Brasil

Barroso suspende ordem do governo Bolsonaro para expulsar diplomatas venezuelanos

Luís Roberto Barroso, ministro do STF, durante entrevista à Folha e ao UOL, em dezembro - Kleyton Amorim - 20.dez.2019/UOL/Folhapress

Funcionários ligados ao regime de Nicolás Maduro teriam de deixar o país até este sábado (2)

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu neste sábado (2) a ordem de expulsão dos diplomatas venezuelanos que estão no Brasil representando o regime do ditador Nicolás Maduro.

Nesta semana, o Itamaraty enviou documento à embaixada e aos consulados venezuelanos no país e listou 34 funcionários que deveriam sair do país —junto com seus dependentes— até este sábado.

O presidente Jair Bolsonaro reconhece o líder opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, e não Maduro. O governo também considera a advogada María Teresa Belandria, enviada por Guaidó ao Brasil, como a embaixadora legítima do país vizinho.

Barroso atendeu a pedido do deputado Paulo Pimenta (PT-RS) e concedeu liminar suspendendo a ordem do governo por considerar que pode ter ocorrido violação a normas constitucionais brasileiras, a tratados internacionais de direitos humanos e às convenções de Viena sobre relações diplomáticas e consulares.

Em post no Facebook, Bolsonaro não comentou a decisão, mas escreveu que Pimenta, “como se observa em vários vídeos, é um ferrenho defensor do regime Chaves [sic]/Maduro”.

A suspensão determinada por ele tem prazo de dez dias. No período, segundo o ministro, o presidente Bolsonaro e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, devem prestar informações sobre o pedido de expulsão.​

Em sua decisão, Barroso destaca ainda os “riscos de contágio em razão da epidemia da Covid-19, inerentes e ampliados por deslocamentos que impliquem permanência em locais fechados por longo período de tempo”.

O ministro menciona também “o risco concreto que a imediata efetivação da medida de retirada compulsória pode acarretar à integridade física e psíquica dos pacientes”.

“Considerando que a situação de saúde na Venezuela é objeto de debate na esfera internacional, com evidências de que se encontra em situação crítica”, diz Barroso.

Ele ressalta o parecer do procurador-geral da República, Augusto Aras, que recomendou que o Itamaraty suspenda a ordem de expulsão dos diplomatas venezuelanos.

FOLHA