Almanaque | Humberto Oliveira

Humberto Oliveira nasceu em Fortaleza/Ceará, há 55 anos, mas há mais de 20 é rondoniense de coração. Jornalista formado pela Faro, mas um escrevinhador desde os 13, colecionador de filmes, livros e cds, cinéfilo desde os 5 anos de idade quando foi ao cinema pela primeira vez (o filme Branca de Neve e os 7 anões), no grandioso Cine São Luiz. Fã de Ruy Castro, Nelson Rodrigues, Woody Allen, Martin Scorsese,Nelson Pereira dos Santos, cinema noir e música brasileira. Apaixonado por cinema já ministrou cursos de roteiro e História do cinema. Participou de cinco edições do Fest Cine Amazônia, como assessor de imprensa, duas vezes na seleção de filmes, presidente de júri e jurado. Admirador e conhecedor do dramaturgo Nelson Rodrigues ministrou palestras sobre a vida e a obra deste genial autor. É casado, tem três filhos e escreve poemas em homenagem aos amigos e pessoas que admira. Seu filme predileto é O Poderoso Chefão (a trilogia). Ama filmes clássicos, mas não deixa de assistir a maioria das produções em cartaz. Também aprecia o teatro e um bom papo.
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Duas ou três coisas que sabemos sobre Eve

O que faz um filme se tornar um clássico? A direção, as interpretações ou o roteiro? Creio que tudo isso junto e mais duas ou três coisinhas. O filme A malvada, horroroso título em português da obra prima do diretor Joseph L. Mankiewicz – All about Eve (Tudo sobre Eve) estrelado por Betty Davis, Anne Baxter, George Sanders, Celeste Holm, Gary Merril, Thelma Ritter e numa ponta, Marilyn Monroe. Vencedor do Oscar de melhor filme de 1950, o longa recebeu nada menos que 14 indicações e levou seis, incluindo melhor diretor para Mankiewicz e ator coadjuvante para Sanders. Naquele, Davis e Anne Baxter concorreram como melhor atriz e Glória Swanson por sua soberba interpretação como Norma Desmond, no sensacional Crepúsculo dos deuses, de Billy Wilder. Lamentável, as três perderam para uma atriz hoje pouco lembrada, Judy Holiday, por sua performance em Nascida ontem (muitos anos depois refilmado com Melanie Griffith). Coisas de Hollywood.

A malvada conta a história de uma atriz de teatro veterana (Davis) que conhece um grande fã, a tal Eve do título original, vivida por Anne Baxter. Infelizmente, para Margo, digo Davis, a prestativa Eve quer nada menos que suplantar sua benfeitora. Ambiciosa, dissimulada, ardilosa, uma verdadeira serpente, que Margo coloca dentro de casa e em sua vida. Eve não mede esforços para alcançar seu único objetivo, ou seja, o estrelado e, obviamente, o reconhecimento do público e da crítica. Para tanto, a cobra, digo, Eve, manipula a todos. Do marido de Margo, o diretor, o marido de uma amiga, o autor de peças e roteiros, o crítico ácido e aproveitador, enfim, todo o elenco. O diálogo inteligente (coisa rara atualmente e pelo visto fora de moda nos filme de hoje em dia), a soberba e genial direção de Mankiewicz, também autor do roteiro, as atuações maravilhosas e inesquecíveis fazem de A malvada um legítimo filme para assistir muitas vezes. Como diz Ele, sobre a atuação de Margo, no palco, “eu assistiria mil vezes à sua interpretação”.

Rico em diálogos ácidos e bem escritos e bem falados, o roteiro reserva um final, no mínimo, irônico. Depois de ganhar um prêmio importante, Eve, chega em cada e vejam só, encontra uma desconhecida em seu apartamento. A princípio, Eve se aborrece, no entanto, a jovem diz que está fazendo uma pesquisa sobre a atriz, então, cansada, ela se deixa seduzir pelo encantamento da moça. Phoebe começa a se mostrar como Eve, humilde e submissa e vai guardar o vestido da atriz e assim como Eve fez no começo do filme, Phoebe segura o vestido e o prêmio e faz messuras à frente de um espelho, como uma atriz agradecendo os aplausos do público. Impagável.

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