre de forma respeitosa. Muito triste e abalado por sua morte.

Vai deixar um buraco gigante dentro do nosso pobre cenário de bons críticos de cinema, pelo menos com o conhecimento e sensibilidade que possuía.

Descanse em paz Rubinho.

***

Confira algumas matérias já publicadas a respeito:

Morre o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, aos 74 anos

Morre Rubens Ewald Filho, crítico de cinema e comentarista do Oscar, aos 74 anos

Rubens Ewald Filho, crítico de cinema brasileiro, morre aos 74 anos

Contato: Marcos Gomes (Facebook) e e-mail: marcos35anos@gmail.com

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Marcos Gomes
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