Economia

Dólar supera R$ 5,70 e fecha em novo recorde antes de decisão da Selic

Dólar (Yuji Sakai/Getty Images)

Mercado projeta novo corte, que deve fazer com que a taxa básica de juros renove a mínima histórica

O dólar bateu um novo recorde de fechamento contra o real, nesta quarta-feira, 6, antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que voltar a cortar a taxa básica de juros Selic e, por consequência, renovar a mínima histórica. Nesta sessão, o dólar comercial subiu 2% e encerrou cotado a 5,7035 reais. O dólar turismo subiu 0,3%, a 5,93 reais.

Os juros menores, embora, possam ajudar a acelerar a atividade econômica, também reduzem a rentabilidade de títulos públicos, tornando-os menos atrativos para investidores estrangeiros. “A queda da Selic prejudica muito o câmbio, por causa do carry trade”, disse Jerson Zanlorenzi, chefe da mesa de renda variável e derivativos do BTG Pactual digital. O carry é uma prática de mercado que consiste em tomar dinheiro em locais com juros menores para aplicar em países com taxas façam compensar a operação.

Para Fabrizio Velloni, chefe da mesa de câmbio da Frente Corretora, a redução dos juros pode não ser acertada. “[Se cortarem,] vai ser tiro no pé total. A situação macroeconômica de hoje não nos permite cortar mais os juros. Isso acaba pressionando o câmbio, que já está muito fora da realidade”, afirmou.

No cenário, também pesou o rebaixamento da perspectiva de nota de crédito pela agência de classificação de risco Fitch de estável para negativa.  “Isso atrapalha o dólar. A pressão política gera mais um fator de desconfiança. Isso é precificado”, comentou Valloni.

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