Capital

Bancada federal despreza BR-364, a “Rodovia da Morte”

O que teria levado a mais bela noiva da região, objeto de disputa acirrada por inúmeros pretendentes, ao desprezo total que amarga hoje? Calma, que a resposta não poderá ser encontrada em consulta aos roteiristas de novela. Até porque não há romance nessa história. Há política. A noiva abandonada é o DNIT e os pretendentes que debandaram são os eméritos integrantes da bancada federal rondoniense.

Razões abundam para o descaso. Vão desde o lapso temporal até às próximas eleições até seu pífio orçamento de meros R$ 96,8 milhões na Lei Orçamentária Anual – LOA, para construção (ponte de Abunã e trechos da BR-319) e manutenção/conservação das rodovias federais no estado. Sem contar que o orçamento ainda pode ser contingenciado.

O problema é que esse abandono reflete diretamente na segurança dos usuários e na trafegabilidade das rodovias, basta conferir nas estatísticas de acidentes e mortes. As dificuldades orçamentárias foram freqüentemente supridas em legislaturas passadas através de emendas parlamentares. Ivo Cassol e Luiz Cláudio, por exemplo, foram diretamente responsáveis pela conclusão das obras dos viadutos e parte das vias marginais de Porto Velho.

Os atuais parlamentares não demonstraram qualquer interesse em assegurar, via emendas, a realização de obras indispensáveis à manutenção e melhoria das rodovias federais. Manifestações, protestos, cobranças e discursos acalorados têm sido esporadicamente registrados nas casas legislativas federais. Mas emendas, nada!

Um exemplo. Estão prontos e aprovados os projetos de melhoria de pontos críticos da BR-364. A correção geométrica de curvas comprovadamente perigosas ao extremo, do acesso à ponte do Rio Preto do Crespo e implantação de 23 pontos de terceira pista, tudo isso está orçado em R$ 110 milhões. E o imobilismo de nossa representação parlamentar joga tudo para depois.

Quem sabe para quando e se acontecer a imaginada privatização da rodovia. Ou, com certeza, quando os ilustres representantes rondonienses precisarem buscar, junto ao público, cuja segurança hoje desprezam, os votos para a própria recondução aos cargos.

Interessante observar que o ambiente político é amplamente favorável ao DNIT em Brasília. O próprio ministro da Infraestrutura era diretor do órgão. Responsável agora pela área de transportes, portos e aviação civil, o engenheiro Tarcísio Gomes de Freitas, ocupa lugar, ao lado de Sérgio Moro, Paulo Guedes, Augusto Heleno e, com algum favor, Onix Lorenzoni, entre os reconhecidamente mais importantes e festejados ministros do governo Bolsonaro.

O senador mais votado no estado, Marcos Rogério, preside no Senado a importante Comissão de Infraestrutura, sem contar que é muito próximo e do mesmo partido do presidente da Casa, do presidente da Câmara e do próprio chefe da Casa Civil.

Por outro lado, a atual equipe da Superintendência do DNIT/RO, liderada pelo engenheiro Cláudio André Neves, conquistou o respeito da direção nacional do órgão pela rápida atuação em momentos críticos, como na reabertura da BR-364 ao tráfego após o desabamento do acesso à ponte sobre o igarapé Andirá, entre Jaru e Ariquemes.

O que estaria pegando então? Estaria a atuação de nossas bancadas contaminada pelos sonhos megalômanos de privatização e duplicação da BR-364? Ou da implantação de um ramal ferroviário até Porto Velho? Pode ser. Mas o certo é que, enquanto se espera, muitas vidas serão abreviadas pela “Rodovia da Morte” rondoniense.

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