Brasil

As cores que mais desvalorizam seu carro

Os carros amarelos são os que mais perdem valor no Rio de Janeiro, por serem do mesmo tom dos táxis

Já comprou um carro preto ou prata imaginando que seria mais fácil revendê-lo no futuro? Deixou de comprar um carro amarelo porque achou que seria difícil passar ele para frente depois?

De olho nessas dúvidas comuns na hora de comprar um carro, a KBB, plataforma de comparação de preços de veículos, fez um levantamento para o Valor Investe com a desvalorização média de acordo com as cores da lataria.

Um automóvel compacto no maior estilo pretinho básico, por exemplo, tem desvalorização média de 1,24% atrelada à sua lataria, perda de valor cinco vezes maior que as versões prata (-0,24%) e – pasme – o dobro das amarelas.

Para realizar a pesquisa, foram identificados e considerados apenas nove grupos de cores: amarelo, azul, branco, cinza, marrom, prata, preto, verde e vermelho.

Nuances muito próximas dessas cores, ou seja, de pouca amostragem, como laranja, rosa, dourado, bege, roxo, vinho e bronze foram incluídas nos grupos citados.

As cores consideradas “exóticas” e mais incomuns entraram na categoria “outras cores”.

Confira o levantamento detalhado por cores, modelo e Estados:

Variação média de preço conforme a cor do veículo – por modelo

Modelo Prata Preto Cinza Vermelho Amarelo Marrom Azul Verde Outras
Compactos (automóveis) -0,24% -1,24% -0,51% -0,25% -0,58% -0,48% -1,10% -1,16% 0,87%
Médios (automóveis) -0,75% -1,46% -1,03% -0,11% 0,09% 0,04% -0,99% -1,33% -0,50%
Grandes (automóveis) -0,74% -0,95% 0,68% 1,53% -4,40% 1,69% -1,23% -3,53% -1,42%
Compactos (SUVs/utilitários) -0,02% -0,48% 0,12% 0,43% 0,26% 0,48% -0,98% -0,48% 2,49%
Médios (SUVs/utilitários) -0,33% -0,46% -0,22% 0,10% -0,34% 0,13% -0,35% -0,89% 3,11%
Grandes (SUVs/utilitários) -0,96% -0,67% -0,31% -0,73% -1,24% -0,42% -1,18% 0,86% -3,01%
Brasil -0,33% -0,99% -0,46% -0,11% -0,38% -0,15% -0,88% -1,02% 1,07%
Estado Prata Preto Cinza Vermelho Amarelo Marrom Azul Verde Outras
São Paulo -0,27% -0,74% -0,05% -0,48% -0,09% -0,12% -0,51% -0,96% -1,44%
Rio de Janeiro -0,27% -0,61% -0,21% -0,55% -2,42% -0,02% 0,04% 0,91% 1,85%
Minas Gerais -0,22% -0,61% -0,23% -0,35% 0,36% 0,21% -0,54% -1,28% 4,68%
Paraná 0,68% 0,21% 0,26% 0,18% 0,78% 0,47% -0,20% -1,66% 0,58%
Santa Catarina 0,19% -0,74% -0,57% 0,09% -0,35% -0,16% -1,98% -0,47% 4,71%
Rio Grande do Sul 0,91% 0,13% 0,33% 0,87% 1,54% 0,93% -0,35% 0,72% -2,86%
DF, GO, TO, MT e MS -0,08% -0,91% 0,06% -0,30% -0,89% -1,23% -0,68% -1,01% -7,18%
Bahia e Sergipe -0,38% -1,34% -0,80% -0,71% 0,22% -0,48% -1,05% -1,36% -3,96%
PE, AL, PB, RN -0,09% -1,58% -0,07% 0,27% -0,78% -0,84% -0,79% -1,35% 0,36%
CE, PI, MA -0,85% -1,37% -0,28% -0,20% -2,13% 0,96% -1,43% -4,08% -4,47%
AM, AC, RO, PA, RR, AP -0,42% -0,70% -0,81% -0,47% 0,11% -0,06% -2,40% -1,03% -2,37%
Brasil -0,33% -0,99% -0,46% -0,11% -0,38% -0,15% -0,88% -1,02% 1,07%

O ponto de partida da KBB para o cálculo do impacto das cores sobre a desvalorização/valorização dos carros foi o comportamento da cor branca, o segundo tom mais recorrente nas amostras de pesquisas e a que está presente em mais tipos de pintura (sólida, metálica e perolizada).

Isso significa que, ao comparar o modelo “x” na cor branca com o mesmo modelo “x” em outra cor, respeitando o referencial da região, o dado negativo ou positivo desta cor determinará o valor deste modelo em relação à cor branca. Isso explica porque algumas cores tem variação positiva.

Por exemplo: se o modelo “x” tiver preço de R$ 50 mil na cor branca e a cor vermelha deste mesmo modelo “x”, na região referida do dado, obtiver uma valorização de 1,5%, o preço dele será de R$ 50.750.

Cor sólida x metálica

Segundo o levantamento da KBB, a cor mais popular dos veículos é a prata.

Os tipos de pintura – sólido, metálico ou perolizado – parecem não influenciar no quanto um automóvel ou SUV/utilitário se desvaloriza.

Vale lembrar aqui que, geralmente, as pinturas metálicas e perolizadas são cobradas como opcionais pelas montadoras. Coloque isso na ponta do lápis para entender se vale a pena pagar um pouco mais por um acabamento diferente na lataria.

Carros grandes e marrons

Entre todos os segmentos – compactos, médios e grandes (automóveis e SUVs/utilitários) – apenas os automóveis grandes (excluindo os SUVs/utilitários) são observadas variações de impacto de cor sobre a desvalorização que fogem da média nacional.

São os casos das cores marrom (+1,7% em relação à cor branca), vermelho (+1,5%), verde (-3,5%) e amarelo (-4,4%).

Pretinho nem tão básico assim

Se o pretinho básico nunca sai de moda no guarda-roupa, isso não se aplica para o setor automobilístico. No levantamento separado pelas regiões do Brasil, a cor preta impacta negativamente o preço dos veículos em 1,4% no Nordeste, enquanto no restante do país o preto leva à desvalorização do carro em 1%.

Na região Norte (com exceção do Tocantins), a cor azul tem uma desvalorização bem acima da média, de 2,4%, enquanto no restante do país é de 0,9%.

Veja as cores que levam à maior perda de valor dos veículos por estado:

  • Rio de Janeiro: a cor amarela é a que mais desvaloriza (-2,4%). Vale lembrar que os táxis são amarelos por lá
  • Minas Gerais: a cor verde é a que mais desvaloriza os carros (-1,3%)
  • Paraná: os veículos verdes são os mais desvalorizados (-1,7%)
  • Santa Catarina: a cor azul tende a impactar mais o preço do carro (-2%)
  • Rio Grande do Sul: os carros amarelos são os que mais perdem valor (1,5%)
  • Bahia e Sergipe: a cor verde é a mais desvalorizada (-1,36%)
  • Ceará, Piauí e Maranhão: as cores verde, amarela e azul tendem a impactar mais o preço dos veículos (-4%, -2,1% e -1,4%, respectivamente).
Fonte
Por Weruska Goeking, Valor Investe — São PauloFonte: KBB
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