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STJ decide que contratos eletrônicos não precisam mais de testemunha

Paulo de Tarso Sanseverino afirmou que assinatura digital garante veracidade de documento assinado por meio digital.
Paulo de Tarso Sanseverino afirmou que assinatura digital garante veracidade de documento assinado por meio digital.

Recentemente eu escrevi sobre a inteligência artificial na advocacia e no jornalismo em meu blog. Tudo está sendo automatizado, é a era digital.

Eu não sei se você já ouviu o termo legaltech, também conhecida como lawtech. Dentro e fora da internet no último ano, esses termos conquistaram cada vez mais espaço em colocações e debates sobre o futuro da advocacia.

As fintechs, combinação de financial e technology, fizeram o setor financeiro e bancário no Brasil, as legaltechs já estão fazendo com o mercado jurídico a mesa revoluçõ.

O mundo está mudando e já são coisas do passado usar o caixa eletrônico, checar seu extrato, ir a uma agência bancária, devido ao surgimento de soluções como a Nubank ou GuiaBolso.

As legaltechs são a revolução e estão transformando o mercado jurídico.

O que é legaltech ou lawtech?

Vamos lá, são empresas que desenvolve soluções para facilitar a rotina dos advogados. Esse é um tema que também trato dentro do Advogados de Sucesso.

Um exemplo é a Clicksign, uma empresa de assinatura eletrônica de documentos. Eu utilizo essa para assinatura dos contratos com nossos clientes.

As lawtechs hoje estão divididas em sete categorias, conforme abaixo.

  • Automação e gestão de documentos;
  • Gestão de escrit[orios e departamentos jurídicos;
  • Analytics e jurimetria;
  • Resolução de conflitos online;
  • Conteúdo jurídico e consultoria;
  • Extração e monitoramento de dados públicos;
  • Redes de profissionais;

Usei este início da matéria sobre lawtechs para introduzir o assunto que falaremos bastante ainda aqui.

E como andam hoje as decisões dos Tribunais no que se refere as testemunhas nos contratos digitais?

A 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça reconheceu que é possível execução de dívida fundada em contrato eletrônico, ao julgar recurso especial apresentado pela Fundação dos Economiários Federais (Funcef).

A entidade queria cobrar devedor com base em negócio firmado por meio eletrônico, mas teve o pedido negado no tribunal de origem. A justificativa do juízo de primeira instância foi a falta de requisitos de título executivo do documento, principalmente com relação à ausência de assinaturas de testemunhas. O entendimento foi mantido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

Paulo de Tarso Sanseverino afirmou que assinatura digital garante veracidade de documento assinado por meio digital.Paulo de Tarso Sanseverino afirmou que assinatura digital garante veracidade de documento assinado por meio digital.

A fundação, então, levou o caso ao STJ. O relator, ministro Paulo de Tarso Sanseverino, permitiu que a organização execute a dívida diretamente com base no contrato digital, equiparando sua validade à dedicada aos acordos assinados em papel.

O ministro disse que a legislação processual exige apenas a existência de um “documento” para o reconhecimento de títulos executivos. Assim, ele concluiu que o contrato eletrônico entra nesse conceito e ganha foros de autenticidade e veracidade quando conta com assinatura digital. A ausência de testemunhas, por si só, também não afasta a executividade do contrato eletrônico, segundo o relator.

Sanseverino reconheceu a importância econômica e social desses acordos firmados on-line nos dias atuais, comuns nas instituições financeiras e em vários países do mundo. Grande parte dos negócios hoje não é mais celebrada em papel, mas em bits, declarou.

O voto foi seguido por maioria, ficando vencido o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. O julgamento ocorreu na terça-feira (15/5), e o acórdão ainda não foi publicado.

Inovação reconhecida
O principal fundamento da decisão dos ministros foi a atenção do tribunal às inovações tecnológicas, segundo Bruno Batista Lobo Guimarães, advogado do Viveiros Advogados. “O ministro Moura Ribeiro, em outra ação, já tinha votado contra a execução com contrato eletrônico e agora mudou o posicionamento”, afirma.

Sobre a ausência de testemunhas no contrato da Funcef, a corte entendeu que esse ponto deve ser alegado pela defesa do executado, destaca Guimarães. O STJ deve analisar os requisitos fundamentais para o título executório em momento posterior.

O professor Ruy Coppola Junior, que leciona Direito Empresarial na Faculdade de São Bernardo do Campo, considera que a decisão do STJ é fruto de uma evolução social e técnica agora reconhecida pelo Judiciário. “Alguns tribunais de Justiça não estavam permitindo que esses contratos fossem executados”, diz o docente. “O credor era obrigado a ir à Justiça com um processo de conhecimento que é longo, burocrático e difícil”.

De acordo com Ruy, ainda que não seja possível cravar estimativa real por causa da diferença de funcionamento das cortes estaduais, costumam passar no mínimo sete anos entre a propositura e o término de uma ação de conhecimento, com a qual se permite a cobrança de um contrato digital.

“A decisão rompe essa barreira, e o credor ganha tempo podendo passar diretamente para a cobrança com a intimação para pagamento. Para, a partir daí, diante da inadimplência, partir para os atos de constrição do patrimônio do devedor”, afirma o professor sobre o precedente aberto pelo STJ.

REsp 1.495.920

Fonte: https://www.conjur.com.br/2018-mai-18/stj-reconhece-validade-contratos-digitais-executar-divida

Um grande abraço.

André Luso