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Afeganistão: Talibã vai retomar as amputações e execuções de condenados

Os Estados Unidos reagiram com indignação às declarações do mulá Turabi

CorreioBraziliense

Antes de 2001, os afegãos condenados por assassinato eram executados por um único tiro disparado contra a cabeça — cabia a um familiar da vítima apertar o gatilho. As execuções costumavam ocorrer em praça pública ou em estádios lotados — um espetáculo dantesco para incutir o medo na população e funcionar como exemplo. Aqueles suspeitos de roubo tinham uma das mãos amputadas. Quem respondia por assaltos em rodovias acabava com um pé e uma mão extraídos do corpo. As cenas, dignas da Idade Média, tornarão a ser comuns no Afeganistão comandado pelo Talibã. O mulá Nooruddin Turabi, ministro das Prisões e um dos fundadores da milícia fundamentalista islâmica, admitiu à agência Associated Press que as amputações e as execuções serão retomadas.

“Cortar as mãos é muito necessário para a segurança”, declarou à agência Associated Press o mulá Nooruddin Turabi, ministro das Prisões e um dos fundadores da milícia fundamentalista islâmica. Ele explicou que o regime formulará uma política específica sobre como as execuções serão realizadas. Turabi rejeita qualquer ingerência externa no sistema judicial imposto pelo Talibã. “Ninguém nos dirá o que nossas leis deveriam ser. Nós seguiremos o islã e faremos nossas leis com base no Corão.”
Zabihullah Mujahid, porta-voz do Talibã, disse ao Correio, por meio do aplicativo Viber, que o governo do Emirado Islâmico do Afeganistão decidirá sobre esse tema posteriormente. “No entanto, em nosso país, todas as leis obrigatoriamente estarão de acordo com a sharia (lei islâmica). As preocupações internacionais também serão levadas em conta”, assegurou.

Os Estados Unidos reagiram com indignação às declarações do mulá Turabi. “(As amputações e execuções) Constituiriam claros e indecentes abusos dos direitos humanos. (…) Permanecemos firmes com a comunidade internacional para responsabilizar os perpetradores desses abusos”, afirmou Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado norte-americano.

Diretor executivo da Human Rights Watch (HRW), Kenneth Roth afirmou ao Correio que, apesar de se apresentar como um “novo e melhorado” grupo, “o velho brutal Talibã continua emergindo”. “Desde que ascenderam ao poder, eles negaram às meninas acesso ao ensino médio e impuseram severas restrições à presença delas nas universidades e ao código de vestimentas”, observou. Segundo Roth, o Afeganistão tem sido palco de execuções sumárias, desaparecimentos e detenções arbitrárias de pessoas associadas ao antigo governo. “O Talibã também prendeu e espancou jornalistas por cobrirem protestos. Muitos deles agora se autocensuram”, lamentou.

Roth instou o Conselho de Direitos Humanos da ONU a deter as atrocidades cometidas pelo Talibã e a estabelecer um mecanismo de monitoramento de coletas das evidências de abusos. “A União Europeia também propõe criar uma relatoria especial para supervisionar o Afeganistão.”

CorreioBraziliense

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