Brasil politica

CORONAVÍRUS – Maia sugere ‘orçamento de guerra’

Na contramão do mundo, o presidente Jair Bolsonaro fez um pronunciamento nesta terça-feira (24) em rede nacional de televisão e rádio minimizando mais uma vez os efeitos do coronavírus. Os principais jornais do país dão destaque ao assunto e criticam o político.

O Globo lembra que Bolsonaro pediu a reabertura do comércio e das escolas, além do fim do que chamou de “confinamento em massa”. O matutino carioca mostra que o discurso gerou reação da sociedade e de políticos. Em várias capitais foi possível ouvir novamente panelaços contra o governo.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), criticou a fala de Bolsonaro e disse que o Brasil espera do líder do Executivo “seriedade e responsabilidade”. O Globo recorda que a pandemia já atingiu mais de 420 mil pessoas pelo mundo, com mais de 18 mil mortes.

Ainda segundo o matutino carioca, a fala de Bolsonaro segue as ideias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O político americano afirmou que espera que seu país já tenha encerrado as medidas de confinamento até a Páscoa, no dia 12 de abril.

As declarações de Trump acontecem no mesmo momento em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o risco de que os EUA sejam o novo epicentro do coronavírus. “Bolsonaro ignora orientação mundial e critica isolamento e escolas fechadas”, sublinha a manchete do Globo.

‘Histeria’

A Folha de S.Paulo também comenta o pronunciamento distópico do presidente e enfatiza que Bolsonaro culpou a imprensa por estabelecer um clima de histeria no Brasil.

Durante o discurso, ele disse que grande parte dos meios de comunicação foi na contramão do que o governo tentava fazer e “espalharam a sensação de pavor, tendo como carro-chefe o grande número de vítimas na Itália”.

A Folha também recorda que o presidente atacou governadores e prefeitos por medidas restritivas adotadas contra o vírus. Segundo Bolsonaro, esses líderes “devem abandonar o conceito de terra arrasada” e voltar à normalidade. “Bolsonaro crítica fechamento de escolas e ataca imprensa”, destaca a manchete da Folha.

Cloroquina

O Estado de S.Paulo mostra que Bolsonaro citou a cloroquina como um possível remédio para o coronavírus, embora a sua eficácia ainda não tenha sido confirmada contra a doença.

Além disso, o presidente elogiou a postura do ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) no planejamento das ações e na administração de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Bolsonaro chegou a se usar como exemplo e disse que, por um suposto histórico de atleta, teria apenas uma “gripezinha ou resfriadinho”, caso fosse contaminado pelo coronavírus.

O Estadão lembra que Bolsonaro tem 65 anos e faz parte do grupo de risco da doença, além de ter viajado com ao menos 23 pessoas que receberam diagnóstico positivo para o Covid-19. “Bolsonaro crítica confinamento e quer lojas e escolas abertas”, informa a manchete do Estadão.

‘Orçamento de guerra’

Enquanto Bolsonaro mantém a insensatez diante da pandemia do coronavírus, avaliação de vários articulistas dos jornais, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tenta articular um “orçamento de guerra” com despesas emergenciais a serem adotadas na crise.

A ideia é que o orçamento seja menos engessado, desburocratizando à liberação de dinheiro público que seria utilizada para combater os efeitos da pandemia.

Uma das propostas em discussão é crescer o orçamento contra o coronavírus usando o dinheiro do fundo eleitoral, previsto para ser gasto nas eleições municipais deste ano.