Connect with us

Olá, tudo bem? O que você está pesquisando?

Destaques

Aruka Juma, último homem do povo Juma morre vítima da Covid-19

Morreu nesta quarta – feira (17), vítma de Covid – 19, o indígena Aruka Juma. Ele era o último homem guerreiro do seu povo. O povo Juma foi dizimado em conflitos.

Juma estava internado em Porto Velho desde do dia 2 de fevereiro. O corpo de Aruka deve ser levado nesta quarta-feira para o Amazonas, onde será velado e enterrado.

De acordo com a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, há 50 anos os Juma eram aproximadamente 15 mil, mas após sucessivos massacres, ataques de animais e doenças o número foi reduzido para poucas dezenas e até 2021 apenas quatro eram os sobreviventes: Aruka — que hoje descansa — e suas três filhas.

Aruka Juma e suas três filhas, em outubro de 2019 — Foto: Pedro Bentes/Kanindé

Na tentativa de fazer com que o povo Juma perdurasse, as três filhas do guerreiro se casaram com indígenas Uru-Eu-Wau-Wau. Os netos carregam no sangue as duas etnias. Uma das netas de Aruka, uniu o povo Juma aos Tenharim, na época Tejuvi Juma [neta de Aruka] disse que a celebração era um aprendizado sobre a própria cultura.

“Aproveitar enquanto meu vô ainda está vivo porque ele é o último dos Juma que restou. E eu gostei muito de casar enquanto ele está vivo, para ele ver o meu casamento”, disse Tejuvi Juma, na época.

Morte por Covid-19 entre indígenas

Dados da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) atualizados até 11 de fevereiro, apontam que 2.157 indígenas de Rondônia foram infectados com a Covid-19 e 37 morreram. No Amazonas o número de casos confirmados chegou a 8.674 e 252 óbitos.

Nota do MPF

Em nota, o Ministério Público emitiu uma nota lamentando a morte do guerreiro Juma. Leia:

Com pesar, o Ministério Público Federal (MPF) em Rondônia lamenta o falecimento da liderança indígena Aruká Juma, de 86 anos. Seu falecimento ocorreu nesta quarta-feira (17), às 9h, no Hospital de Campanha de Rondônia, em Porto Velho. Aruká estava internado desde o dia 2 de fevereiro na capital para tratar complicações em decorrência da covid-19. O sepultamento será na aldeia, em Canutama (AM). Assim que o MPF soube da necessidade de UTI para o indígena, acionou a Secretaria de Estado da Saúde, que disponibilizou o leito no mesmo dia.
 
Na metade da década de 1960, o povo Juma quase foi extinto devido aos massacres que os demais parentes sofreram nas décadas anteriores por parte de seringueiros, madeireiros e pescadores no território, que fica margeado no rio Assuã, em Canutama (AM). Aruká era um dos sobreviventes da sua etnia. O indígena deixa três filhas, últimas pessoas da etnia Juma: Mandeí Juma, Maitá Juma e Boreha Juma.
Faça um comentário

Você pode gostar

Brasil

    Na minha contínua necessidade de “ler o mundo”, um dos caminhos é a leitura de jornais. Essa “troca de ideias” com pessoas...

Contraponto

[Tendo em vista (i) o impacto dos acontecimentos recentes na França e (ii) a profundidade da análise feita por Theodore Dalrymple, peço licença a...

Brasil

Em 09 de julho de 2020 o senador Randolfe fez uma live com seus heróis médicos, que salvaram muitas vidas no Amapá usando um...

Destaques

Em 13 de setembro de 1943, foi criado o Território Federal do Guaporé, pelo então presidente do Brasil, Getúlio Vargas. A política do Estado...