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CINEMA – Parasita derrota favoritos na cerimônia do Oscar 2020 – Por Humberto Oliveira

A não ser pelo surpreendente Oscar de Melhor filme para a produção sul-coreana Parasita, que ainda levou mais três estatuetas – Melhor filme estrangeiro, roteiro original e diretor para Bong Joon Ho, a cerimônia de entrega do Oscar, realizada neste domingo, 9, seguiu o óbvio, inclusive ao ignorar solenemente medalhões como Martin Scorsese – que apesar das 10 indicações para O Irlandês, saiu da festa como um dos grandes derrotados.

Pela primeira vez, a Academia premiou um filme não falado em inglês. A obra ‘Parasita’ derrotou Quentin Tarantino, Scorsese e mais um monte de favoritos na premiação. Tarantino também saiu derrotado, mas pelo menos Era uma vez em Hollywood levou um prêmio de consolação, o de Melhor Design de Produção.

Lamentavelmente, o maior derrotado da noite foi Martin Scorsese. O Irlandês era de longe o melhor filme entre os indicados, mas havia um Parasita em seu caminho e nos dos demais indicados. Talvez esta tenha sido a última chance de Scorsese de vencer como melhor diretor. Enquanto isso, o diretor do épico de guerra 1917, o superestimado Sam Mendes, perdeu nas categorias direção e filme, mas levou para casa três Oscars técnicos, incluindo o de efeitos especiais, derrotando produções como A Ascenção Skywalker e Vingadores Ultimato, longas repletos de efeitos especiais. Vai entender.

O Brasil marcou presença com o pretensioso Democracia em Vertigem, da diretora Petra Costa, que acabou perdendo na disputa de melhor documentário para “Indústria Americana”, produzido pelo casal Barack e Michelle Obama. Já imaginaram se o concorrente brasileiro tivesse vencido?

Competindo com Charlize Theron e Saoirse Ronan, Renée Zellweger ficou com prêmio, por sua atuação espetacular em Judy: Muito Além do Arco-Íris. Entre as atrizes, Scarlett Johansson tinha duas indicações e perdeu em ambas: a Melhor Atriz por História de Um Casamento e Melhor Atriz Coadjuvante por JoJo Rabbit. Sejamos sinceros. As chances de Johansson eram minimas.

Além de Joaquim Phoenix, vencedor na categoria melhor ator por Coringa e seguindo a tendência da temporada de prêmios, Brad Pitt e Laura Dern, que também dominaram a temporada de premiações, venceram nas categorias de ator e atriz coadjuvante. O primeiro interpreta um dublê na ode de Tarantino a Hollywood, enquanto Dern dá vida a uma advogada impiedosa em História de um Casamento.

Brad Pitt deixou para trás nomes como Al Pacino, Joe Pesci, Tom Hanks e Anthony Hopkins. Ao receber o prêmio, o ator agradeceu ao diretor Quentin Tarantino e a Leonardo DiCaprio, com quem atuou no filme. As premiações não foram surpresas para ninguém. Afinal, nesta temporada, os quatro ganharam todos os prêmios de interpretação, como o Globo de Ouro e o BAFTA.

Trilha sonora original ficou com Coringa, desbancando Adoráveis Mulheres, História de um Casamento, 1917 e Star Wars: a Ascensão Skywalker. O prêmio para canção original ficou com Elton John e sua “(I’m Gonna) Love Me Again”. Melhor Animação ficou com Toy Story 4.  O Oscar de Melhor Montagem laureou Ford vs Ferrari, seu único prêmio. Derrotando os roteiristas de Coringa, Dois Papas, Adoráveis Mulheres e O Irlandês, o diretor, roteirista e intérprete de Hitler no filme Jojo Rabbit, Taika Waititi levou o Oscar de melhor roteiro adaptado.

Homenagens e esquecimento

A cerimônia homenageou Kirk Douglas, o último grande ícone da era de ouro de Hollywood, que morreu na quarta-feira aos 103 anos, e a lenda do basquete Kobe Bryant, vencedor do Oscar, que morreu em um acidente de helicóptero em 26 de janeiro. O ator Luke Perry, da série Riverdale e do longa Era uma vez em Hollywood, foi esquecido pela Academia. Que furo.