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A vacina do Butantã, a MP insolente e Caiado, o serviçal – Por Mara Paraguassu

Presidente eleito, Jair Bolsonaro, durante encontro com os governdores eleitos, no CICB. Brasilia, 14-11-208. Foto: Sérgio Lima/Poder 360

“A vacina do Butantã será a vacina brasileira. Ele compra substâncias necessárias e fabrica a vacina. E, com isso, o registro entra pela Anvisa. E não vem pela Anvisa chinesa. Isso nos dá mais segurança, isso nos dá também mais liberdade de manobra para chegar com antecedência.”

Palavras de 20 de outubro, há quase 2 meses, ditas pelo ministro Eduardo Pazuello (Saúde) em reunião virtual com 24 governadores, quando pela primeira vez elogiou o Instituto Butantã, um centro de pesquisa centenário que segundo o próprio ministro é o grande fabricante de vacinas para o Ministério da Saúde, para o SUS. 75% das vacinas são do Butantã.

Nesse dia, caríssimos, o ministro disse que havia feito compromisso de compra para garantir a Coronavac rapidamente, um produto fabricado em casa, à mão, para colocar em prática o Plano Nacional de Imunizações. Mas então, o chefe capitão veio a público desautorizar o ministro general, para mim o mais grave e perigoso gesto político do presidente boçal, atormentado pela bem-sucedida condução do enfrentamento da pandemia pelo governador João Dória, gestor com possibilidade real de vir a ser candidato a Presidente da República.

Grave porque àquela altura agira certo o ministro, àquela altura muitos países já haviam garantido lugar na fila para comprar vacina, e o Brasil nada. Perigoso, porque enquanto o boçal desdenha de vidas e das providências para se ter vacina, mais gente morre de norte a sul do Brasil.

O boçal Bolsonaro não apenas nutre paranoia política contra João Dória. Ele vê inimigo para todo lado. E por demonstrar disposição ideológica extremada contra quem pensa diferente e contra a China, país sede da farmacêutica parceira do Butantã, atua também para destruir legados. O Butantã é um deles.

Depois daquela reunião, boa parte do mundo fechou contratos, protegeu sua população, e o ministro Pazuello continuou jogando parado. Gaguejando em uma coletiva de imprensa, mentiu ao dizer que o laboratório Pzfizer poderia entregar doses ao Brasil para começar a vacinação entre dezembro e janeiro.

E por que ele disse o que não poderia sustentar, a mando do chefe mais uma vez? Por causa do protagonismo positivo do governador Dória!  Ele disse que no dia 25 de janeiro a população do mais importante Estado do país começa a ser vacinada. E no dia seguinte à entrevista de Pazuello, no dia 10, aliás justo no Dia Internacional dos Direitos Humanos – e a vida é o maior dos direitos -, o governador de São Paulo anuncia que o Butantã começou a produzir a vacina a todo vapor.

Um golaço, insuportável para o presidente boçal. Aposto que ele torce para tudo dar errado para Dória. Não está nem aí para o povo.

E eu disse que o sinistro, ops, ministro, mentiu. Sim, de inopino o presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, disse que a empresa só poderá começar a entregar doses da vacina contra o novo coronavírus ao país no primeiro trimestre de 2021. Mais: que nenhum contrato com o governo do boçal presidente foi assinado. Que o laboratório formalizou a proposta para a venda da vacina ao governo federal há quatro meses, em agosto!

Na Câmara dos Deputados, o executivo alertou: “Quanto mais demorarmos em assinar o contrato, menos segurança em termos essas doses lá na frente. Alguns países assinaram um tempo atrás e, por isso, já estão começando a vacinar.”

Genial e operante este governo de boçais não? É um governo cruel. Se assim não fosse, jamais o chefe capitão teria negado a pandemia, e a esta altura já teria o plano de vacinação para o país continental, multifacetado, indisciplinado na pandemia e desigual talvez como nunca tenha sido, até mesmo na época das capitanias hereditárias.

Com esse resumido memorial dos últimos dias, e por tudo mais de patético e inacreditável que assistimos há dois anos, custa acreditar que homens públicos inteligentes e de carreira política sólida ainda venham ao socorro do boçal presidente.

Pois não é que Ronaldo Caiado se prestou a serviçal? Dia seguinte ao golaço de João Dória, saiu-se com essa no twiteer: “Toda e qualquer vacina registrada, produzida ou importada no país será requisitada, centralizada e distribuída aos Estados pelo Ministério da Saúde. Pazuello me informou isso aqui em Goiânia, hoje. Nenhum Estado vai fazer politicagem e escolher quem vai viver ou morrer de Covid.” 

É mesmo governador? Seja justo: quem escolheu a vida foi o comando do governo paulista. O do país escolheu a galhofa, a desmoralização e a morte. Recusou a liderança da crise da pandemia.  Mais: a MP insolente do confisco que o senhor aprova não passará. 

Simplesmente porque o boçal presidente e o sinistro Pazuello, omissos para com o dever de casa, serão devidamente condenados a não impedir que Dória e outros 11 gestores (por enquanto) da federação façam o que majoritariamente a população espera.

Veja video da reunião de outubro com os governadores:

Mara Paraguassu

Profissional de comunicação social desde 1989. Formada pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), em São Paulo, com pós graduação em Ciências Políticas pela Universidade do Legislativo (Unilegis).

Jornalista por devoção.

Foi repórter e editora de Política nos jornais “O Estadão do Norte”, “O Guaporé” e “Diário da Amazônia”. Cobriu eleições para a Agência Estado. Dedicou-se à assessoria de imprensa do Governo de Rondônia, de onde se aposentou em 2018.  Assessora parlamentar por 12 anos, atuando em Brasília nos mandatos da senadora Fátima Cleide e deputado Padre Ton.

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