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Como podemos nos proteger da violência no espaço virtual? Por Tais Iamazaki

Os anos de luta dos movimentos feministas e de mulheres contribuíram para dar visibilidade a questões sobre violência e levaram à conquista importantes mecanismos de proteção e apoio, como os previstos pela Lei Maria da Penha. Porém, nos perguntamos, e na internet? Que mecanismos deveriam nos garantir maior proteção e apoio?

O Marco Civil da Internet estabelece no seu 11º artigo: “[…] deverão ser obrigatoriamente respeitados a legislação brasileira e os direitos à privacidade, à proteção dos dados pessoais e ao sigilo das comunicações privadas e dos registros”. Assim, esta lei deveria nos proteger, como pessoas que acessam a rede, de termos nossos dados e comunicações interceptadas por empresas ou quaisquer outros órgãos. Mas, na realidade, o que temos, inclusive, é uma ameaça a nós através do ataque ao próprio Marco Civil da Internet, com deputados e senadores pleiteando mudanças que ferem seus princípios (como o da neutralidade da rede) na tentativa de tirar a seriedade da lei.

Ao contrário, temos exemplos de diversas mulheres que são ameaçadas constantemente por ex-namorados, ex – companheiros, chefes e outros homens em casos de vingança pornô, onde fotos, dados e outras informações são expostas, levando à violência online as extremas consequências na vida real.

Ao mesmo tempo, o movimento feminista organizado e demais coletivos têm suas páginas sociais, blogs e outros canais na rede ataques e invasões frequentes por hackers e grupos que querem minar o diálogo destas lutas com a sociedade. As ameaças também partem dos governos, dos aparelhos repressores do Estado e de camadas conservadoras da sociedade, quando atacam as mulheres em suas produções de conteúdo (fotos ou textos), expondo imagens e informações e principalmente quando as ameaçam no intuito de atacar sua integridade física.

Como então construir e participar de maneira segura os espaços online que estão sendo constantemente ameaçados, e que se tornam inseguros para as mulheres? O que devemos conhecer, entender e como reagir aos ataques, ameaças e violências online que ultrapassam a barreira virtual?

A partir dessas questões, as Blogueiras Negras do Marialab e da Universidade Livre Feminista, em sua primeira discussão no 13º Fórum Internacional Awid, realizado na Bahia em 2016, iniciaram um processo de mapeamento dos casos de ataques às ativistas em meios digitais. Com isso iniciou uma discussão de estratégias que grupos feministas e de mulheres que vêm formulando estratégias para enfrentar a Cultura do Ódio, que se espalha pela internet.

Embora no off-line estejamos mais acostumadas a pensar em soluções coletivas para a nossa organização e segurança, usamos as redes sociais sem nos atentarmos para os riscos a que estamos sujeitas. A luta e a resistência na internet parecem ser profundamente individualizadas, o que torna determinadas ativistas alvos fáceis de ataques.

Outra reflexão importante é como podemos usar esse espaço de forma anticapitalista, que questione a hegemonia dos “donos” da internet, que em sua maioria são homens brancos, cis e heterossexuais. Estes latifundiários de ideias controlam um volume inimaginável de informações sobre nós mulheres, que são vendidas às corporações mais questionadas e enfrentadas pelo movimento feminista, como a indústria farmacêutica, por exemplo.

O desafio atual das militâncias de mulheres está como pensar no enfrentamento das violências que ocorrem corriqueiramente on-line, não atingindo somente às que estão arduamente lutando por equidade social, mas principalmente, as que são ainda são vítimas de violências primárias sociais como aceitar os desmandos de uma sociedade que ainda as coloca e associa sua imagem como objeto.

Sobre Tais Iamazaki

Tais Tiene Iamazaki é jornalista e engenheira química pela Faculdade Oswaldo Cruz, especialista em Gestão Ambiental e Gestão em Saúde Informadas por Evidências. Atualmente, é Assessora Técnica no Departamento de Engenharia da Secretaria Municipal de Obras, Diretora de Formação Sindical e Coletivo de Mulheres no Sindicato dos Engenheiros de Rondônia, Coordenadora do Fórum Estadual da Criança e Adolescente, Conselheira Municipal da Mulher, Membro do Comitê de Atenção ao Migrante, Refugiado e Apátrida, Membro do Comitê de Prevenção e Combate à Tortura do Estado de Rondônia, Membro do Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal de Rondônia e Membro da Comissão CREA Mulher.

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