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Bolsonaro nega interferência na PF e diz acreditar no arquivamento de inquérito

Divulgação

Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República nesta segunda-feira (25), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que nunca interferiu nos trabalhos da Polícia Federal e disse acreditar no “arquivamento natural” do inquérito que motivou a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril.

“Nunca interferi nos trabalhos da Polícia Federal. São levianas todas as afirmações em sentido contrário. Os depoimentos de inúmeros delegados federais ouvidos confirmam que nunca solicitei informações a qualquer um deles”, diz a nota (leia a íntegra abaixo).

Sobre o inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga as acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, Bolsonaro disse esperar serenidade no trato do assunto. “Por questão de Justiça, acredito no arquivamento natural do Inquérito que motivou a divulgação do vídeo”.

Segundo informações do portal G1, a  Secretaria-Geral da Presidência informou que o ex-ministro Sérgio Moro não assinou o ato de exoneração do ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo. O esclarecimento foi prestado dentro do inquérito que investiga denúncia de interferência de Bolsonaro na PF e que está sob relatoria do ministro do STF Celso de Mello.

Quando a exoneração de Valeixo foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), no dia 24 de abril, o nome de Moro e o do presidente Jair Bolsonaro apareceram como responsáveis pelo ato.

Mudança de tom

Depois de ter participado, no domingo (24), de manifestação em defesa de seu governo, na qual tensionou ainda mais a relação entre o governo e o STF, Bolsonaro baixou o tom. “Reafirmo meu compromisso e respeito com a Democracia e membros dos Poderes Legislativo e Judiciário.”

Ele também pediu união em prol do momento de crise. “É momento de todos se unirem. Para tanto, devemos atuar para termos uma verdadeira independência e harmonia entre as instituições da República, com respeito mútuo”, escreveu.

A presença do presidente em atos desse tipo tem sido recorrente desde o início da pandemia. Ele costuma cumprimentar os apoiadores que se aglomeram em frente ao Palácio do Planalto, com cartazes em defesa de seu governo e com ataques às instituições democráticas.

Leia a íntegra da nota divulgada pela Secom:

NOTA

Diante da recente divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril do corrente ano, pontuo o seguinte:

1. Mantenho-me fiel à proteção e à defesa irrestritas do povo brasileiro, especialmente os mais humildes e aos que mais precisam. Sinto-me bem ao seu lado e jamais abrirei mão disso.

2. Nunca interferi nos trabalhos da Polícia Federal. São levianas todas as afirmações em sentido contrário. Os depoimentos de inúmeros delegados federais ouvidos confirmam que nunca solicitei informações a qualquer um deles.

3. Espero responsabilidade e serenidade no trato do assunto.

4. Por questão de Justiça, acredito no arquivamento natural do Inquérito que motivou a divulgação do vídeo.

5. Reafirmo meu compromisso e respeito com a Democracia e membros dos Poderes Legislativo e Judiciário.

6. É momento de todos se unirem. Para tanto, devemos atuar para termos uma verdadeira independência e harmonia entre as instituições da República, com respeito mútuo.

7. Por fim, ao povo brasileiro, reitero minha lealdade e compromisso com os valores e ideais democráticos que me conduziram à Presidência da República. Sempre estarei ao seu lado e jamais desistirei de lutar pela liberdade e pela democracia.

Brasília, 25 de maio de 2020.

Jair Messias Bolsonaro
Presidente da República

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