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Análise: Flamengo se impõe na técnica, mas precisa evoluir coletivamente para reta final da temporada

Após começo nervoso, time abre caminho para vitória, mas diminui ritmo no segundo tempo e poderia ter aproveitado cenário favorável para aumentar vantagem

Ge

Uma vitória por 2 a 0 em casa, num jogo de ida de semifinal da Libertadores, nunca será um mau resultado. Mas a sensação no Maracanã após o triunfo do Flamengo sobre o Barcelona de Guayaquil foi de que o time poderia ter deixado o campo numa situação ainda mais confortável.

O resultado deixa o Flamengo numa situação bastante vantajosa para o jogo de volta, mas o desempenho mostra que a equipe comandada por Renato Gaúcho precisa manter o alerta para os próximos desafios e evoluir coletivamente.

Contra o Barcelona, um time sem brilho técnico mas bem montado pelo argentino Fabian Bustos, o Flamengo passou susto no início do jogo, demorou a entender o duelo, mas abriu o placar na força, graças à superioridade técnica de seus jogadores, e, a partir daí, num cenário favorável, se estabilizou em campo.

Bruno Henrique marca o primeiro gol do Flamengo contra o Barcelona — Foto: André Durão

Bruno Henrique marca o primeiro gol do Flamengo contra o Barcelona — Foto: André Durão

O início da partida foi de um duelo praticamente sem meio-campo. Ambas as equipes aceleravam o máximo que podiam. O Barcelona espetava de três a quatro jogadores na linha de defesa do Flamengo e fazia ligação direta, com a esperança de pegar a segunda bola e armar ataques rápidos. Foi assim que surpreendeu Willian Arão e Andreas no início para chegar com perigo e obrigar Diego Alves a defesas espetaculares.

Quando tinha a bola, o Flamengo também acelerava. Arão recuava na saída de bola, e Isla se lançava ao ataque. Renê atuava por dentro pela esquerda, com Bruno Henrique sendo acionado por aquele lado. Um jogo de velocidade e exposição que só mudou de figura quando Gabigol descolou um lançamento sensacional para Bruno Henrique abrir o placar.

A vantagem no placar é o cenário perfeito para o Flamengo de Renato, muito mais confortável para explorar espaços do que inventá-los. Ao Barcelona, sobrou o dilema de todo adversário rubro-negro: avançar e se expor mais ou recuar e dar a bola?

No dilema dos equatorianos, o Flamengo tomou conta da partida. Andreas se achou em campo e passou a ditar o ritmo de um ataque mais cadenciado, com boas trocas de passes. E aí, no primeiro contra-ataque oferecido pelo Barcelona, veio o segundo gol de Bruno Henrique.

Um a mais no segundo tempo

 

A expulsão de Molina no fim do primeiro tempo prometia uma etapa final de goleada para o Flamengo. Mas isso não ocorreu. O Barcelona até assustou no início, quando David Luiz, em estreia soberana, salvou uma finalização na área. Mas os equatorianos logo perceberam que era mais vantajoso recuar e se defender.

Com a bola e sem ser incomodado, o Flamengo se assentou no campo de ataque, rondou a área do Barcelona, mas não conseguiu criar chances claríssimas. A melhor delas foi num cruzamento de Renê que Gabigol cabeceou para fora.

Aos poucos, o ritmo da partida caiu. As mudanças de Renato não funcionaram tanto. Andreas jogou mais avançado, como a torcida vinha pedindo, mas não manteve o nível. Michael, Matheuzinho e Pedro tiveram pouco tempo para mudar algo.

No fim, a vitória por 2 a 0 é importantíssima para a classificação. Mas o jogo mostrou que o Flamengo ainda pode evoluir coletivamente. Sua avassaladora superioridade técnica resolve muitas das partidas, mas o time ainda se ressente de alternativas dentro dos jogos. Numa reta final de temporada, com duelos cada vez mais decisivos e estudados, esta evolução pode fazer a diferença.

Ge

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