Economia

CONSUMISTA? EU? IMAGINA! – Por Bianca Lopes

SÉRIE: PROBLEMAS FINANCEIROS DOS BRASILEIROS

Para esse tema propus-me uma autoavaliação. Confesso que foi a minha maleta de maquiagens que chamou a atenção. Tudo bem que eu sou mulher e amo ser feminina, mas você, que é homem, não pense que se livrou dessa, porque tem “chamada de atenção” para você também, eu prometo.

Voltando aos meus itens de maquiagem, percebi que mesmo possuindo muito pouco deles comparado a tantas mulheres que conheço – não tenho coleção de pincéis, não tenho paletas de corretivos, nem de blush e nem todos os tons de batons – constatei, ainda assim, possuir itens desnecessários, provavelmente comprados por impulso, por influência ou simplesmente porque eu “precisava ter”. Hoje eu penso: por que é mesmo que eu precisava tanto tê-los? Não consegui achar as respostas.

À procura dessas respostas eu tenho certeza de que, por mais controlado financeiramente você seja ou tente ser, alguma coisa na sua casa está sobrando e, olhe lá, sobrando muito, algumas até podem estar estragando ou já estragaram. Já pensou ter dinheiro sobrando em casa? E estragando em forma de objetos? Você já viu dinheiro em papel mofar? Será que já viu indo para o lixo?

Estou tentando conscientizar você de que qualquer objeto que tenha representa uma circulação do seu dinheiro, que um dia você deu em troca dessa mercadoria.

Buscando melhorar essa consciência façamos um exercício prático: darei alguns minutos para você buscar, na sua memória, algo que gosta tanto que compra mais do que precisa e muitas vezes sem analisar se precisa realmente. Enquanto isso, vou destacando os tipos de consumo que determinam a sua tomada de decisão para uma compra:

1 – COMPRAS DE ROTINA: são aqueles itens de baixo valor, comprados com certa periodicidade e que, para os quais, não se necessita de tanto tempo para a tomada de decisão. Geralmente são os itens de supermercado: aquele enlatado a mais que vence na dispensa; aquele legume ou verdura que ninguém na sua casa come e acaba indo para o lixo, mas você insiste em comprar; seu filho pode começa a gostar de rúcula amanhã, milagres acontecem! (só para constar, eu amo rúcula). E aqueles produtos para carro – que até hoje eu não sei para que servem, só sei que tem um cheiro bom – que alguns homens têm mania de comprar deixando a prateleira de casa mais completa de que a própria prateleira do super?  Ele deve ter uns 10 carros na garagem e utiliza muito produto para estarem sempre limpos e brilhantes. Sem contar que alguns homens parecem ser mais exagerados no supermercado do que as mulheres, na lista tem “1 pacote de fubá”, mas prefere comprar “2” porque é bom ter a mais na dispensa. Sabia que seu dinheiro está sendo trocado por um item que tem grandes chances de ir para o lixo?

Vejam bem homens, eu não disse que é, só disse que parece, ok? Continuando.

2 – COMPRAS COM VALOR LIMITADO: realizadas com menos frequência porque envolvem um valor mais alto e exigem uma pesquisa prévia. Aqui entram os itens com tecnologia: um celular, um notebook, uma televisão, um eletrodoméstico. Também entram aqui um curso profissionalizante, uma roupa de grife, perfumes importados, uma viagem. Uma decisão mal feita no tempo e forma de aquisição desses bens pode ocasionar prejuízos financeiros inesperados. Uma oportunidade certa na hora errada é uma oportunidade errada. Pense se você está comprando o melhor e mais adequado dentro da sua possibilidade financeira ou se está comprando algo que vai transtornar a sua vida financeira – ou de seus pais – para impressionar alguém ou um grupo.

3 – COMPRAS COM ALTO VALOR AGREGADO: aqui entra o sonho de todo brasileiro, a casa própria e o carro próprio. Muita informação é analisada racionalmente antes de efetuar a compra. Contudo, o fator psicológico tem influência relevante nessa decisão, principalmente para aqueles que têm a beleza como característica da sua linguagem financeira. Gostam de tudo o que é belo e o preço sempre vem em segundo plano. Com exceção da natureza que expõe a sua beleza gratuitamente, quase todas as outras coisas que são bonitas costumam custar mais caro, concorda? Para quem tem dinheiro transbordando isso não será um problema, mas se você não alcançou esse patamar de ostentação, a beleza pode custar (muito) caro.  

4 – COMPRAS COMPULSIVAS: sério gente, essa parte é muito séria.  Você se acha compulsivo? Costuma comprar sem planejar não importando se o item é caro ou barato? Abra a porta de onde você guarda as suas roupas, os seus sapatos, as suas meias, suas peças íntimas. Abra a porta dos armários da cozinha. Vá se “autoinvestigar”. Quantos aparelhos de jantar têm no seu lar? E faqueiros? E copos? Taças? A quantidade de panela que tem na sua casa faz comida para qual multidão? Quantas crianças brincam com a quantidade de brinquedos dos seus filhos? Como está o “closet” do seu animal de estimação? Se eu conseguisse identificar e enumerar a quantidade de coisas compradas por compulsão daria para escrever uma enciclopédia, eu suponho. E quando essa compra compulsiva nem ocorre em benefício próprio, mas sempre para presentear alguém? Tudo bem dar presentes e é, inclusive, uma demonstração de generosidade e de afeto. Só sugiro você avaliar sinceramente sua intenção com esse ato, se você está tentando realmente ser generoso ou está usando esse artifício como uma forma de “comprar” o afeto de alguém presenteando-o o tempo todo. A segunda opção geralmente costuma deixar as finanças pessoais bem comprometidas.  

Analisando esses quatro tipos básicos de compras, percebe-se que, em linhas gerais, o consumo faz parte da nossa vida. Alguns consomem mais, outros menos. Alguns são bem conscientes e outros não são nada conscientes. Todo o tempo somos estimulados a consumir, a gastar, principalmente nessa era tecnológica que recebemos ofertas de produtos na tela de um celular.

Sempre existirá um item que, em nossa cesta de produtos, gostamos tanto que compramos sem perceber e de forma desnecessária, gastando dinheiro que não precisava ser gasto e que poderia ter sido usado de outra forma: investindo, doando para uma caridade ou planejando para uma compra realmente necessária. Mas somos assim, seres humanos não tão perfeitos e exatos. Convém examinar-se a si mesmo e buscar os porquês de sua vontade de consumir.

O consumo exagerado e sem propósito pode significar uma valoração errada de tudo o que está em nosso entorno. Procurar ser moderado é um conselho sábio que cabe em qualquer área das nossas vidas.

Bom final de semana!

Bianca Lopes. Economista. Consultora na área de finanças, negócios e relações institucionais. Aluna de pós-graduação em Educação Financeira pelo Instituto DSOP, pós-graduada em MBA Finanças, Controladoria e Auditoria pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e graduada em Economia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Instagram @biancalopeseconomista

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Bianca Lopes
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O Rondoniense
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