Destaques eleições 2020

É pouco tempo para se gastar com arapuca e indecisão; candidatos não podem errar

É tudo muito estranho, e para o eleitorado indeciso, órfão do primeiro turno e com a pulga atrás da orelha sobre as candidaturas postas, esse começo é indesejável. 

O segundo turno começou com a acusação, pelo prefeito Hildon Chaves (PSDB), de que assessores da adversária Cristiane Lopes (PP) teriam armado uma “arapuca” para que Chaves não participasse do debate que a SIC TV promove no sábado, 21 de novembro.  Num vídeo divulgado no facebook, ele diz ter sido procurado por pessoas da equipe da vereadora com uma “informação e um pedido.”

A informação: Cristiane teria piorado do quadro de Covid-19. O pedido: se ele poderia abrir mão do debate em razão dessa condição de saúde da candidata. Pois bem, o candidato teria aquiescido.

Depois disso, Cristiane veio a público, também pelo facebook, para dizer que Hildon Chaves sofria de “amnésia”, era contra a reeleição, depois se candidatou e “tem um grande problema na vida com a palavra indecisão,” dando a entender que o prefeito mudou de ideia e resolveu depois participar do debate.

Cristiane Lopes fala que veio a público “restabelecer a verdade” depois de ver a manifestação do oponente, não fala do seu estado de saúde no atual momento  e muito menos vai ao cerne da acusação do prefeito, ou seja, de que seus assessores teriam afastado o prefeito do debate de caso pensado, para favorecer a vereadora.

É tudo muito estranho, e para o eleitorado indeciso, órfão do primeiro turno e com a pulga atrás da orelha sobre as candidaturas postas, esse começo conflituoso de campanha de segundo turno, de apenas duas semanas, é indesejável para todos.

O prefeito, pelos números da eleição, está em posição vantajosa com toda certeza, mas não custa lembrar ser esta uma nova eleição. Dele e de seu grupo se exige humildade e trabalho, sem esquecer que votos não se transferem integralmente com os apoios obtidos.

Cristiane, que não mencionou no vídeo o quadro da doença – falou apenas que está se restabelecendo com todas as suas forças -, precisa trabalhar muito mais ainda, superar a gigante desvantagem em relação a quem já está no cargo, tem a máquina. Ela precisa ter excelente orientação profissional.

Os candidatos não podem errar, o tempo é curto.

Fica a dica, e a chateação de assistir ao blábláblá que não se sabe verdadeiro ou tudo jogada de mão dupla para desviar a atenção dos eleitores, um diversionismo que para parcela expressiva do eleitorado, desde a prisão de João Santana e da força das redes sociais, é cada vez mais irritante e menos tolerável.

Blog da Mara

Mara Paraguassu

Profissional de comunicação social desde 1989. Formada pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), em São Paulo, com pós graduação em Ciências Políticas pela Universidade do Legislativo (Unilegis).

Jornalista por devoção.

Foi repórter e editora de Política nos jornais “O Estadão do Norte”, “O Guaporé” e “Diário da Amazônia”. Cobriu eleições para a Agência Estado. Dedicou-se à assessoria de imprensa do Governo de Rondônia, de onde se aposentou em 2018.  Assessora parlamentar por 12 anos, atuando em Brasília nos mandatos da senadora Fátima Cleide e deputado Padre Ton.