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Como se manter ativo após a aposentadoria

Aproximar-se da aposentadoria é o gatilho para que o indivíduo perceba mudanças em si, principalmente quanto ao envelhecimento.

Novos interesses podem surgir com a chegada desta fase, independente de idade ou contexto social, existem hoje diversas possibilidades para manter-se ativo mesmo após o término de uma carreira.

Para Xavier et al. (2017) o homem marca sua existência por meio de suas ocupações, ou seja, os seus feitos estabelecem engajamento com a vida. O trabalho pode ser considerado uma das maiores ocupações na vida humana, pois pode surgir ainda na adolescência e perdurar até a velhice. Ele é inserido na rotina como um marcador de tempo e espaço, ocupando grande parte do dia, além de propiciar desenvolvimento de habilidades e reconhecimento social. Portanto, a interrupção do trabalho, que geralmente se dá pela aposentadoria, pode gerar mudanças drásticas de padrões comportamentais na vida do sujeito, alterando os hábitos, rotina e papeis sociais.

Muitas empresas têm investido em Programas de Preparação para Aposentadoria (PPA), onde são disponibilizadas informações específicas e direcionadas para esta fase da vida. Os PPA’s são ofertados desde a década de 50 nos Estados Unidos, no Brasil, a Política Nacional do Idoso (1994) e o Estatuto do Idoso (2003), determinam que programas que antecedem a aposentadoria aconteçam entre dois a um ano antes da aposentadoria. O objetivo central é tornar menos traumática a transição entre a vida laboral para a vida de aposentado. Geralmente são abordados temas em pelo menos cinco aspectos relevantes ao envelhecimento, como: situação financeira, relacionamentos sociais, relacionamento amoroso, aspectos de saúde física e um senso de propósito, ou seja, oportunidade diferentes para ocupar o tempo com qualidade e satisfação, como: segunda carreira, voluntariado, atividades culturais ou esportivas, uma nova aprendizagem, etc. (COSTA et al., 2016)

A possibilidade de refletir aspectos relevantes para esta fase pode resultar na construção de um novo projeto de vida, buscando resgatar não só sonhos, desejos e realizações, mas também, estabelecer novas metas, reafirmando para o indivíduo, sua identidade e reaprendendo a lidar com as transformações inesgotáveis do ser humano. E isso não está apenas nas mãos das instituições, existem alguns conceitos importantes que podemos nos apropriar e refletir.

O Envelhecimento Ativo, conceito definido pela Organização Mundial da Saúde – OMS (2002), refere-se as melhorias relacionadas à saúde, relações sociais e segurança, que permitam melhorar a qualidade de vida, permeando todo o ciclo de vida, ou seja, o processo de envelhecimento. Então, se manter ativo após a aposentadoria é continuar produtivo no sentido de bem-estar físico, cognitivo, social e financeiro (KALACHE, 2018).

No cenário da atividade física o ingresso ou manutenção com a atividade física em qualquer tempo do ciclo vital traz inúmeros benefícios. Para o período de aposentadoria e durante nosso envelhecimento parece ainda ter uma relevância maior já que está associado a uma extensão da independência das atividades de vida diária, redução da fragilidade e melhoria da qualidade de vida (CANADA, 2011)

Portanto, a aposentadoria não deve significar o encerramento da produtividade e qualidade de vida. As experiências laborais passadas têm grande influência nas escolhas das atividades exercidas após a aposentadoria, mas não deve ser a única fonte de inspiração, deve-se estar aberto ao novo, para atividades nunca antes planejadas ou pensadas. Espera-se ainda que possa ser um tempo de desenvolvimento pessoal, aprendizados e aquisições.

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POR FLÁVIO REBUSTINI
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