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De volta a escuridão – Por Edmilson da Silva

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Quem conhece o Mito da Caverna de Platão, também representado no filme “Os Croods” imagina a dificuldade que o Homem, espécie, tem de aceitar as mudanças e principalmente, as suas consequências quando há incertezas. As dúvidas em torno das descobertas científicas sempre geraram polêmicas. Apesar disso, pouquíssimo do que temos de tecnologia hoje, surgiu por acaso. Talvez a maçã na cabeça do Newton, ou quem sabe a descoberta da insulina, ou ainda, a famosa e interessantíssima descoberta da Penicilina por Alexander Fleming. Apesar do acaso, o aperfeiçoamento dependeu de estudos científicos para serem aplicadas tais como são hoje. Portanto, vejo como inconcebível, a ideia de renunciar o conhecimento produzido pela ciência. É bom que se diga que o conhecimento científico também não é completo e carece sempre de estudos contínuos. Graças a essa dinâmica é que surgem novos medicamentos para a mesma doença e novas soluções para diversos problemas da humanidade.

A polêmica da vacina essa semana tornou evidente o quanto estamos em um processo retrocedente de construção da ignorância em detrimento da inteligência. Não vou nem falar do fato da vacina ser ou não chinesa. Até porque, me parece, não é essa a realidade. A vacina, apesar de ter componentes desenvolvidos por uma empresa chinesa, ela será produzida pelo Instituto Butantã, cuja reputação dispensa comentários.

O X da questão é a obrigatoriedade ou não da aplicação. Talvez você ainda não tenha percebido, mas a vacinação já é obrigatória no Brasil e em outros países, para alguns tipos de vacina. Você já tentou matricular o seu filho sem o cartão de vacina? Evidente que a obrigação de que se fala não se trata de colocar o exercito nas ruas, pegar as pessoas em casa e levar ao postinho. Mas simplesmente impor restrições a alguns serviços públicos para aqueles que não se vacinarem. Logo se percebe então que o discurso em torno da obrigatoriedade é um mero pretexto para politizar e manifestar publicamente e internacionalmente a rejeição à China e o apoio incondicional a cartilha do EUA. De quebra, ainda provoca uma briga política interna, em território nacional na tentativa de destruir a imagem do Dória a quem considera uma ameaça ao seu projeto de perpetuação no poder.

A ideia de rejeitar a vacina por não confiar em nada feito na China contradiz a relação comercial que o Brasil tem com um dos seus maiores parceiro no mundo: A China. “Em 2019, o Brasil exportou para a China um total de US$ 62,8 bilhões e importou daquele país US$ 35,2 bilhões (em 2018, os montantes foram, respectivamente, de US$ 64,2 bilhões e US$ 34,7 bilhões)”

E assim como o Brasil, empresas do mundo inteiro descobriram na China um celeiro de oportunidades para investimento, principalmente na produção de insumos e componentes para fabricação de seus produtos. É possível que o computador em que estou escrevendo ou o smartphone no qual você está lendo esse texto tenham componentes ou tenham sido feitos integralmente na China.
A questão da vacina é apenas mais uma de uma sequência de episódios que denunciam essa relação promiscua entre Brasil e Estados Unidos. Recentemente o Bolsonaro cogitou rejeitar a implantação da rede 5G que seria implantada aqui pela companhia chinesa Huawei, atendendo a pressão americana.

O pior dessa empreitada do Governo Brasileiro, de subserviência aos interesses americanos é o uso da ignorância aqui no Brasil para disseminar uma ideia falsa de protecionismo dos interesses nacionais enquanto promove a destruição de valores consagrados relacionados à educação, ciência, cultura e meio ambiente. O nosso patrimônio nessas áreas está ameaçado e depois de anos em busca da luz, corremos o risco de retornar para o fundo da caverna, assustados com estórias fantasmagóricas de comunistas comendo criancinhas.

José Edmilson da Silva é Engenheiro Agrônomo, Bacharel em Direito, Professor e Servidor Público Federal