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CRÍTICA – Chove em Nova York, mas faz sol na imaginação de Woody Allen – Por Humberto Oliveira

Gatsby Welles. Este é o nome do alter ego de Woody Allen no seu filme mais recente Dia de chuva em Nova York, realizado em 2018, mas lançado somente agora. Esta é apenas uma das inúmeras referências literárias e cinematográficas do longa, cujo elenco é quase totalmente de jovens atores como Timothée Chalamet, Elle Fanning, Selena Gomez e Diego Luna. Há ainda os veteranos Jude Law e Liev Schreiber.

 

Um dia de chuva em Nova York apresenta os temas habituais tratados por Allen ao longo de uma carreira com 50 produções. Encontros, desencontros, equívocos, mal entendidos, traições, corações partidos, diálogos espirituosos, requintados sobre amor, abandono, decepção, o sentido da vida e claro neuroses, muitas neuroses.

 

O jovem casal Gatsby, um apostador compulsivo e Asheigh, uma jovem estudante de jornalismo – mais uma citação cinematográfica, passam um final de semana em Nova York. Ela precisa entrevistar um diretor de cinema em crise existencial. O que deveria ser uma entrevista de uma hora acaba ganhando proporções e consequências inesperadas, que somente Allen é capaz de arquitetar. As confusões vão se sucedendo até o desfecho da história. Tudo isso iluminado e divinamente fotografado pelo genial Vittório Storaro, cuja parceria com Allen iniciou no irregular Roda gigante.

 

Depois dos decepcionantes Magia ao luar, Café society e o citado Roda gigante, a comédia romântica Dia de chuva em Nova York, talvez marque uma retomada da velha e boa criatividade e genialidade do diretor de obras primas como A rosa púrpura do Cairo, Annie Hall, Hannah e suas irmãs, Tiros na Broadway, Crimes e pecados, Era do rádio, Meia noite em Paris e tantos outros.

TRAILER:

Prestes a completar 84 anos e um escândalo sexual que insiste em ganhar cada vez mais força, inclusive prejudicando a realização de novos projetos, inclusive atrasando o lançamento deste Dia de chuva em Nova York, parece não abalar o cineasta, que continua escrevendo novos roteiros. Para o público, Allen não precisa provar mais nada de seu talento como cineasta e roteirista, no entanto, a vida real tem sido ridiculamente sombria e cinza como somente um dia de chuva sabe ser. Se é apenas uma nuvem ou uma tempestade que veio para devastar, somente o tempo dirá.