Comentando Notícia | Marcos Souza

Marcos Souza Gomes, paulista, nascido em Ipaussu (SP), foi criado quase que a vida inteira em Porto Velho (RO), é formado em Comunicação Social, Jornalismo, pela Faro – da primeira turma do Estado de Rondônia. Iniciou como revisor do Jornal Alto Madeira, em 1992, e depois passou a ser repórter do segmento cultural do matutino e em 1996 foi editor do Caderno Dois. Logo que se formou, em 2005, junto com mais três amigos de faculdade fundou o portal de notícias Rondoniaovivo, onde permaneceu até 2015. Especialista em cultura pop, crítico de cinema, atuante nas redes sociais, hoje trabalha como produtor de reportagem na SIC TV Record RO e é editor de matérias do site O Rondoniense.
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COMENTANDO A NOTÍCIA – A triste história da moça que casou e se matou

“Ver essa foto no Instagram. Vocês sabem a dor de confiar em alguém cegamente e achar que encontrou o companheiro da vida? Um dia antes da celebração do amor de vocês a pessoa some. Manda uma mensagem pelo Whatsapp e termina todos os sonhos de vocês. Fui pega de surpresa, quis morrer, ele sempre soube da minha condição e não se importou em como eu estaria. Eu recebi a notícia, estava dirigindo, tive uma crise no volante, larguei meu carro e me atirei numa via expressa, mas papai do céu é bom e me salvou mais uma vez. Poderia ficar aqui chorando, mas tem uma festa linda me esperando, então hoje caso comigo mesmo em nome da minha vida nova. Me desejem sorte. Amo vocês”

Esse foi uma postagem da jovem Alinne Araújo, que ficou famosa pelo seu perfil no Instagram, “Seje Sincera” (sejjesincera).

Com 24 anos, após essa postagem ela foi massacrada nas redes sociais por comentários jocosos e insistentes que pormenorizaram a sua atitude de casar consigo mesmo logo após ter sido abandonada no altar pelo noivo, Orlando Costa, ao receber um aviso através de mensagem de texto pelo Whatsapp, 24 horas antes.

O casamento ocorreu no domingo, 14.

Um dos vídeos do casamento onde mostra o seu gesto para superar a tristeza:

Alguns a acusavam de ter inventado tudo, como se fosse uma fanfic.

Alinne se matou na segunda-feira (15) se jogando do nono andar do prédio onde morava, no Rio de Janeiro.

Símbolo momentâneo de um emponderamento feminino ao mostrar coragem e enfrentar o abandono do seu noivo prosseguindo com a cerimônia de casamento programada há algum tempo.

Mesmo sofrendo com toda a situação, ela não resistiu a pressão das redes sociais, da vergonha, das limitações de pessoas má intencionadas, que pela internet, via redes, se acham com coragem para destruir sonhos, limar boas intenções e fatiar a coragem, pois são quase anônimas – não tem envolvimento algum com a situação ou mal conhecem a pessoa que atacam, mas tem a perversidade de querer se tornar popular e ter os seus comentários preenchidos de ‘emoticons’ variados – especialmente o de gargalhada ou coração -.

Esse meio de querer fazer ser conhecido pelo desprendimento de ser implacável e sarcástico nos comentários dos posts dos outros, unicamente com a intenção de provocar acabou criando um monstro ou vários, centenas de milhares e até milhões de monstros.

Esse mesmo monstro que não sabe nada da vida da pessoa a quem ataca e apenas tira uma onda para ser o fodão das redes sociais. Lamento criatura, mas do outro lado tem gente sendo atacada e que tem uma vida pessoal, com uma vida social e pode ser alguém fragilizado ou que merece respeito e se fazer ouvir, mesmo que a sua publicação não represente nada para você, somente um motivo de chacota.

A doença mental hoje de algumas pessoas e se tornarem notórias nas redes sociais traz uma sintonia no limite entre a projeção de seu desejo e o risco do escárnio a que pode remeter suas intenções. Algumas pessoas não estão preparadas para isso.

Problemas de relacionamento, timidez, depressão e insegurança levam alguns a se arriscar nesse mundo virtual onde tudo pode.

Lamentável que nos dias atuais quase tudo que move nossas ações e sentimentos provém muitas vezes do que a internet pode proporcionar. Nem sempre o nosso superego vai estar presente para combater aquilo que o ID vai querer impor. O emocional acaba apagando o ego, que é o controle de nossas ações através da mente, gerando o conflito que pode ser determinado pelo ID. Então a transgressão parece a compatibilidade de querer ser notório, sem limites.

Triste com a história dessa moça, tão nova, não merecia o que passou e acabar dessa forma. Ela postou no seu perfil “Seje Sincera” o material do seu próprio casamento para conseguir com isso passar uma mensagem positiva e debater a autoestima, ansiedade e depressão, mesmo sabendo que tinha um quadro de depressão que havia agravado pelo abandono.

Acabou ela sendo vítima das pessoas que procurava ajudar.

Uma das pessoas que reconheceu o esforço de Alline e compreendeu que ela não suportou a pressão deixou a seguinte mensagem no seu último post do instagram:

“Estou em choque. Mataram ela. Esses comentários mataram ela. O nível de crueldade foi sem medida. Foi tão grande que causaram a morte dela…
Uma pessoa que tem depressao severa fazer o que ela fez foi LINDO. Foi um ato de amor-próprio. Infelizmente não souberam reconhecer isso e decidiram dar “opiniões”. “

O tal Orlando, o ex-noivo, deixou uma mensagem no outro dia em resposta ao ocorrido com Alinne.

“Eu não existo mais, estou acabado”. E encerrou sua conta nas redes sociais.

Tarde demais.

***

Facebook: marcos gomes

E-mail: marcos35anos@gmail.com

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Marcos Souza
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