Documentário "Don’t F**k With Cats: Uma Caçada Online" é terrivelmente chocante - Por Marcos Souza | O Rondoniense %
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Documentário “Don’t F**k With Cats: Uma Caçada Online” é terrivelmente chocante – Por Marcos Souza

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O documentário em três episódios da Netflix, que estreou no dia 19 de dezembro do ano passado, “Don’t F**k With Cats: Uma Caçada Online”, escrito e dirigido por Mark Lewis é atualíssimo e traz a tona o caso de Luka Magnotta, uma das histórias mais surreais e incríveis de uma mente perturbada e extremamente inteligente.

Tudo inicia com a divulgação de um vídeo na internet de um homem que não se identifica e mata gatos de forma cruel colocando-os num saco a vácuo com o uso de um aspirador de pó. O vídeo acaba mobilizando uma analista de dados de um cassino de Las Vegas, Deanne Thompson, que quer saber quem teria coragem de filmar e compartilhar tamanha crueldade. Em primeiro momento ela inicia uma parceria com um grupo de salvadores de animais, que resgatam cães e gatos de situações de violência e cria um grupo no Facebook com a missão de descobrir a identidade do homem misterioso.

Logo encontram um suspeito, porém mesmo com certa semelhança com o homem do vídeo, não é ele. Mas o falso suspeito sofre tanta pressão midiática nas redes sociais que acaba tirando a própria vida. Isso faz com que voltem a estaca zero e a repensar sobre o modo como agiram, chegando a vasculhar nas redes sociais sinais que identificassem o suspeito.

Outro vídeo é divulgado pelo mesmo homem, mostrando agora o afogamento de um gato na banheira e depois outro com um gato sendo devorado por uma cobra Piton. É quando o grupo aumenta e surge John Green – nome fictício -, que junto com a analista resolvem aprofundar as investigações sobre quem de fato seria o criminoso. Eles usam todos recursos cabíveis da internet e a exposição nas redes sociais, até chegar a um suspeito, Luka Rocco Magnotta, um canadense que parece ser uma estrela das redes sociais, jovem, bonito, com ambição de querer ser ator e que usa a internet para ser famoso. Incluindo diversos perfis o seguindo ou compartilhando suas fotos como modelo e de viagens pelo mundo, dando a entender ser uma pessoa rica.

Seria de fato ele o assassino dos gatos?

O grupo, com base nas informações das centenas de fotos de Luka, mais os vídeos compartilhados por ele iniciam uma busca pelo seu paradeiro para formalizar uma denuncia as autoridades. É quando a mensagem mais clara do documentário é mostrar o quanto a exposição na internet pode ser perigosa em todos os sentidos, incluindo a criação de uma pessoa que busca a fama de qualquer forma e Luka traça um plano absolutamente assustador nas suas intenções, o que remete até onde ele consegue manipular quem o observa ou stalkeia.

Através da produção tosca dos vídeos, trilha sonora – a música “True Faith”, do New Order, que utiliza como fundo musical em dois momentos da investigação que se cruzam, ou da roupa e lugares onde ele tira fotos – o canadense é muito vaidoso e gosta de se expor – a analista Deanne traça um perfil de hedonismo de Lukas, e descobre que ele é uma farsa e que algumas fotos são montagens.

O grupo, através da insistência de John Green, descobre onde ele mora e aciona a polícia. O modo como ele mapeia através de uma foto tirada na varanda de um apartamento até chegar ao local exato utilizando o Street Views do Google é incrível.

Porém ele não se encontra mais lá e é um estopim para que o homem saiba que está sendo visto na internet e monitorado. Então ele divulga um vídeo onde mostra o local de trabalho de Deanne, acendendo um alerta nela. O matador de gatos estava tomando um passo a mais e chegando a ameaçar pessoas.

Com isso o grupo manda todas as provas e o perfil de Luka para a polícia de Montreal sobre o perigo que ele pode causar a segurança. Mas não obtém nenhuma resposta. Depois de um tempo então o grupo tem acesso a um vídeo de um assassinato de um homem deitado na cama, com as mãos amarradas e furado por um picador de gelo.

O interessante é que o diretor Mark utiliza todos os recursos de imagens da internet, mostrando diálogos no Messenger, Street Views, captura de imagens, vídeos de câmeras de segurança, ao mesmo tempo em que vai apresentando uma narrativa sólida, com depoimentos autênticos dos envolvidos e testemunhas, e conseguindo prender a atenção pelas revelações assustadoras do maniqueísmo de Luka e a sua percepção doentia nas busca da notoriedade.

Quando se descobre o crime horrível de Luka, e a polícia canadense entra na história vamos descobrir a mente psicopata dele e da forma como conseguiu manipular quem ele queria para mostrar que estava um passo a frente, mesmo não medindo consequências avassaladoras.

O processo investigativo envolve polícias do Canadá, França e Alemanha. E o mais impressionante é a natureza dos detalhes do crime de Luka com referências de filmes, trilha, reprodução de cena e até o surgimento de um personagem que será o seu álibi. Por isso o depoimento da mãe dele é muito importante para traçarmos o seu perfil instável, porém frio e calculista e que vai levar a algumas revelações cruciais para o fechamento das características de sua personalidade.

A efeito a discussão do documentário é: até onde nós, como usuários da internet, podemos alimentar a necessidade de notoriedade de um psicopata como Luka Magnotta? Criando um monstro e tornando-o famoso como deseja.

Um detalhe no encerramento do último episódio serve de advertência até mesmo da existência desse documentário.

Detalhe: esse caso ficou muito famoso na época, 2012, e os vídeos amadores dos crimes de Luka, filmados por ele, por incrível que pareça ainda estão disponíveis na internet – tanto dos gatos, quanto da sua vítima no quarto, que morre de forma chocante. Não recomendo, fique só com esse documentário da Netflix, que é excelente.

Nota 9

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Comentando Notícia | Marcos Souza

Marcos Souza Gomes, paulista, nascido em Ipaussu (SP), foi criado quase que a vida inteira em Porto Velho (RO), é formado em Comunicação Social, Jornalismo, pela Faro – da primeira turma do Estado de Rondônia. Iniciou como revisor do Jornal Alto Madeira, em 1992, e depois passou a ser repórter do segmento cultural do matutino e em 1996 foi editor do Caderno Dois. Logo que se formou, em 2005, junto com mais três amigos de faculdade fundou o portal de notícias Rondoniaovivo, onde permaneceu até 2015. Especialista em cultura pop, crítico de cinema, atuante nas redes sociais, hoje trabalha como produtor de reportagem na SIC TV Record RO e é editor de matérias do site O Rondoniense.