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A questão do Acre e o Tratado de Petrópolis – Por Rita Vieira

Com a assinatura do Tratado de Ayacucho ou Tratado de Amizade, em 1867, a posse do atual estado do Acre ficou para a Bolívia, mas a região e seus rios, eram em maioria ocupados por seringalistas e seringueiros brasileiros, a Bolívia mesmo tendo posse do território não exercia nenhum controle fiscal ou militar sobre a região, permitindo a expansão da exploração brasileira por lá.

Em 1899 o governo boliviano decidiu instalar fiscalização e cobrança de tributos aos brasileiros que exploração borracha na região, o governo brasileiro logo quis reagir, ameaçando a Bolívia de guerra. Mas, o governo boliviano afirmou que teria apoio do governo dos Estados Unidos caso o Brasil invadisse a Bolívia, o que fez o governo brasileiro recuar na decisão de guerra.

Luís Galvez Rodrigues de Arias – O imperador do Acre

Um ano depois, em 1900, Luís Galvez Rodrigues de Arias, jornalista, jurista e aventureiro espanhol, invadiu a região do Acre e proclamou o estado Independente do Acre, formado pelas terras do rios Purus, Juruá, Aquiri e Beni, pois acreditava que a região merecia e devia ser independente tanto da Bolívia, quanto do Brasil. Galvez foi deposto por tropas do governo do Amazonas, que pretendia anexar o território ao estado do Amazonas, tempos depois, foi reconduzido ao poder, diplomaticamente, sendo deposto por forças expedicionárias, sendo preso em Manaus e  com o território do Acre devolvido para a Bolívia.

Mesmo após a prisão política de Galvez, o desejo de emancipar o Acre da Bolívia não havia morrido para o Brasil e muito menos para a elite manaura, que via na região muita prosperidade econômica devido à exploração de goma elástica. Em 1901, mesmo com aparente calmaria e domínio boliviano da região, o militar gaúcho Plácido de Castro reuniu tropas brasileiras e invadiu a região boliviana, realizando várias conquistas territoriais em pouco tempo e proclamando a República Independente do Acre. O governo boliviano representado por José Pando tentou reagir, mas logo foi surpreendido pelo governo republicano brasileiro que proibiu a navegação estrangeira no rio Amazonas, dificultando as relações econômicas da Bolívia.

Plácido de Castro – líder das tropas brasileiras que conquistaram o Acre

O Presidente do Brasil à época, Rodrigues Alves, com ação e ideia do Barão de Rio Branco, sugeriu a resolução diplomática da “Questão do Acre”, entre os países vizinhos, evitando assim, mais confrontos militares e desavenças. O governo Boliviano aceitou a solução diplomática e em 17 de novembro de 1903, Brasil e Bolívia assinaram, no Rio de janeiro, o Tratado de Petrópolis, em que o Acre foi comprado da Bolívia nos seguintes termos:

  • O pagamento do valor de 2 milhões de libras esterlinas à Bolívia;
  • A construção da ferrovia que superava o trecho encachoeirado dos rios Madeira e Mamoré passava a ser responsabilidade do governo brasileiro;

O delta do rio Madeira, formado pelos rios Beni e Mamoré voltavam ao pertencimento do território boliviano

Configuração do Acre após o Tratado de Petrópolis (1903)

As más línguas ainda afirmam, que um cavalo de raça, pertencente ao representante do Brasil na assinatura do Tratado, foi dado como parte do “pagamento” no processo de compra do Acre, ao representante do governo boliviano. Toda essa saga histórica para compra do Acre foi televisionada na minissérie “Amazônia, de Galvez a Chico Mendes”, produzida pela rede globo, 2007.

Rita Vieira

Formada em História pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), professora de História na Escola João Bento da Costa e Medquim Vestibulares, especialista em Segurança Pública e Direitos Humanos, além de estudiosa e pesquisadora da História Regional.

Contato: ritaclaravieira@gmail.com