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AMO COMPRAR PARCELADO. QUAL O PROBLEMA?

Crédito parcelado - uma facilidade que pode se transformar em armadilha!

SÉRIE: PROBLEMAS FINANCEIROS DOS BRASILEIROS

Eu tenho cartão de crédito na carteira, provavelmente você também. Com ele temos a possibilidade de comprar vários “sonhos” e ainda com o benefício de pagar de forma parcelada, em valores que, individualmente, cabem no orçamento.

Apesar da tecnologia e financeirização das modalidades de fornecimento de crédito ter reduzido outras formas de vendas parceladas, ainda existe uma parte do comércio que realiza esse tipo venda utilizando outros meios, como a tão conhecida nota promissória, o carnê de pagamento ou até mesmo o boleto bancário.

Por esses meios o  cliente faz a sua compra e assina um papel onde se compromete a pagar o valor devido em data determinada. É a venda na base da “confiança”.

Pesquisas revelam que a venda pela “confiança”, feita através de notas promissórias e boletos, aumentou em 2018 e continua crescendo em 2019.  Esse movimento pode ser explicado pela atual situação do país onde muitos perderam seus empregos e tiveram que lidar com suas dívidas, muitas delas feitas no cartão de crédito e, sem poder contar mais com ele, voltaram a fazer as suas compras utilizando outros meios para pagamento. O comércio quer vender e você quer comprar.

CONFIANÇA. SONHO. CILADA.

Essa praticidade e facilidade para realizar compras parceladas e ainda sem juros é uma tentação para os consumidores, contudo, pode ser uma cilada porque grande parte das pessoas gastam mais do que podem, não conhecem o seu orçamento, e um sonho de consumo pode vir a se tornar em um pesadelo.

É preciso ter cautela e não se empolgar com essas facilidades, para não consumir de forma excessiva e abusar das dívidas parceladas. O perigo é não fazer a conta se realmente terá dinheiro suficiente para pagar todas elas somadas e, assim, acabar entrando no vermelho no final do mês.

É importante ter sempre em mente que as parcelas devem caber dentro do seu orçamento mensal, você precisa saber o limite do quanto pode pagar todo mês. Esse valor nunca será totalmente o quanto ganha, será menor, porque tem outras despesas pessoais que também precisam ser pagas.

Essas despesas perfazem sua manutenção, o quanto você precisa para viver. Antes de sair por aí consumindo de forma parcelada, mesmo que parcelas baixas, sugiro conhecer mais de perto as suas finanças, quanto sobra efetivamente para consumir e comprar.  

Na verdade, ao analisar sua dívida somente de olho nessa “parcelinha”, o valor pode até parecer baixo, induzindo-o a pensar que terá dinheiro suficiente para pagar quando a data vencer. Ocorre que pode advir uma desagradável surpresa quando, o total delas, mostrar que não haverá recursos financeiros suficientes para quitá-los, gerando atrasos, pagamentos de multas e juros.

PARCELAMENTO. ATRASO. MULTAS. JUROS. E AGORA?

A conclusão disso tudo é que fazer compras abusando dos parcelamentos pode significar uma armadilha para você. É sempre uma via rápida para o descontrole e, posteriormente, para a inadimplência. O que ocorre, normalmente, é que essa ciranda financeira terá como consequência o abuso dos créditos pessoais com altas taxas de juros embutidas na operação, entrando num ciclo quase irreversível de superendividamento.

Antes que isso possa ocorrer, para evitar esse alto nível de endividamento ao sair comprando por aí, mesmo se for uma parcela de baixo valor, avalie se você realmente pode e precisa desse item nesse momento e se será possível pagá-lo sem entrar em uma situação de inadimplência e comprometimento de sua renda, com pagamento de juros.

É bom comprar, é importante consumir, movimenta o comércio e a atividade econômica, mas a sua compra só terá um efeito positivo se ela for feita de forma planejada, orçada e programada.

O alto nível de inadimplência, ocasionado pelo comportamento de consumo excessivo, abusando das facilidades de crédito que o comércio oferece, além de trazer prejuízos você, trará prejuízos para toda a comunidade em seu entorno.

Não pense só em si mesmo. Comprar algo que quer muito poderá não resolver seus problemas de ansiedade, frustrações e desejos. Mas poderá comprometer bastante o orçamento pessoal ou pior, da família como um todo.

Pense nisso.

Bom fim de semana.   

Bianca Lopes. Economista. Consultora na área de finanças, negócios e relações institucionais. Aluna de pós-graduação em Educação Financeira pelo Instituto DSOP, pós-graduada em MBA Finanças, Controladoria e Auditoria pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e graduada em Economia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Instagram @biancalopeseconomista

Facebook Bianca Lopes

Veja artigos anteriores da série “PROBLEMAS FINANCEIROS DOS BRASILEIROS”:

https://orondoniense.com.br/consumista-eu-imagina-por-bianca-lopes/

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