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DÓRIA: O OXIGÊNIO DO GOVERNO BOLSONARO – Por Edmilson da Silva

Gosto da frase: “contra fatos não ha argumentos”. De fato, quando verificamos toda a estratégia do Governo de São Paulo para adquirir a vacina e imunizar a sua população, não tem como não reconhecer o trabalho de gestão do Governador João Dória. Sem perder tempo, São Paulo começou cedo as negociações em busca de vacinas e desde que assinou com a empresa chinesa Sinovac em 30 de setembro de 2020, um termo de compromisso para o fornecimento de 45 milhões de doses da chamada CORONAVAC, todas as outras medidas complementares também foram planejadas e adotadas, como compra de seringas, plano de vacinação, definição de critérios, etc.

Destaque nesse conjunto de ações para o Instituto Butantã que faz um trabalho científico magnífico trazendo não só a vacina, como a transferência de tecnologia para produção em território Brasileiro. Mas, o melhor resultado desse trabalho, não foi São Paulo ter trazido para o Brasil o primeiro lote de vacinas. E sim, ter colocado pilha no Governo Bolsonaro e ter praticamente forçado às autoridades do Governo Federal a se mexer e buscar alternativas para obtenção de vacinas, em caráter emergencial, e assim minimizar os efeitos políticos danosos ao Palácio da Alvorada e benéficos ao Palácio dos Bandeirantes.

Com o seu principal líder jogando contra a vacina, colocando em duvida a sua eficácia, resistindo a ideia de obrigatoriedade de vacinação e principalmente questionado a origem da Coronavac, colocando caraminholas na cabeça do povo, o Governo Federal viu de imediato o nome do João Dória despontar como liderança nacional na corrida pela vacina.

Sem saída, o Governo Bolsonaro tratou de contra atacar e passou de forma quase que desesperada tomar medidas para tentar conter o avanço político do Governador de São Paulo. Mudou radicalmente o discurso sobre a eficácia da Coronovac e providenciou o confisco das doses em poder do Estado de São Paulo para distribuir para todo Brasil.

A Coronavac, de problema, passou a ser a solução para o país inteiro. Enquanto isso tentava trazer da Índia dois milhões de doses de uma outra vacina, em uma operação cheia de trapalhadas que desgastou ainda mais a imagem já arranhada do Governo Bolsonaro. Nada dava certo, e nem podia. Sem organização e sem planejamento, O Ministério parece trabalhar sob demanda, ou seja, só se mobiliza quando o problema está instalado, tornando bem mais difícil a solução. Manaus mostra bem isso. Mesmo tendo sido avisado com antecedência, sobre a possibilidade de caos e falta de oxigênio, só tomou providências com a tragédia em andamento.

Na tentativa de salvar a pele, a turma do Bolsonaro acionou, claro, o gabinete do ódio. O objetivo era desmerecer e desvalorizar o trabalho de São Paulo vinculando a atuação do João Dória a interesse meramente político, além de tentar desmoralizar a imagem de homem publico do governador, tática que vem sendo usada pelos bolsonaristas contra qualquer adversário direto ou indireto, desde a eleição de 2018. Nesse aspecto, é bom que se diga que o ideal seria se pudéssemos separa o gestor publico do político. Não podemos. Infelizmente, no nosso sistema político o gestor publico só garante a sua carreira política se associado ao seu trabalho, tiver a divulgação dos seus feitos enquanto gestor, por meio da propaganda, por vezes utilizada criminosamente com a divulgação de mensagens e notícias falsas.

Diante dessas circunstâncias, surge inevitavelmente a pergunta: Como estaríamos hoje se o Governo de São Paulo tivesse aguardado, como os demais Estados, as ações exclusivas do Ministério da Saúde para aquisição de Vacinas? A julgar pela postura e ações adotadas pelo Ministério e sem pressão externa, estaríamos provavelmente sem nenhuma dose aplicada até o momento e talvez sem previsão de aplicação. A sorte é que estão surgindo outras iniciativas semelhantes à de São Paulo. Além do Consórcio Nordeste, alguns Estados também se mobilizam para conseguir imunizar a sua população independente das ações do Ministério da Saúde.

Essas iniciativas mostram claramente a falta de confiança dos Governos estaduais e municipais na política de imunização adotada pelo Governo Federal para o enfrentamento da COVID-19.

Os Bolsonaristas tem alegado que o STF limitou a atuação do Governo Federal quando restabeleceu aos Estados e Municípios a autonomia para adotarem medidas contra a COVID, dentro de suas competências constitucionais. Deveriam agradecer ao STF. Sem essa decisão, provavelmente estaríamos em uma catástrofe maior ainda com o Ministério da Saúde tendo de se dividir entre o controle da pandemia, compra de vacinas e ainda definindo e controlando as medidas de isolamento social em todo País, atribuídas a governadores e prefeitos.

A essas alturas, o governo Bolsonaro certamente não teria mais oxigênio para sobreviver a uma crise política e o fracasso total estaria muito mais evidente. É possível até que estivesse morto asfixiado pela sua inércia e incompetência.

José Edmilson da Silva é Engenheiro Agrônomo, Bacharel em Direito, Professor e Servidor Público Federal

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