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Bolsonaro usa humorista Carioca, para responder os repórteres sobre PIB fraco

Após a divulgação de que o crescimento da economia ficou no mesmo nível de 2013 o presidente Jair Bolsonaro evitou comentar a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,1% em 2019. Ao ser questionado sobre o tema, ele dialogou com o humorista Carioca, que estava no Palácio do Alvorada e que saiu de um carro oficial junto com o secretário de Comunicação da Presidência.

“O que é PIB? Pergunta para eles o que é PIB”, “posto Ipiranga” e “outra pergunta” foram as respostas que Bolsonaro deu, por meio de um humorista, quando foi perguntado sobre o tema, na manhã desta quarta-feira (04/03) no Palácio do Alvorada.

“Posto Ipiranga” é o apelido que o presidente dá ao ministro da Economia, Paulo Guedes, como sinônimo de solução para vários problemas. O comediante Márvio Lúcio, o Carioca, recém-contratado pela TV Record, estava fantasiado de Jair Bolsonaro e usava uma faixa presidencial. Ele chegou à portaria do Palácio da Alvorada pouco antes do próprio presidente num carro oficial acompanhado pelo chefe da Secom, Fábio Wajngarten.

O humorista queria que os repórteres fizessem perguntas a ele – “Aqui é o presidente fake: aproveita” – mas não houve questionamentos. Quando o próprio Bolsonaro chegou, o presidente da República dizia ao comediante as respostas que deveria dar em relação às perguntas dos jornalistas.

Os jornalistas insistiram que as perguntas eram para o próprio presidente, mas ele seguiu dando respostas evasivas sobre o PIB por meio do humorista.

Veja o diálogo Repórter

Comediante tentou distribuir bananas a repórteres Como o presidente não respondeu a mais perguntas sobre o PIB, os repórteres deixaram de fazê-las.

Antes da chegada de Bolsonaro, o comediante tentou distribuir bananas aos jornalistas que aguardavam o presidente. O gesto é uma referência às duas ocasiões em que Bolsonaro ofendeu profissionais que faziam perguntas a ele no Palácio do Alvorada.

O comediante estava dentro do Palácio da Alvorada no momento em que o presidente da República tomava café da manhã com parlamentares do PSD. Hoje, o governo enfrenta um teste no Congresso, que pode manter ou derrubar veto presidencial que garante maiores poderes do Executivo na gestão do orçamento.

Depois da tentativa frustrada de os jornalistas ouvirem respostas do presidente sobre o PIB, Bolsonaro se dirigiu a militantes que o aguardavam ao lado. Ali, ele avisou aos apoiadores que um programa feito pelo comediante com ele seria exibido na TV Record.

A TV Record e o SBT receberam mais verbas públicas na gestão de Jair Bolsonaro mesmo com menos audiência que a maior concorrente deles, a TV Globo. O presidente costuma criticar a Globo, mas mantém bom relacionamento com os donos da Record, o bispo da Igreja Universal Edir Macedo, e do SBT, o apresentador Sílvio Santos.

A Polícia Federal investiga o chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Fábio Wajngarten, por corrupção e peculato. Ele é dono de uma empresa de comunicação que tem a Record. A Universal também é cliente da empresa de Wajngarten, que obteve um aditivo contratual da igreja depois que assumiu o cargo no governo.

O chefe de Wajngarten, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, também acompanhou a performance do humorista depois que ele saiu de um carro oficial do próprio Planalto.

Ataque a imprensa

Enquanto o humorista fazia troças coma imprensa, populares riam e proferiram palavras de cunho sexual para os repórteres. Um apoiador fez questão de identificar, para o comediante, um dos jornalistas como funcionário de determinado veículo de comunicação. Os repórteres também tiveram suas imagens capturadas pela equipe da TV Record, da comunicação da Presidência e por apoiadores do presidente.

Na terça-feira, o governo de Bolsonaro relançou uma cartilha de proteção aos jornalistas. “O documento revela as contradições do próprio governo”, disse a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). “O presidente Jair Bolsonaro tem sido criticado por ataques à imprensa e a jornalistas.”

  • uol.com/DCM.com