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Brasil tem 338 encarcerados a cada 100 mil habitantes; taxa coloca país na 26ª posição do mundo

Apesar de ter conseguido diminuir a superlotação e o percentual de presos sem julgamento nas cadeias, o Brasil continua sendo um dos países que mais prendem no mundo. O levantamento mostra que o país tem 338 pessoas presas para cada 100 mil habitantes. A taxa considera o número de presos dentro do sistema (710.240) e o de habitantes (210,1 milhões). Com esse dado, o Brasil fica na 26ª posição em um ranking de aprisionamento com outros 222 países e territórios.

Considerando o número absoluto de presos, o Brasil ocupa a 3ª posição, atrás apenas de China e Estados Unidos.

Os dados de pessoas encarceradas foram coletados dentro do Monitor da Violência, uma parceria com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e são os mais atualizados possíveis.

Já os números dos demais países e territórios são da “World Prison Brief”, do Instituto de Pesquisa de Política Criminal da Universidade de Londres. A base de dados reúne as informações mais recentes de cada local.

No sábado (15), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, repercutiu no Twitter a divulgação do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), feito um dia antes e com dados referentes a junho de 2019. O ministro afirmou que “o número relativo [de presos no Brasil], de 367,91 presos por 100 mil habitantes, não é dos maiores em comparação com o mundo”.

Como os dados do “World Prison Brief” mostram, isso não é verdade. A taxa do Infopen é ainda mais alta que a do Monitor da Violência, o que coloca o Brasil na 19ª posição, e não na 26ª. Essa diferença ocorre porque, diferente do levantamento inicial apontado, o governo também considera os presos em regime aberto e em carceragens da Polícia Civil no número total.

 

Taxa menor em 2019

Em 2019, quando foi divulgado um levantamento, porém, a taxa prisional do Brasil era menor: 335 presos para cada 100 mil habitantes.

Apesar disso, o número de pessoas presas subiu menos na comparação de 2019 com 2020. Mais 5.845 pessoas engrossaram as estatísticas de encarceramento nesse período, o que representa um aumento de 0,8%. Nos anos anteriores, esse percentual era maior. Na comparação de 2018 com 2019, o número de presos subiu 2,6%. Já na comparação de 2017 com 2018, a variação foi de 2,8%.

Assim como no levantamento anterior, as taxas de aprisionamento por estado continuam discrepantes. O Acre tem a maior taxa do país, com 927 presos para cada 100 mil habitantes. Esse percentual é superior ao registrado por todos os países do ranking. Já a Bahia tem a menor taxa do Brasil, com 103 presos para cada 100 mil. Nesse caso, a taxa é próxima às de Luxemburgo, Canadá e Itália.

O governo do Acre diz que o estado apresenta a maior taxa de aprisionamento do país há quase 11 anos, de acordo com dados do Infopen, e que o número de crimes violentos aumentou no estado nos últimos anos, o que também gerou uma alta na população carcerária. Ainda segundo a nota, o estado “reconhece que o cenário é grave” e lançou o programa na área de segurança pública “Acre pela Vida”, que abrange os sistemas de segurança pública e de prevenção social.

“Um piloto do programa já foi estabelecido em uma região do estado que tem um elevado número de pessoas integrando os sistemas prisionais, onde várias ações serão estabelecidas em parceria com o sistema S, entidades religiosas, setores produtivos e de serviços, principalmente comerciais, bem como as secretarias que ofertam serviços à sociedade, permitindo avançar no sentido de atender pessoas em situação de vulnerabilidade social”, diz, em nota.