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DEPENDÊNCIA QUÍMICA – O álcool ainda é a porta de entrada para as demais drogas

O Dia Nacional de Combate às Drogas e Álcool, 20 de fevereiro, é uma data alusiva à promoção e incentivo à luta contra a dependência química. Vale ressaltar que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dependência em drogas lícitas ou ilícitas é uma doença.

Para muitas pessoas, o uso de drogas e do álcool é uma realidade, Muitas famílias são desgastadas por essa doença. Os efeitos das drogas e do álcool no organismo podem acarretar em dependência química, além da degradação dos órgãos, e em muitas vezes, se torna fatal.

De acordo com uma pesquisa realizada no ano de 2019, feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostrou que 16,5% dos participantes consumiram álcool e abusarem na dosagem. Os homens consumiram em uma única ocasião cinco doses ou mais de bebidas. Já as mulheres, quatro doses ou mais.

Em relação às demais drogas, 9,9% dos brasileiros relatavam ter usado drogas ilícitas pelo menos uma vez na vida. Além disso, 7,7% da população consumiram maconha, haxixe ou Skank 3,1%; cocaína 2,8%; solventes e 0,9% crack.

Rondônia

Moradora de rua, em Porto Velho – Foto: Divulgação

Em 2017, a Superintendência de Estado de Políticas Sobre Drogas (Sepoad), levantou dados alarmantes: Rondônia possuía naquele ano aproximadamente 679 mil usuários de drogas, ou seja, 37,99% em relação ao Brasil.  Sobre o consumo de álcool, Rondônia era o 7º estado brasileiro em consumo de bebidas alcoólicas (25,9%).

Baseado em dados do IBGE, daquele ano, apontou através do médico psiquiatra Jairo Bouer, ex-consultor do governo paulista no Projeto Prevenção, que estudantes com menos de 15 anos já bebem e usam drogas no Brasil. “Eles conhecem a bebida muito antes de entender o impacto que ela terá em suas vidas”, alertou.

Abertura para outras drogas

Segundo informações dos Alcoólicos em Recuperação dos Alcoólicos Anônimos (AA), infelizmente, o álcool é a porta de entrada para demais drogas.

Denominados como “companheiros” entre eles, o representante de Serviços Gerais do Grupo Reflorescer (RSG), o companheiro C.A, e o representante do Comitê Trabalhando com os Outros (CTO), o companheiro MT, afirmaram que o consumo de bebidas afeta não somente a saúde do dependente, mas de toda uma comunidade que cerca o indivíduo.

“Realizamos encontros periódicos dependendo do Grupo, tanto para ajudar aqueles que necessitam de apoio quanto para nós que já estamos anos sem consumir bebidas, nosso tratamento é nos ajudar e ajudar o próximo que precisa através de reuniões de recuperação”, esclarece o companheiro MT.

O  Alcoólicos Anônimos chegou no Estado de Rondônia no dia 20 de novembro de 1979, porém o AA iniciou em 1935, nos Estados Unidos.

Em todo estado há 24 grupos, sendo sete grupos consolidados em Porto Velho e três (03) em experiências, e um (01) situado em Humaitá/AM, também consolidado.

“Nas reuniões é estimada uma média de 30 pessoas, em cada grupo, ou seja, dos sete grupos em Porto Velho, cada um possui essa média. No Brasil, temos mais de cinco mil grupos, e uma média de mais de dois milhões de membros”, conclui o companheiro CA.

Estatísticas

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2015, apontaram situações alarmantes para no nosso estado, principalmente envolvendo jovens. Segundo levantamento do IBGE, 55% dos alunos do 9º ano escolar consumiram alguma bebida alcoólica. Eram 50% em 2012. Levando em consideração que no período de 30 dias anteriores à pesquisa, 23,8% beberam; meninas, 25,1%, meninos, 22,5%.

Infelizmente, a pesquisa do IBGE apontou que na escola pública há mais alunos bebendo (24,3%) do que na rede privada (21,2%), e que um em cada cinco alunos (21,4%) já teve pelo menos um episódio de embriaguez, e que 9% dos alunos pesquisados pelo IBGE já usaram alguma droga ilícita: meninos (9,5%) mais que meninas (8,5%). A Região Norte tinha na época da pesquisa 6,8% de alunos envolvidos com drogas.

Lembrando que o uso precoce, mesmo quando se tratando de experimentação, expõe os jovens a sérios problemas sociais, de saúde mental e física.

Políticas Públicas

A ação institucional da Sepoad está subordinada à Secretaria de Estado de Saúde (Sesau), em Porto Velho, há ações voltadas junto à Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) onde costuma trabalhar em parcerias durante o ano com projetos multidisciplinares. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são distribuídos para poder atender as diversas demandas através do Poder Publico, onde as pessoas podem procurar orientações para diversos atendimentos.

Além destes suportes, diversas instituições filantrópicas e religiosas trabalham com politicas públicas para as drogas.

Entretanto, segundo Anne Cleyanne, psicóloga e capacitada, em 2017, pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR) sobre o enfrentamento e de álcool e outras drogas, comenta que a prevenção ainda é o melhor remédio. “Diálogos e conscientização do jovem sobre o uso de substâncias que geram dependência química, independente de serem lícitas (álcool) e ilícitas são ainda a maior prevenção de incidência de futuros dependentes químicos. É necessário que o jovem saiba as consequências negativas do uso não somente através da escola, de ações públicas, mas do ambiente familiar, onde ele [o jovem], se sente mais acolhido e confortável, na maioria das vezes”, conclui.