Economia

Dólar dispara, e Bolsa tem forte queda com saída de Moro do Governo

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Moeda norte-americana bate recorde de valorização, vendida a 5,71 reais. Ibovespa chega a desabar 9,58% após anúncio. Investidores temem os rumos da economia brasileira diante dos ruídos em Brasília

O pedido de demissão do ministro da Justiça Sergio Mouro fez a Bolsa de Valores brasileira desabar no início da tarde desta sexta-feira. O Ibovespa, principal índice da B3, abriu em queda e, às 12h22, despencou 9,58%, aos 72.000 pontos, chegando perto dos temidos 10%, quando é acionado o mecanismo de circuit breaker, que suspende as operações. Por volta de 13h05, duas horas depois do início da fala de Moro, o índice reduzia as perdas e recuava 6,57%, aos 74.437 pontos. Na véspera, o Ibovespa fechou no vermelho já repercutindo as informações sobre a suposta saída do ministro.

A decisão de Moro —que ganhou notoriedade como principal juiz da operação Lava Jato— ocorre após a demissão do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, pelo presidente Jair Bolsonaro, publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta sexta-feira. O ministro havia imposto como condição para permanecer no Governo que pudesse discutir com Bolsonaro a escolha do sucessor de Valeixo à frente da PF, o que não aconteceu.

Dólar bate 5,71 reais

O discurso de demissão de Moro no fim da manhã desta sexta-feira também fez o dólar renovar mais uma vez o recorde intradiário durante a pandemia do coronavírus. Na máxima, a moeda americana chegou a ser vendida a 5,717 reais, maior cotação já registrada. Às 13h08, o dólar foi a 5,69 reais. O euro avança 3,16%, cotado a 6,15 reais.

“Estamos vendo um Governo se desfazer em meio a uma situação gravíssima de política internacional”, afirmou Fernando Bergallo, da FB Capital à agência Reuters.

Os investidores também temem os rumos da economia brasileira diante de persistentes ruídos em Brasília. “A percepção do mercado seria de que o Governo está perdendo o rumo político, e o Executivo está se isolando, em meio aos problemas ligados à pandemia global, inclusive com o esvaziamento da pasta de Paulo Guedes”, afirmou a Infinity Asset Management em nota.

Nesta semana, o ministro da Casa Civil, general Braga Netto, anunciou um pacote, o Pró-Brasil, de 300 bilhões de reais em infraestrutura para retomar o crescimento após a crise do coronavírus sem a participação da equipe econômica. A existência de um plano econômico sob a batuta da Casa Civil estruturado em torno do aumento de investimentos públicos expôs as divisões internas no Governo Bolsonaro sobre a melhor estratégia para o Brasil se reerguer da crise, num momento em que o Ministério da Economia segue apostando em reformas para atração de investidores privados. Guedes tinha uma live marcada para a manhã desta sexta-feira nos canais na internet do Itaú Unibanco, mas cancelou sua participação.

El País com informações de Reuters