Capital

Cremero recebe denúncia de venda casada de óculos em projeto social em Porto Velho


Após a denúncia, uma equipe do Conselho Regional de Medicina do Estado de
Rondônia (Cremero) realizou, no final da manhã da última sexta-feira (07) uma
fiscalização de um evento de cunho social dentro de uma igreja evangélica no
bairro Igarapé em Porto Velho. O projeto “Visão Social” como o próprio banner
de divulgação apresenta, realizava exames e avaliações oftalmológicas
gratuitas, prometendo exames como refração computadorizada, acuidade visual,
retinografia e avaliações cirúrgicas. Os pacientes além de serem atendidos por
um médico oftalmologista para a realização de diagnóstico e tratamento,
assistiam ainda, à palestras preventivas dentro do local onde eram realizados os
atendimentos. O projeto possui o apoio de dois deputados estaduais.
Ao chegar no local, a equipe de fiscalização foi recebida pela direção do projeto.
Já a médica que realizava os exames, com registro provisório do Cremero não
apresentou registro de qualificação de especialista em Oftalmologia em nenhum
CRM, apesar de ter dito possuir os requisitos para tal registro. Também não
havia alvará sanitário para o atendimento.
Durante a visita, foram observados que inúmeros pacientes aguardavam
atendimento. Próximo à igreja onde estavam sendo realizados os procedimentos
verificou-se a presença de óptica com denominação de “Laboratório Popular”
para onde, segundo relatos, estavam sendo encaminhados os pacientes. Ainda
mais à frente, encontrava-se outra óptica denominada “Visão Social” que
aparentemente, não tinha ligação com o evento. O fato curioso foi a constatação
de um carimbo escrito “Laboratório Popular” atrás das receitas entregues aos
pacientes.
A médica foi indagada ainda sobre a prescrição médica, que eram entregues à
equipe do projeto social e não aos pacientes em si, não tendo conhecimento
sobre como as prescrições eram entregues aos pacientes a partir dali. Muitos
deles relataram aos fiscais que a consulta era gratuita e que davam uma entrada
de R$ 100 (cem reais) para a confecção das lentes dos óculos, o que teria sido
abordado durante as “palestras educativas”.
A autarquia durante o ato concluiu em relatório que as consultas foram realizadas
de forma precária, sem biomicroscopia ou tonometria. A consulta oftalmológica básica deve conter no mínimo a refração, a biomicroscopia, a fundoscopia, a
tonometria, além do que se chama pós-consulta, para a avaliação dos óculos.
Ou seja, o paciente não teria a oportunidade de encontrar novamente o médico
especialista, caso necessário.
“Milton Friedman dizia que não existe almoço grátis. Assim, fomos verificar como
era possível manter o atendimento de forma gratuita. O que vimos foi que o
atendimento tem como objetivo prescrever óculos para a própria óptica do grupo.
A consulta é precária, não fazendo avaliação das doenças oculares, apenas do
grau dos óculos. Não conseguimos ainda entender qual a participação dos
deputados estaduais envolvidos, o que deverá ser investigado pelo ministério
público” ressalta o oftalmologista e médico corregedor do Cremero, Dr. Cleiton
Cassio Bach.
O Cremero emitiu relatório que será encaminhado para o Ministério Público para
averiguação de possível crime contra a economia popular com a venda casada
evidenciada, além do envolvimento dos políticos presentes no folder de
propaganda do projeto social. Segundo o presidente do Cremero, Dr. Spencer
Vaiciunas “é importante e dever do Cremero estar presente nestas situações em
que pode haver prejuízo ou dano ao paciente” salientou.

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Fonte
O Rondoniense/ Cremero
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