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Deputados coletam assinaturas para votar com urgência o adiamento do Enem

Com o início do prazo para inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2020, deputados buscam reunir assinaturas para colocar em votação o projeto que suspende o calendário do exame (PDL 167/2020). Das 257 assinaturas necessárias para o regime de urgência, que acelera o trâmite de análise do projeto, faltam apenas 40.

Segundo o deputado professor Israel Batista (PV-DF), um dos autores do projeto, partidos do Centrão estão resistentes em apoiar a iniciativa. “A aproximação do governo com o Centrão está prejudicando bastante”, disse ele. Entre hoje e amanhã, deputados devem levar o pleito ao presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), responsável pela pauta de votações. Maia ainda não se manifestou publicamente sobre o assunto.

O projeto conseguiu reunir assinaturas de deputados que vão desde o PT ao PSL. “Não sei porque está tendo essa queda de braço. Nós entendíamos o adiamento como algo natural, não era para ser politizado”, avaliou o deputado Israel Batista. Em função da pandemia de covid-19, China, Estados Unidos e França já adiaram seus exames. “A gente sabe que a chance da prova ser adiada por motivo de força maior é muito grande e fazer isso de forma atropelada é ruim, é melhor você se planejar como fizeram outros países”, disse o deputado.

Os defensores da iniciativa estão organizando uma campanha de conscientização sobre a necessidade de adiamento do calendário do Enem e devem divulgar uma ação nas redes sociais, com vídeos de deputados, para buscar apoio da sociedade.

Peça publicitária

Para defender a manutenção do calendário do Enem, o governo divulgou uma campanha publicitária, veiculada nas redes sociais e em cadeia nacional de rádio e televisão, na qual diz que o Brasil não pode parar. Educadores avaliam que as peças desconsideram as desigualdades socioeconômicas do país e as dificuldades que muitos estudantes de escolas públicas possuem para ter aulas pelo sistema de ensino à distância (EAD).

Para o deputado Israel, a postura do governo não é só uma insensibilidade, é uma alienação em relação à realidade. Ele entende que o fator fundamental de manutenção do governo do presidente Jair Bolsonaro é a guerra cultural, sendo o ministro da Educação, Abraham Weintraub, um de seus expoentes. “O ministério prefere encabeçar a guerra cultural a coordenar a política de educação e o sistema de educação, tanto dos estados quanto dos municípios”, avaliou o deputado.

Desde que assumiu o posto, em abril de 2019, Weintraub tem dificuldade de interlocução com a Câmara dos Deputados e também possui diálogo frágil com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e outros órgãos educacionais.

Na semana passada, a pedido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), o ministro participou de uma reunião por videoconferência com senadores. Na ocasião, ele apresentou uma nota técnica com erros de digitação e argumentações focadas nas dificuldades de ordem administrativa para suspensão do calendário do Enem. Os senadores não acharam suficiente a exposição do ministro e continuam pressionando pelo adiamento do exame.

Para o vice-líder do governo no Senado, senador Izalci Lucas (PSDB-DF), a resistência em adiar o Enem está mais em Weintraub do que no governo. “O ministro está muito radical. Ele é muito teimoso”, disse. O senador acredita que o ministro vai chegar à conclusão de que o adiamento do exame é inevitável, ainda que isso ocorra perto da data prevista para aplicação das provas.

Estudantes podem se inscrever para a prova a partir desta segunda-feira (11) até o prazo final de 22 de maio. A prova impressa está marcada para os dias 1º e 8 de novembro; já a modalidade digital está agendada para os dias 22 e 29 de novembro.

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