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As verdadeiras estrelas nunca morrem – Por Humberto Oliveira

A atriz Annette Bening, casada há mais de duas décadas com o ator, diretor e produtor Warren Beatty, sempre imprimiu algo de especial aos papéis que desempenha. Quando interpretou Victoria Hill, mulher do gângster metido a galã Benjamin Siegel em Bugsy, de Barry Levinson, Annette deu um show. Tempos depois teve de contracenar com a ótima Angélica Huston, filha do mestre John Huston, no noir moderno “Os imorais”, de Stephen Frears, e Annette novamente deu um show à parte como uma vigarista que se envolve com o personagem de John Cusack. Outra interpretação sensacional marca sua presença no ótimo Beleza americana, como a esposa infiel de Kevin Spacey. Como todos sabem o longa de Sam Mendes ganhou alguns Oscar, dentre eles, melhor filme, diretor e ator para Spacey.

Ao assistir “As estrelas de cinema nunca morrem”, é impossível não ser cativado pela soberba atuação de Annette Bening, que interpreta a atriz Glória Grahame, vencedora de um Oscar, morta em 1981, vítima de câncer. Eterna coadjuvante, Glória atuou em longas metragens que se tornaram clássicos do cinema. “Assim estava escrito” (1952), de Vincente Minnelli – atuação premiada com o Oscar de melhor atriz coadjuvante, “No silêncio da noite”, contracenando com Humphrey Bogart sob a direção de Nicholas Ray, o contundente “Os corruptos”, do mestre Fritz Lang e estrelado ainda por Glenn Ford e Lee Marvin. Só para citar alguns.

Annette vive Glória em seus últimos anos, principalmente seu relacionamento com o ator britânico Peter Turner, papel de Jamie Bell, de King Kong, de Peter Jackson. O roteiro tem como base o livro de Turner – Film stars dont’t die in Liverpool. Uma das produtoras é Barbara Broccoli, produtora de cinema norte-americana, responsável pela produção dos filmes da franquia James Bond junto com seu meio-irmão Michael G. Wilson. A direção é de Paul McGuigan, cujo trabalho sensível foi elogiado pela crítica. O diretor não resvala para o melodrama e brinda o público com uma história simples, direta e bem contada de forma clássica e sem rebuscamentos desnecessários.

O ponto alto do filme é a atuação impecável de Annette Bening, que aparece sem maquiagem, principalmente em longos closes. A atriz mergulha fundo na personagem e se entrega totalmente, como em nenhum outro papel de sua carreira. Assim como Michelle Williams não parece com Marilyn Monroe no longa Sete dias com Marilyn, neste As estrelas de cinema nunca morrem, Annette não parece Glória Grahame, porém, isso não impede de ela interpretar de forma convincente a atriz que brilhou intensamente no cinema dos anos 1950. Emoção a flor da pele marca esta pequena joia cinematográfica. Uma homenagem a uma atriz inesquecível. Uma estrela de cinema que nunca morrerá. Glória Grahame.

Quem foi Gloria Grahame? Estrela da Era de Ouro de Hollywood, a atriz norte americana caiu no esquecimento bem antes de sua morte, em 1981, em decorrência de um câncer, cujo diagnóstico manteve em segredo. É sobre esse derradeiro momento que se debruça o drama “Estrelas de cinema nunca morrem”, o filme foca no relacionamento entre a atriz, já cinquentona e fora das telas, e o jovem ator de teatro Peter Turner, em cujas memórias o roteiro de Matt Greenhalgh (indicado ao Bafta, como Annette e Bell) é baseado.

— Hollywood deu as costas a ela por causa das fofocas envolvendo sua vida pessoal, mas era uma mulher moderna que queria continuar trabalhando — define o diretor. — Ela sempre gostou de homens mais novos, mas, ao mesmo tempo, sofria com a própria idade e frequentemente questionava se era velha demais para Turner. Sabia que não teria o mesmo rosto que tinha no cinema e tentava se agarrar à juventude de alguma forma, reter energia e ser amada novamente.

O que tirou Gloria dos holofotes ainda é alvo de debates. Alguns atribuem a derrocada ao filme “Oklahoma! ” (1955), de Fred Zinnemann, no qual interpretou uma simples camponesa, o que teria desconstruído a sua aura de elegância e sedução. Mas também houve os casamentos e divórcios turbulentos — prato cheio para os tabloides da época. O casamento com o ator Stanley Clements durou dois anos, e no dia seguinte ao divórcio ela se casou com o diretor Nicholas Ray. Depois veio o produtor Cy Howard, de quem se separou por abusos na relação. Por fim, casou-se com o ator Anthony Ray, filho do ex-marido Nicholas — e há relatos de que o caso com o enteado havia começando quando este tinha apenas 13 anos.

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