Comentando Notícia | Marcos Souza

Marcos Souza Gomes, paulista, nascido em Ipaussu (SP), foi criado quase que a vida inteira em Porto Velho (RO), é formado em Comunicação Social, Jornalismo, pela Faro – da primeira turma do Estado de Rondônia. Iniciou como revisor do Jornal Alto Madeira, em 1992, e depois passou a ser repórter do segmento cultural do matutino e em 1996 foi editor do Caderno Dois. Logo que se formou, em 2005, junto com mais três amigos de faculdade fundou o portal de notícias Rondoniaovivo, onde permaneceu até 2015. Especialista em cultura pop, crítico de cinema, atuante nas redes sociais, hoje trabalha como produtor de reportagem na SIC TV Record RO e é editor de matérias do site O Rondoniense.
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COMENTANDO A NOTÍCIA – Ditadura, Guedes furão e Bettina – Por Marcos Gomes

A JORNALISTA SEM NOÇÃO

“Líder do governo no Congresso Nacional, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) celebrou, em suas redes sociais, a decisão do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), de comemorar a data que marcou o início do golpe militar de 1964, lembrada no próximo domingo (31). “É a retomada da narrativa verdadeira de nossa história”, escreveu ela.” (Último Segundo/Política)

Joice Hasselman é uma jornalista sem noção de história, sem noção real do que foi a ditadura militar quando deixou de perseguir guerrilheiros e passou a prender e torturar jornalistas, músicos e intelectuais por achar que qualquer manifestação contrária as diretrizes militares antidemocráticas era “subversiva” ou “inadequada”. Vladimir Herzog, jornalista da TV Cultura sofreu tortura e foi “suicidado” dentro do porão do DOI Codi. Fora os “suspeitos” que estão desaparecidos até hoje. Depois tem gente que votou no Bolsonaro e que acredita que não houve ditadura militar pedindo para eu aceitar de volta no meu Facebook.

Não amigo, vá estudar um pouco mais e ler – evite pseudocumentários da extrema direita cujo conteúdo são discursos de ódio ou fake news – e recomendo a leitura da série “Ditadura Envergonhada”, do jornalista e pesquisador Eli Gaspari – que contou com entrevistas, diários e gravações dos generais Ernesto Geisel e Golbery falando o que todo mundo já sabia. Recomento também o livro “Rota 66”, do jornalista Caco Barcelos, e “Brasil Nunca Mais”, que são básicos para entender o período e sua herança.

Tem outras publicações relatando o período.

Lembrando que até os generais pedem moderação nas comemorações – que vão ocorrer no dia 31 de março -, pois é um período que muitos deles evitam aprofundar.

Nesses tempos de confusão política, intrigas partidárias dentro do partido da situação (PSL) e que o país é comandado por posts no Twitter – eles provocam queda na bolsa e aumento no dólar -, fora a fofocagem e erros ministeriais (que o diga o da educação e da agricultura) o que mais pode nos surpreender?

DEPUTADO DE RO INDIGNADO COM MINISTRO

O deputado federal da bancada de Rondônia, Léo Moraes, comentou em um longo texto no seu Facebook a não ida do ministro da Economia, Paulo Guedes, a CCJ da Câmara dos Deputados para ser arguido sobre a Reforma da Previdência, e não escondeu a sua indignação apontando erros e falhas do projeto, principalmente no que tange a reforma na questão dos militares. Reproduzo abaixo trechos de seu texto:

“QUEM NÃO DEVE, NÃO TEME!

Hoje estava marcada a vinda do ministro da Economia Paulo Guedes à CCJ da Câmara dos Deputados para debatermos a Reforma da Previdência. Pois é, estava.

Como membro titular da CCJ, me sinto indignado. O atual governo foge do debate, corre dos questionamentos e parece não gostar de ser contrariado. O debate sobre o texto da reforma é primordial para que toda a sociedade entenda, em sua profundidade, o que lhe será imposto para os próximos anos.

E por que o debate é importante? Alguns pontos do texto estão longe da realidade da população. A diminuição da idade para receber o BPC, por exemplo, é bem vinda, mas a instituição do pagamento de um salário mínimo apenas aos 70 anos, ao invés dos 65 anos como é feito hoje, é um retrocesso que causa perda de renda e dignidade. Outra questão que precisa ser debatida é a reforma dos militares. O governo veio com uma conversa de que “todos teriam que fazer sacrifícios”, “cortar na própria carne”, “dar exemplo”, mas não foi bem isso que chegou aqui na Câmara dos Deputados. De 2017 para 2018, a previdência das forças armadas aumentou o rombo em cerca de R$ 5 bilhões, e a “economia” prevista no texto seria de R$ 10 bilhões em 10 anos. Essa conta não fecha, e vai ser paga pelo contribuinte brasileiro.

(…) Se a reforma só trará benefícios, por que não vir e defender o texto? Qual o medo do Sr. Paulo Guedes em debater com os parlamentares? O texto não pode receber sugestões? Apenas essas propostas pelo governo federal são boas?”

Pois é e segue essa novela que o próprio governo está criando para uma pauta considerada importante. Vamos acompanhar.

AINDA A BETTINA

Eu sou um fã assíduo do Youtube, antes de dormir gasto uma hora e meia assistindo meus vídeos de assombrações, notícias nerds, reactions de filmes e séries e fast food da China, Índia e Tailândia (os melhores), e há três semanas toda vez que ia assistir um vídeo entrava uma propaganda da Empiricus trazendo uma moça bonita, de nome Bettina Rudolph, dizendo que a partir de um investimento de R$ 1.520,00 chegou a R$ 1 milhão de reais em três anos. Achei aquilo surreal, mas não dei conta da importância que era aquele vídeo no conceito de transformar num viral de forma tão negativa para a personagem da peça publicitária e até mesmo para a própria empresa. O que iniciou como um meme – gifs e imagens de humor e ironia divulgados nas redes sociais – acabou se tornando em um caso de polícia. A Infomoney divulgou em destaque que o Procon-SP abriu uma representação criminal contra a Empiricus por propaganda “enganosa” e “abusiva” ferindo o Código de Defesa do  Consumidor. Aponta o Procon que um inquérito policial foi aberto:  “para apuração de fatos potencialmente lesivos caracterizadores de infração penal no âmbito de competência deste prestigioso”.

O interessante disso tudo foi a justificativa da Empiricus sobre a peça publicitária, quando o Procon solicitou a comprovação da veracidade dos fatos divulgados pela Bettina sobre seus ganhos de três anos. Abre aspas para a resposta da empresa relatada pelo Procon: “esclareceu tratar de uma ação de marketing, bem como ela mesma foi responsável  pela contratação e divulgação. Admitiu, portanto, tratar-se de publicidade”.

Encerra o Procon: “Como se nota, embora a publicidade sugira que Bettina ganhou todo seu dinheiro em ações, isso não corresponde à verdade e o consumidor não consegue perceber isso no vídeo publicitário”.

Ou seja, prossegue a novela da Bettina, que, com certeza, não esperava tanta dor de cabeça com uma peça publicitária que sugeria ser espontânea e voluntária. Agora é obrigada a soltar notas e participar de programas de entrevistas para poder se explicar.

A Empiricus chegou a divulgar um outro vídeo – A Resposta de Bettina – que polemizou ao mostrar frases e questionamentos de internautas no Twitter e Facebook, para amenizar a situação, com um link para a inscrição da empresa e participar do investimento. Não deu certo.

Veja o vídeo:

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