Economia

Dólar se aproxima de R$ 5,50 após notícia sobre possível saída de Moro

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O dólar intensificou sua trajetória de alta na tarde desta quinta-feira, 23, após o jornal Folha de S. Paulo noticiar que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, pediu demissão depois de o presidente Jair Bolsonaro informá-lo que pretende trocar a diretoria-geral da Polícia Federal. Também está no radar dos investidores a possibilidade de o Banco Central voltar a cortar a taxa básica de juros. A medida, embora possa estimular a atividade econômica, tende a afastar o capital estrangeiro em busca de aplicações atreladas à Selic. Às 15h30, o dólar comercial avançava 1,5% e era vendido por 5,490 reais, próximo das máximas do dia. O dólar turismo, mais volátil, se apreciava 2,5%, cotado a 5,79 reais.

Vanei Nagem, analista de câmbio da Terra Investimentos, vê a notícia como um amplificador da instabilidade política no Brasil. “Se sair o Moro e o [ministro da Economia] Paulo Guedes, acabou esse governo”, afirmou. Segundo ele, o fato de Sérgio Moro ser bem avaliado pela opinião pública pode minar o presidente Jair Bolsonaro, caso saia. “É um governo que não é simpático com o Congresso. Se perder a base, que é o povo, a coisa fica complicada”, disse.

Apesar da alta mais acentuada no período da tarde, o dólar vem ganhando força contra o real desde o início do pregão. Logo na abertura, a moeda americana disparou e chegou a ser negociada 5,469 reais, renovando o recorde intradiário. Para prover maior liquidez, o Banco Central realizou dois leilões de 10 mil contratos de swap, mas teve pouco efeito sobre o preço da moeda.

A possibilidade de um novo corte de juros vem ganhando força desde o início da semana, quando o presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, mudou o discurso, deixando de descartar um novo corte.

“O mercado está precificando um corte de 0,75 ponto percentual para a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária)”, disse Márcio Loréga, analista da Ativa Investimentos. Segundo ele, o mercado também projeta um possível corte de 0,5 p.p. em seguida, o que levaria a taxa Selic a 2,5% ao ano. “Isso leva a uma saída de dólares, o investidor vai buscar países com potencial de rentabilidade maiores.”

Nesta semana, países emergentes como o México e a Turquia fizeram cortes em suas taxas básicas de juros. Para Loréga, esse movimento reforça a perspectiva de que o Brasil também reduzirá os juros. “É um ciclo que está acontecendo no mercado internacional e estamos seguindo no mesmo caminho. Vamos fazer esse ajuste para evitar um cenário de uma deterioração ainda maior da economia.”

Apesar da desvalorização do real, o dia é positivo para ativos de risco, como ações e divisas de países emergentes. No exterior, o dólar perdia força contra o rublo russo, o peso mexicano, a lira turca e a rúpia indiana.

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