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Aberta as inscrições para projetos artísticos e culturais da Lei Aldir Blanc

O Governo do Estado, por meio da Superintendência Estadual da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel) detalhou esta semana os nove editais da Lei Emergencial Aldir Blanc que irão fomentar a cultura no Estado.

Mais de mil iniciativas concorrem. “Será um marco para a história de Rondônia realizar todas essas ações culturais num momento tão difícil para a classe artística”, disse o superintendente Jobsob Bandeira.

Clique para acessar os editais e seus respectivos anexos. As inscrições podem ser feitas aqui

Aproximadamente R$18 milhões aquecerão a economia rondoniense em função desses editais. Para a coordenadora de Cultura Carmélia Cardoso, os anseios da classe artística estão sendo atendidos em um período delicado para Rondônia, o País e o Mundo.

“Os editais contemplam projetos artísticos e culturais, oferecidos de forma virtual”, ela assinala. Atende-se, dessa forma, a aplicação do inciso III da Lei Aldir Blanc, que prevê a aplicação da verba federal no Estado por meio de editais de premiações e editais de chamadas públicas destinadas a projetos independentes de artistas e grupos artísticos atuantes em Rondônia.

O Diário Oficial do Estado publicou os editais no dia 21 de outubro. A 1ª edição Mary Cyanne do Edital de Chamamento Público de Fomento à Cultura e à Produção Artístico-Cultural para Transmissões ao Vivo Gravadas homenageia essa produtora cultural considerada “Imperatriz da cultura porto-velhense”.

Ela é muito conhecida por seu trabalho com quadrilhas, boi-bumbá e carnaval, e foi representante titular da Secretaria de Desenvolvimento Socioeconômico e Turismo (Semdestur) da Capital e 2ª secretária do Conselho Municipal de Cultura de Porto Velho.

Dedicou grande parte de sua vida à cultura popular, trabalhando com o arraial Flor do Maracujá, desfile das escolas de samba, e diversos segmentos culturais em Porto Velho.

A 1ª edição Alejandro Bedotti do Edital de Chamamento Público de Fomento à Cultura para Pesquisa e Desenvolvimento de Expressões Culturais Alejandro Ulises Bedotti homenageia o teatrólogo argentino, ator, diretor, mímico, produtor cultural, psicólogo e referência na dramaturgia, além de exercer a profissão de psicólogo.

Nascido em 1954 no país vizinho, estudou na Escuela de Teatro em La Plata. Chegou a Rondônia em 1979 durante o Governo do coronel Humberto Guedes, e começou a trabalhar no Serviço Social do Comércio (Sesc). Com atores locais, em 1980 trabalhou peças teatrais exibidas na Biblioteca Pública Municipal Francisco Meireles, sempre nos finais de semana.

Bedotti fez excursões teatrais por Belém (PA), Manaus (AM) e Boa Vista (RR), e da mesma forma chegou a Barbados, Guiana e Suriname e Belém. Retornando a Porto Velho, criou e atuou nos grupos Cipó e Quebracabeça, o segundo, no Sesc em 1982.

Sua atuação na cultura regional será sempre lembrada pelos artistas e pelo público, lembra a crônica cultural porto-velhense.

A 1ª edição Jair Rangel “Pistolino” do Edital de Chamamento Público para a Produção Audiovisual homenageia Jair Rangel de Souza, cineasta há mais de duas décadas na Capital.

“Pistolino” faz e divulga o cinema mudo, em preto e branco. Durante as gravações de seus filmes ele é ator e também diretor. Roteirista, cinegrafista e inventor, ele próprio criou o desengonçado personagem cômico tido como cruzamento de Carlitos (Charlie Chaplin) e Mazzaroppi.

Seus equipamentos de filmagem são também de sua própria criação para os filmes curtas-metragens. “Pistolino” já produziu diversos curtas, entre os quais, “Na maior pindaíba” (2004), premiado no Festcine Amazônia; “O Mala” (2006), e “O curioso matuto” (2009).

Seu primeiro filme foi “Viajante em presepada”, gravado entre 1998 e 2003. Jair Rangel iniciou sua carreira de cineasta em 1998, quando ele se declarou autodidata e fã de Chaplin e Mazzaropi.

Quando menino, brincava de cinema, fazia câmera de papelão e inventava histórias que seus amigos encenavam, entretanto, naquele momento, não pensava que um dia faria um filme de verdade ou mesmo que seria exibido para numeroso público.

Vários curtas-metragens de sua autoria foram premiados, e atualmente ele é referência em produção audiovisual no Estado.

A 1ª edição Marechal Rondon de Chamamento Público para Publicação e Difusão de Expressões Culturais homenageia o lendário marechal Cândido Mariano Rondon, sertanista, botânico, expedicionário mato-grossense nascido em Mimoso, descendente de indígenas Bororo.

Foi Rondon quem estendeu linhas telegráficas entre Mato Grosso e Rondônia no início do século passado, quando (explorador do interior do Brasil) que atuou na integração do oeste e norte do Brasil e na defesa dos povos indígenas. Formou-se militar quando essas terras ainda pertenciam a Mato Grosso.

Na defesa dos indígenas, ele foi o primeiro diretor do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e um dos que incentivaram a criação de uma grande reserva indígena no Mato Grosso, que veio a ser Parque Nacional do Xingu.

A contribuição de Rondon para a integração das regiões mais isoladas do país rendeu-lhe a homenagem feita pelo etnólogo, antropólogo e escritor Roquette Pinto, que sugeriu o nome do ex-território federal. Assim, Rondônia é o único estado brasileiro que tem nome de uma pessoa personagem da história.

Em 1943, a região passou a ser denominada Território Federal do Guaporé; já em 1956, recebeu o nome de Rondônia. Rondon, que morreu em 1958), foi o responsável pela integração desta região com o restante do País.

Explorador, pacificador e também geógrafo, ficou conhecido pelo lema “Matar nunca, morrer se preciso for”, que lhe dimensiona o caráter pacificador. Rondon abriu estradas, expandiu o telégrafo e ajudou a demarcar as terras indígenas.

A 1ª edição Pacaás Novos do Edital de Chamamento Público para Difusão de Festivais, Mostras e Feiras Artísticas e Culturais homenageia o Parque Nacional Pacaás Novos, em região de difícil acesso.

O Parque é considerado das maiores Unidades de Conservação no estado, englobando os municípios de Presidente Médici, Costa Marques, Guajará-Mirim, Porto Velho, Jaru e Ouro Preto do Oeste.

A Unidade de Conservação abriga um importante patrimônio cultural indígena. É nele que se encontra a Terra Indígena Uru-EuWau-Wau e Uru-pa-in. Também simboliza a diversidade de riquezas e belezas de fauna e flora das terras de Rondônia.

O nome Pacaás Novos teve origem com os seringueiros que encontravam muitas pacas na beira do igarapé. Em decorrência da ocupação acelerada e desordenada de Rondônia pela abertura da BR-36 [que liga os Estados de São Paulo e Acre, passando por Mato Grosso e Rondônia], tornou-se necessário proteger parte de seus recursos naturais.

A 1ª edição Urucumacuã do Edital de Premiação para Difusão Cultural dos Povos Tradicionais Indígenas homenageia Urucumacuã, que na língua indígena significa “pássaro de fogo”.

Segundo a lenda, seria o lugar onde um príncipe teria escondido tesouros de seu povo, para evitar que caísse nas mãos dos espanhóis, no século XVI. Seria um lugar próximo a Vilhena, às margens do rio Barão de Melgaço.

A 1ª edição Ambrósio Paes do Edital de Premiação para Difusão Cultural dos Povos Tradicionais Quilombolas Ambrósio Paes de Azevedo homenageia um cidadão com grande histórico político e social no Estado.

Foi ele o primeiro administrador da comunidade Quilombola de Pedras Negras e também exerceu o cargo de subdelegado de polícia. Conhecido por ter postura e ilibada conduta, ele faz parte da galeria de pioneiros daquele distrito pertencente a Costa Marques, hoje sob jurisdição de São Francisco do Guaporé.

A 1ª edição Mestre Aluízio Guedes do Edital de Premiação para Mestres e Mestras da Cultura Popular de Rondônia homenageia Aluízio Batista Guedes, reconhecido menestrel da cultura popular.

Guedes defendia o folclore, especialmente a brincadeira de boi-bumbá em Porto Velho. Foi presidente do Boi Diamante Negro, compositor, professor, folclorista, fundador de grupos folclóricos, radialista, músico cultural, faleceu recentemente. Guedes presidiu interinamente a Federação de Quadrilhas de Rondônia, e deixa um grande legado e contribuição para a cultura local.

A 1ª edição Maestro Alkbal do Edital de Credenciamento e Seleção de Curadoria para atender os editais do Estado de Rondônia está previsto na Lei nº 14.017/2020 (Lei Emergencial de Abrangência Nacional).

José Alkbal Sodré nasceu em Porto Velho, dedicou sua vida à produção musical de artistas da Capital e se tornou conhecido como músico profissional e professor nas escolas de música.

Por algum tempo, coordenou a Banda do Vai Quem Quer, participando ainda da Banda Carijó, do Galo da Meia Noite, e maestro do Quarteto dos Cobras. Ele foi o arranjador preferido pelos compositores de Porto Velho e chegou à presidência da Ordem dos Músicos de Rondônia.

Começou tocando instrumentos de corda, cavaquinho, violão, banjo, contra baixo e piano. Em seu Estúdio Verde Alkbal se tornou um dos principais nomes da formação cultural musical em Porto Velho.

SEJUCEL