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Ano bissexto! Nascidos em (29/02) brincam com aniversário a cada 4 anos

ano bissexto acontece a cada quatro anos e tem duração de 366 dias, diferentemente dos demais que têm 365 dias. A inclusão de um dia foi feita para aproximar o calendário ao movimento de translação da Terra, tempo que o planeta leva para dar a volta no Sol, que é de 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 56 segundos. Essas horas que ultrapassam os 365 dias são compensadas a cada quatro anos, no dia 29 de fevereiro.

O ano bissexto foi adotado na ditadura de Júlio César, cerca de 50 anos a.C., na Roma Antiga, para ajustar o ano civil ao ano solar. No entanto, a escolha do dia 29 de fevereiro para ser acrescido a cada quatro anos só passou a vigorar em 1582, com o calendário gregoriano.

Relatos de aniversariantes 

2016 foi a última vez que Marcelo Urquidi Furtado comemorou seu aniversário na data em que nasceu. Isso por que o morador do Distrito Federal, que hoje completa 40 anos, nasceu no dia 29 de fevereiro, data que só ocorre a cada quatro anos. “Eu digo que meu aniversário é tão esperado quanto as Olimpíadas e a Copa do Mundo”, brinca.

Sendo um ano bissexto, 2020 terá 366 dias, um a mais do que os anos normais. Por ser uma data excepcional, brincadeiras com pessoas que nasceram no dia 29 de fevereiro são frequentes. “Meus amigos dizem que eu faço 10 anos agora”, comenta Marcelo.

Agora em 2020, ela completa 24 anos de idade. Nos outros anos normais, ela comemora a data do nascimento nos dias 28 de fevereiro e 1º de março. Mas quando finalmente pode celebrar no dia 29, não deixa o evento passar em branco.

O brasiliense Leonardo Uriarte completa 20 anos neste dia 29. Conforme brincam os amigos, porém, o estudante de direito está fazendo 5 agora. “Eles falam que eu estou crescendo. É engraçado. Minhas festas surpresa [nos anos bissextos] sempre são infantis. Já tive uma que foi da Peppa Pig“, lembra, rindo.

“Minha mãe conta que, quando eu era menor, ficava perguntando para ela por que eu ‘não tinha dia’. Eu não entendia como não havia um dia certo para o meu aniversário.”

Como Leonardo tem um tio que faz aniversário no dia 1º de março, nos outros anos ele comemora a data em que nasceu junto ao parente. “Mas nos anos que tem o dia 29, eu geralmente saio para jantar com a minha família no meu dia e no outro ainda saio com meus amigos”, relata.

“O povo fica meio impressionado: ‘Sério que você nasceu em 29 de fevereiro?’. Às vezes, tenho que mostrar minha identidade em alguns lugares, porque não é comum”, conta o estudante.

Como surgiu o ano bissexto?

Uma lenda dizia que o primeiro calendário romano tinha sido criado por Rômulo, o fundador de Roma, contando com 304 dias divididos em 10 meses. Posteriormente, o sucessor de Rômulo, Numa Pompílio, criou um novo calendário em que o ano era composto por 355 dias, acrescentando-se dois meses à contagem.

calendário romano passou a ser luni-solar e teve a adoção de um mês extra, chamado de  mensis intercalaris, a cada dois anos para que houvesse o alinhamento com o ano solar. No modelo instituído por Numa Pompílio, o ano começava em março e terminava em fevereiro.

Cada mês dividia-se em três períodos:

  • Calendas: primeiros dias do mês
  • Nonas: meio do mês
  • Idos: últimos dias do mês

Calendário juliano

Séculos depois, com a diferença entre o calendário da época e o ano solar, o ditador romano Júlio César solicitou ao astrônomo Sosígenes que encontrasse uma maneira de diminuir tal disparidade. Sosígenes baseou-se no que foi adotado pelos egípcios e definiu 365 dias regulares e um adicional a cada quatro anos, criando, assim, o calendário juliano.

O calendário juliano dividiu os 365 dias em 12 meses e, por não ser uma divisão exata, alguns meses ficaram com 30 dias e outros com 31. Algumas regras definidas pela Astronomia foram adotadas, como cada mês abranger as quatro fases da Lua.

Com o fim da adoção dos anos intercalares, o primeiro e o último mês do calendário juliano passaram a ser janeiro e dezembro, respectivamente. Além disso, as estações do ano passaram a ter datas definidas para início: oitavo dia antes do início dos meses de abril, julho, outubro e dezembro.

Origem do termo “bissexto”

Como a contagem dos dias era feita de forma regressiva: faltam três dias para as calendas, por exemplo, o dia adicional do ano bissexto foi incluído em fevereiro, conforme a determinação de Júlio César: ‘ante diem bis sextum Kalendas Martias’, termo em latim que significava a repetição do sexto dia antes das calendas de março (1º de março), “repetindo” o dia 24 de fevereiro, daí a origem da palavra bissexto (duas vezes seis).

Por que fevereiro tem menos dias?

Após a morte de Júlio César, o senado romano decidiu homenagear o imperador, alterando  o nome do mês Quintilis, que tinha 31 dias, para Julius (julho). Posteriormente, a fim de homenagear o imperador César Augusto, o mês de Sextilis passou a chamar-se Augustos (agosto), porém esse mês possuía apenas 30 dias e para que ambas as homenagens fossem igualadas, decidiu-se acrescentar um dia em agosto.

Para que isso fosse possível, a solução foi retirar um dia do mês de fevereiro, que já tinha uma data a menos, por conta da repetição em anos bissextos. Assim, fevereiro ficou com 28 dias em anos comuns e 29 (com repetição do dia 24) em bissextos.

Ano da Confusão

O calendário juliano foi adotado, mas ainda havia uma diferença de 80 dias em relação ao ano solar. Para solucionar o problema da contagem, Júlio César determinou que o ano 46 a.C. tivesse 455 dias, o que rendeu ao período o nome de Ano da Confusão.

Calendário gregoriano

Em 1582, o Papa Gregório XIII fez mudanças para que a diferença entre a duração do ano e o calendário fossem minimizadas, esse calendário ficou conhecido como gregoriano e é o que utilizamos até hoje.

A reorganização das datas mudou o dia adicional dos anos bissextos de 24 para 29 de fevereiro. Além disso, assessorado pelo astrônomo Christopher Clavius, o papa determinou que o dia posterior a 4 de outubro de 1582 fosse 15 de outubro, supressão de dias que ficou conhecida como dias que nunca aconteceram” ou dias perdidos”, diminuindo a diferença de 11 dias que havia sido gerada desde o período juliano para que o calendário pudesse ser ajustado.

Como são calculados os anos bissextos?

O primeiro cálculo dos anos bissextos foi definido no período juliano. O astrônomo responsável definiu que um dia fosse acrescentado ao mês de fevereiro a cada quatro anos. Após a morte de Júlio César, nem todos os anos bissextos foram de quatro em quatro anos, alguns ocorreram a cada três, o que gerou um excesso de dias. Para contornar o excesso de dias criados pela contagem incorreta, o imperador Augusto César determinou que entre 12 a.C. e 8 a.C. não houvesse a presença de anos bissextos no calendário juliano.

Com a mudança para o calendário gregoriano, adotou-se o cálculo de que anos bissextos seriam os divisíveis por quatro e, para evitar mais diferença com o ano solar, a conta incluiu que os anos terminados em 00 (múltiplos de 100) só seriam bissextos se o resultado da divisão por 400 fosse exato.

O cálculo é o seguinte:

→  O ano é divisível por 4 quando é possível dividir sua dezena por 4:

2020 = 20 ÷ 4 = 5, ou seja, 2020 é um ano bissexto

Com isso, os próximos anos bissextos divisíveis por 4 serão 2024, 2028, 2032, 2036, 2040, 2044, 2048, 2052.

→  E sobre os anos terminados em 00?

400 ÷ 400 0 => 400 foi um ano bissexto

500 ÷ 400 = 1,25 => 500 não foi um ano bissexto

Por essa regra, o próximo ano terminado em 00 que será bissexto é 2.400.

  • Fonte: Equipe Brasil Escola/ Metropoles.com