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Armas no Brasil: a guerra de narrativas – Por Álisson Chaves

Há mais de uma década que armas é pauta neste país. Ela é presente na política, mídia, bares, lares e todo espaço social. E nada avança tanto como as narrativas, seja pro ou contra o armamento em todo canto há alguém para sacar a sua e pronto, começa o tiroteio de versões.

Vou apresentar um punhado aqui: “Arma não é para matar, arma é para se defender”. Ah tá, essa é ótima para o público que quer ouvir isso. Dez minutos bem superficial de pesquisa da história das civilizações, guerra e armas já basta para matar esse autoengano de que uma pistola não foi feita para matar. Sabe o que de fato foi feito para se defender? Algo passivo? O escudo. E ninguém vai ficar andando de escudo (aliás, tem o colete a prova de bala, que sai de uma arma que mata). Próxima! “Arma é igual carteira CNH, você se prepara e depois pode dirigir.” Piorou. Pagando caro, treinando meses, mesmo assim nosso trânsito é violento, desrespeitoso e coisas mínimas como seta para dobrar ou uso de capacete não são comuns. Imagina a pessoa focadíssima em ter um revólver, ela fará tudo perfeito, depois é esperar valer sua inteligência emocional. Você confia?

Há uma bem recorrente “Se o bandido pode porque o cidadão de bem não pode ter uma arma?”. Aí é interessante, ultimamente o critério de bem é no plural bens, por isso a conta não fecha de forma segura. Lembra do promotor em Santos? Lembra do empresário de Campinas que quebrou a sorveteria por se recusar a usar máscara no ambiente? Ambos se autodeclaram “cidadão de bem” e têm bens para comprar uma arma. Isso é recente, mas lá atrás um juiz foi aposentado após assassinar um cara que cantou sua namorada; namorada essa que disse “A lei não obriga ninguém a ser covarde”. Pois é, ele precisou acionar gatilho para não ser covarde? Já pensou os “não-covardes” em situação de estresse como batida, futebol e briga de vizinho?

Mas tem duas narrativas que interpreto como coerentes “O homem do campo precisa”. Sim, o tempo para a polícia chegar no sítio é grande, uma arma pode ser útil no campo. A outra é “Não é arma, é liberdade”, vi isso em carrões de pessoas de bens e recorri a memória e lembrei quando o governo da época fez todo mundo de otário criando um referendo sobre arma e no fim valeu a vontade dele mesmo.

Um dia vamos melhorar essa situação, mas a guerra de narrativa duvido muito. Com arma ou não, somos todos pré-assassinos (aceite) e temos que estar cientes disso, aquele que disser que nunca quis matar um ou dois caras está mentindo. Por isso trabalhe todo santo dia sua inteligência emocional para se for atirar que não seja por banalidade.

Sobre o Autor

Álisson Chaves, cria de Porto Velho/RO, graduado em Publicidade e Propaganda, presta serviço para agências e produtoras de comunicação e é autor do livro “30 Contos que Escrevi e Fiz de Tudo pra Não Te Contar”.

Além de apaixonado por dança, esporte e prosa, o portovelhense que é bairrista quase totalmente assumido, sonha por um país mais comprometido, sustentável e livre de mimos e idolatria a políticos.

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