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As construções de alvenaria em Porto Velho – Por Rita Vieira

Edifício Feitosa

Construir em alvenaria em solo amazônico não foi uma tarefa fácil, primeiro pelas dificuldades climáticas e longos períodos chuvoso, depois pela não produção de concreto na própria por muito tempo e os elevados custos para a importação do material até a Amazônia, por esses motivos, talvez, as construções arquitetônicas em alvenaria datem apenas da década de 50 do século XX.

Edifício Feitosa

Uma das primeiras tentativas foi a ordem dada pelo primeiro prefeito de Porto Velho, o Major Fernando Guapindaia, que em seu ato de posse, ordenou a construção de um mercado Municipal que ajudasse a superar as dificuldades de abastecimento na região, o atual Mercado Cultural, teve sua obra original iniciada em 1915, mas sua inauguração só aconteceu na década de 50.

Outras edificações também em alvenaria ganham destaque na paisagem arquitetônica da Porto Velho do século XX, como o Palácio Getúlio Vargas, que foi sede do governo de Rondônia, de sua inauguração, até a abertura das atividades do CPA, na avenida Fahrquar, já na segunda década do século XXI. Hoje o prédio abriga o Museu da Memória Rondoniense.

Edifício Monte Líbado.

Outro prédio famoso de alvenaria é a edificação feita pelo libanês Jorge Bichara, o Monte Líbano, que nos anos 2000 abrigou a sede do INSS, no centro da cidade e também o edifício Feitosa, esse ainda mais famoso, por carregar no alto de sua fachada o Deus Mitológico Romano Júpiter, conhecido como o Deus do comércio.

A primeira casa de alvenaria no centro de Porto Velho, pertence à família Resky e está localizada bem atrás do Cine Teatro Resky, também de posse do libanês George Resky e seus descendentes, as duas obras são de alvenaria e foram inauguradas na mesma época em que as anteriormente citadas.

Residência da família Resky

A catedral metropolitana Sagrado Coração de Jesus, teve o lançamento de sua pedra fundamental (início da obra) no início do século XX, mas por também ter sido construída em alvenaria teve sua inauguração bem a posterior, os mais antigos e memorialistas da cidade, contam sobre as dificuldades da obra, que recebeu as telhas vinda de navio e que foi inaugurada em parte, primeiro a nave principal e depois as torres laterais.

Catedral Metropolitana Sagrado Coração de Jesus

No período em questão, a década de 50 do século XX, tentou-se representar os aspectos regionais e histórico fundante de Porto Velho em algumas edificações de alvenaria na região como é o caso do Prédio do Relógio, que foi sede administrativa de EFMM e hoje abriga a sede da Prefeitura de Porto Velho, feita em formato de Locomotiva, para representar o patrimônio mãe da cidade, e o prédio da Escola Normal Carmela Dutra, em formato de navio, o meio mais comum de se chegar a região, até a abertura das rodovias.

Rita Vieira

Formada em História pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), professora de História na Escola João Bento da Costa e Medquim Vestibulares, especialista em Segurança Pública e Direitos Humanos, além de estudiosa e pesquisadora da História Regional.

Contato: ritaclaravieira@gmail.com